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ODS 4: sustentabilidade não existe sem educação

Direito básico é necessário para o pleno exercício da cidadania, mas os desafios ainda são imensos. Entenda.

16 set 2021 11h48
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por Angélica Queiroz (O Mundo Que Queremos)

Se o acesso à educação já não estava longe do ideal antes, a pandemia fez aumentar a quantidade de alunos que podem deixar a escola. Segundo uma pesquisa, feita pela Fundação Lemann, o percentual de alunos brasileiros desmotivados com os estudos passou de 26% no ano passado para 40% em 2021. Esse número aumenta entre os estudantes negros (43%), aqueles de famílias com renda mensal de até um salário-mínimo (48%) e os que vivem em áreas rurais (51%), evidenciando as desigualdades do nosso sistema educacional. 

Para as crianças que estavam sendo alfabetizadas, o impacto é ainda maior. Isso num contexto em que, só no Brasil, existem pelo menos 11 milhões de analfabetos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). São pessoas com mais de 15 anos de idade que, segundo pesquisa feita pelo órgão, não conseguem sequer entender ou formular um pequeno texto. Em pleno século 21, a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) estima que ainda existem mais de 750 milhões de analfabetos em todo o mundo. Esses dados são apenas um pequeno retrato do tamanho do desafio da ODS 4:

"assegurar a educação inclusiva e equitativa de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos".

A meta contempla todos os níveis de educação e visa promover a capacitação e empoderamento dos indivíduos, além de ampliar as oportunidades de escolarização, principalmente entre as populações mais vulneráveis. No entanto, se os desafios para garantir apenas o acesso ainda são tão grandes, imagina os para assegurar a qualidade. Os salários e condições de trabalho dos professores e as instalações físicas das escolas, especialmente nos países em desenvolvimento, ainda são grandes gargalos. E não são os únicos.

Para se ter uma ideia, muitas escolas não têm sequer banheiros com água encanada e esgoto, o que faz com que adolescentes abandonem os estudos quando começam a menstruar. 

Por que você deveria se preocupar com isso?

Esse é um ODS muito importante, inclusive, para a sustentação de todos os outros. É a educação que garante que os cidadãos estejam aptos para o exercício pleno da cidadania, incluindo as mudanças de hábitos tão necessárias para contermos o avanço das mudanças climáticas. Informação é a base de qualquer mudança, seja ela grande ou pequena. Para ter acesso a um texto dessa coluna, por exemplo, a pessoa precisa saber ler. Para reciclar o lixo ou preferir produtos sustentáveis, também. Para entender a importância dessas atitudes, precisa entender o que é o aquecimento global e como ele ameaça a vida de todos no planeta.

É importante lembrar que a educação formal não é a única válida. Os povos originários estão aí para nos dar excelentes exemplos de como construir outra relação com a terra. No entanto, para quem não nasceu numa comunidade indígena, os livros e a escola são as principais fontes, inclusive, desse conhecimento.

Que tal começar elegendo governantes que tenham a educação — inclusiva, igualitária e baseada nos princípios de direitos humanos e desenvolvimento sustentável — como uma de suas pautas prioritárias?

Também é uma boa ideia ler "Ideias para Adiar o Fim do Mundo", no qual Ailton Krenak nos dá uma verdadeira aula.

 

ODS

Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, os ODS, fazem parte do plano de ação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, definida em 2015, durante uma reunião de líderes mundiais na sede da ONU, em Nova York. Os ODS são tarefas válidas para todo o mundo, com objetivos comuns para fazer do planeta um lugar mais justo e sustentável. Aqui a gente explica melhor e conta quais são eles.

Foto: Climatempo
Climatempo
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