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Membros do Parlamento Europeu discutem destruição da Amazônia

Evento online levantou questões de política geral, as causas do desmatamento e os problemas enfrentados pelas comunidades indígenas e florestais na Amazônia

11 nov 2021 21h02
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Evento online levantou questões de política geral, as práticas que levam ao desmatamento e os problemas enfrentados pelas comunidades indígenas e florestais na Amazônia

Representantes do Parlamento Europeu defenderam, no evento online "Enfrentando o desmatamento na Amazônia brasileira: um direito à terra e a perspectiva das mulheres", realizado na tarde desta terça-feira (09/11), que deputados se organizem para formar uma coalizão capaz de debater internacionalmente alternativas para reduzir e, por fim, erradicar o desmatamento e as ameaças às comunidades da Amazônia. A iniciativa do encontro foi da organização italiana No Peace Without Justice em parceria com a campanha brasileira Seja Legal com a Amazônia, contra grilagem de terras públicas na região.

Alessandra Moretti, membro do Parlamento Europeu e moderadora do evento, defendeu que os europeus aproveitem o fato de terem nascido em uma parte privilegiada do mundo, com condições de manifestar suas ideias e serem ouvidos, para ajudar a lançar luz sobre o problema.

"Temos o dever de dar voz à democracia, à liberdade e aos valores sobre os quais se assenta a União Europeia. Temos o dever de dar voz a quem tem esses direitos fundamentais ameaçados", endossou.

Já Eleonora Evi, membro da Comissão do Ambiente, da Saúde Pública e da Segurança Alimentar, do Parlamento Europeu, propôs que seja criada uma coalizão de eurodeputados para possam dar voz a esses temas e, sobretudo, aos povos indígenas e comunidades da Amazônia, que precisam ser ouvidos e não podem ficar de fora tomada de decisão. Para ela, embora as metas para acabar com o desmatamento sejam estabelecidas para os próximos anos, a preservação da maior floresta tropical do planeta é urgente e precisa acontecer agora.

A pesquisadora do Imazon, Brenda Brito, organização que assina a campanha Seja Legal, explicou porque a grilagem de terras públicas na Amazônia é um dos principais vetores da destruição da floresta. Segundo a pesquisadora, no relatório "Dez fatos essenciais sobre regularização fundiária na Amazônia" do Imazon, consta que

29% da região amazônica brasileira carece de definição de posse da terra e de que 40% do desmatamento entre 2013 e 2020 ocorreu nessas áreas sem definição fundiária. As atuais leis de terras nos estados amazônicos encorajam a invasão e desmatamento contínuos de terras públicas.

A indígena Telma Taurepang, que integra a coordenação da União de Mulheres Indígenas da Amazônia Brasileira (UMIAB), também participou do evento e disse que precisamos reflorestar as mentes que destroem por conta do capitalismo. Que destroem territórios com o desmatamento, a grilagem e a mineração. A indígena questionou:

"Qual é a perspectiva de vida que nós temos daqui a 30 anos? Como que nós podemos fazer com que os presidentes dos países nos vejam como seres humanos, com o capitalismo que chega dentro das nossas terras e comunidades indígenas? Se fala em milhões por parte desses governantes, mas esses milhões são para salvar a terra ou destruir?".

O webinário também contou com a participação de Daniel Lopes (Instituto Maira), Puyr Tembé (APIB), Paulo Celso de Oliveira e Gersem dos Santos Luciano (Fundo Brasil). Encerrando o evento, Alessandra Moretti ressaltou que, em meio ao combate à crise climática, hoje é importante que sejam assumidas responsabilidades e que é fundamental o compromisso do Parlamento Europeu em dar voz às comunidades indígenas, às mulheres e a todos aqueles que estão levando adiante lutas e batalhas tão corajosas.

Seja Legal com a Amazônia

A Campanha Seja Legal com Amazônia é uma iniciativa conjunta de representantes do agronegócio, das empresas e das organizações não governamentais de defesa do meio ambiente para combater o roubo de terras públicas na região. Essa prática criminosa é uma das principais causas do desmatamento ilegal, da violência, da corrupção e do atraso econômico na Amazônia.

Para saber mais, acesse: www.sejalegalcomamazonia.org.br

Foto: Climatempo

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