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Geadas afetaram produção de alimentos e preços devem subir

Há queda de produção e qualidade de algumas culturas. Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) aponta danos

29 jul 2021 10h58
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Foto: Helton Sena - Campo Belo - MG

Fábio de Salles Meirelles, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), relata ter sido feito levantamento, por meio da rede de sindicatos rurais filiados, sobre as perdas provocadas pelas geadas ocorridas em 19 e 20 de julho.

"Foram dois dias de frio intenso e abrangente, que provocou danos em várias cadeias produtivas, especialmente na cafeicultura, cana-de-açúcar, milho e pastagens. Prejuízos foram reportados também nos pomares de citros, cultivos de trigo, mandioca, frutas e hortaliças", informa.

Abaixo o levantamento realizado das culturas mais atingidas:

Café

Estima-se que as geadas afetaram entre 10% a 20% da área nas principais regiões produtoras do Estado. A dimensão exata ainda está sendo avaliada, em função dos diferentes graus de severidade do frio que atingiram as lavouras. Os danos foram mais intensos nas lavouras novas, em áreas de plantios nas baixadas. Porém, as plantações mais maduras não passaram ilesas, o que deverá resultar em menor rendimento e qualidade na próxima safra, com o aumento de grãos pretos e verdes.

Cana-de-açúcar

Na região de Ourinhos, dados preliminares indicam que a atual safra 2021/22 pode estar comprometida em até 15%. Áreas com renovação e brotação nova foram bastante prejudicadas. Nas plantações ainda não colhidas, a seca já havia provocado queda de produtividade. Com a geada, a produção que já estava prevista em volumes menores, tende a se reduzir ainda mais. Em Altinópolis, regional de Ribeirão Preto, os canaviais podem ter sido afetados em cerca de 30% da área plantada no município.

Milho safrinha

Impactos severos foram registrados em municípios das regiões do Médio Paranapanema e Sudoeste Paulista. Nas lavouras em fase de florescimento e enchimento de grãos, os primeiros registros apontam uma quebra de produtividade podendo alcançar em até 70%. Nas situadas em estágio mais avançado (grão pastoso ou farináceo), a sinalização é de que o potencial produtivo possa se reduzir entre 20% e 30%.

Pastagens

Os danos foram expressivos em muitas localidades, já que grande parte das áreas de pastagens em baixadas foram queimadas. Com a seca, a produtividade de massa que já havia caído significativamente, tende a ser potencializada com os efeitos da geada. Isso implicará na necessidade de suplementação dos animais, ou seja, maiores gastos com a alimentação do rebanho cujos custos já estão altos, com potencial reflexo na produção de carne e leite. Produtores de leite em sistemas semi-intensivos, em Cerqueira César, microrregião de Avaré, relataram quebra de 30% a 50% na produção em um período de três dias.

Hortaliças

As perdas chegam a 15% das áreas em produção do cinturão verde, o Alto Tietê Paulista. Isso abrange um universo de dois mil produtores prejudicados. Houve redução na produção e menor qualidade dos produtos. A geada impactou também a produção nas regiões do Médio Paranapanema e Noroeste Paulista, com prejuízos estimados acima de 50%.

Impacto na saúde financeira das propriedades rurais

Além das perdas estimadas para a agropecuária paulista, que serão expressivas em termos agregados, preocupa a consequência individual para as propriedades rurais, com reflexos em termos de diminuição do faturamento, margens e incapacidade de pagamento dos custeios agrícolas. Além disso, deverá ocorrer elevação temporária dos preços dos alimentos, devido à escassez de oferta, que pode repercutir nos índices de inflação.

"Neste momento, é fundamental que o Ministério da Agricultura (MAPA) e, no Estado, a Secretaria de Agricultura, apoiem os produtores paulistas, pois eles terão dificuldade em honrar seus compromissos financeiros perante os credores. É preciso criar linhas emergenciais de custeio e de prorrogação de dívidas", pondera Meirelles.

Como planejar uma safra e monitorar sua fazenda da geada?

Otimizar o plantio, ficar de olho no Clima para avançar com os trabalhos no campo e observar o desenvolvimento da cultura para evitar perdas são algumas das decisões que você produtor rural precisa tomar durante a safra. 

O Agroclima Pro é um serviço de tecnologia da Climatempo que utiliza o conhecimento meteorológico. Com ele você pode acessar o histórico de dados de Clima para sua fazenda e pode detectar áreas com menor vigor vegetativo. Além disso, você fica sabendo como será a demanda hídrica da sua lavoura nos próximos 15 dias e ainda consegue identificar os melhores dias e horários para realizar as pulverizações.

Climatempo
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