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Entenda o 'ciclone bomba' que passou pela costa leste dos EUA

Sistema intenso de baixa pressão atmosférica potencializou os eventos de neve

5 jan 2018
15h16
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O ano de 2018 começou com uma situação meteorológica excepcional nos Estados Unidos: uma massa de ar polar extremamente forte sobre grande parte da costa leste do país, que fez com que recordes históricos de frios fossem batidos.

O frio e o acúmulo de neve começaram a bater recordes no Natal de 2017 e a virada para 2018 foi do mesmo jeito. Em Nova Iorque, o ano novo chegou com temperaturas em torno de 10°C abaixo de zero. O problema não era só as baixíssimas temperaturas, mas o vento forte que fez a sensação de frio aumentar, além de enormes acúmulos de neve, cobertura de gelo nas estradas e sobre os lagos, deixando os deslocamentos das pessoas perigosos. O mar também ficou muito agitado, com grandes ondas.

Na primeira semana de 2018, grande parte da costa leste dos Estados Unidos, da região das Carolinas (do Sul e do Norte) até a o Maine e a Nova Escócia, no Canadá, ficaram em alerta para nevascas (neve e vento forte), frio extremo e mar muito agitado.

As condições meteorológicas favoráveis a nevascas foram potencializadas pela passagem de um intenso ciclone de meso-escala, uma área de baixa pressão atmosférica muito forte que se deslocou do oceano Atlântico Norte e avançou sobre a costa leste dos Estados Unidos. O ciclone trouxe ar quente e úmido do mar que se chocou com a forte e grande massa de ar gelada que já estava sobre o continente.

Bombogênese

Uma expressão que ganhou o noticiário internacional no começo de 2018 foi a "bombogênese" ou "ciclone bomba" na costa leste dos Estados Unidos. Bombogênese é um termo popular, não técnico, usado pelos meteorologistas norte-americanos para caracterizar a rápida intensificação de um ciclone com baixa velocidade. No processo de "bombogênese", a pressão atmosférica no centro da baixa pressão cai 24 hPa (ou milibar) em 24 horas! Esta queda de pressão atmosférica vertiginosa e muito rápida sobre águas oceânica quentes forma um ciclone muito intenso, um "ciclone bomba". Segundo informações da NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), dos Estados Unidos, 14 dos 20 sistemas meteorológicos com força de furacão que surgiram nos dois primeiros meses de 2014 sofreram este efeito de "bombogênese".

Ciclone bomba

A simulação atmosférica baseada no site Windy.com mostra o forte sistema de baixa pressão atmosférica, que foi chamado de "ciclone bomba", que passou pela costa leste dos Estados Unidos intensificando os eventos de neve no começo de janeiro de 2018. 

As linhas finas representam as isóbaras (linhas que unem pontos com a mesma pressão atmosférica). O valor da pressão atmosférica diminui em direção ao centro do sistema, que é representado pela letra L (de low, baixo, em inglês).  As pequenas setas brancas que se movimentam representam o fluxo de ar. As áreas em tons de rosa e roxo representam os ventos mais fortes. A projeção do modelo de previsão atmosférica global GFS, dos Estados Unidos, é que o mínimo de pressão deste ciclone alcance valores em torno de 960 hPa.

O centro da baixa pressão atmosférica se afasta dos Estados Unidos durante o sábado, 6 de janeiro de 2018. Um grande e forte sistema de alta pressão atmosférica se espalha pelo centro, sul e leste dos Estados Unidos reduzindo a nebulosidade e as condições para neve e chuva, mas mantendo frio! Porém, será o frio com o sol em grande parte do país.

Nuvens do ciclone bomba

Na imagem de satélite do GOES 16, em alta resolução, das 14h42 UTC (12h42 em Brasília), de janeiro de 2018, é possível ver a densa e grande área de nebulosidade associada ao "ciclone bomba", expressão que foi usada pelos meteorologistas dos Estados Unidos para descrever o intenso e grande ciclone (forte área de baixa pressão atmosférica) que avançou sobre a costa leste do país. Este ciclone veio do mar, avançou pela costa dos Estados Unidos, passa pelo extremo leste do Canadá e atinge novamente o mar no fim de semana, sobre as águas do Atlântico Norte entre o Canadá e a Groenlândia.

Foto: Climatempo

Imagem de satélite mostra a nebulosidade ( porção superior direita) do forte ciclone que intensificou a neve na costa leste dos EUA em janeiro de 2018

O ciclone pode ser visto como a região onde a nebulosidade tem um formato de caracol, na porção superior direita da imagem.

Este exepcional evento de frio que ocorreu no começo de 2018 na costa leste dos Estados Unidos é um forte candidato a entrar na retrospectiva meteorológica deste ano.

Climatempo

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