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Conhecimento sobre os solos brasileiros ainda é escasso

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), metade dos solos agricultáveis no planeta está degradada.

15 abr 2021
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Foto: iStock

Por Cinthia Leone/Instituto Climainfo

No dia 15 de abril é comemorado o Dia Mundial da Conservação dos Solos para alertar a humanidade sobre os riscos da destruição do solo, a "carne" do planeta.

Você já ouviu falar em pedosfera? Esse é o nome que se dá ao conjunto de solos existentes na Terra, um patrimônio comum fundamental para a produção de alimentos e para a manutenção da vida em geral. 

Como ocorre atualmente com outros patrimônios naturais, a pedosfera está adoecendo. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), metade dos solos agricultáveis no planeta está degradada. A mesma organização estima que o gasto anual com fertilizantes para repor os nutrientes perdidos com a erosão dos solos é estimado entre 110 a 200 bilhões de dólares. 

15 de abril - Dia Mundial da Conservação dos Solos

Na cultura ocidental, um dos primeiros a se dar conta da catástrofe que ocorre bem debaixo dos nossos pés foi o cientista dos EUA Hugh Hammond Bennett (1881-1960), considerado o pai da conservação de solos. O Dia Mundial da Conservação de Solos é comemorado em 15 de abril em homenagem ao seu nascimento, data celebrada também no Brasil desde o final dos anos 1980 por iniciativa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa)

Bennett não apenas conduziu pesquisas importantes para mostrar os riscos da perda de solo na década de 1930, como foi capaz de conscientizar seu país sobre a importância estratégica da conservação, envolvendo políticos, universidades e agentes financeiros. 

 

Brasil desconhece seus solos 

No Brasil, uma iniciativa semelhante à de Bennett começa a ser concretizada apenas agora. O país dispõe somente de levantamentos de solo de caráter geral, com mapas de pequena escala, sendo que menos de 5% do território nacional conta com mapas de solos em escalas bastante detalhadas, ou seja, de  1:100.000 ou maior.

Ao tomar conhecimento dessa situação, o Tribunal de Contas da União determinou em 2015 que fosse elaborado um plano de providências. Um grupo de trabalho formado por pesquisadores de várias unidades da Embrapa, do IBGE, da SBCS, da CPRM, da UFRRJ, da UFPI, da UDESC, da UFLA e do Ministério da Agricultura formularam um documento que serviu de base para a criação do Programa Nacional de Solos do Brasil (PronaSolos). A iniciativa deverá fornecer, num prazo de 30 anos, informações adequadas para orientação do uso da terra em todo o Brasil — não apenas nas áreas rurais. 

Segundo informações publicadas pela Embrapa, o PronaSolos vai mapear os solos de 1,3 milhão de km² do País nos primeiros dez anos, e mais 6,9 milhões de km² nas duas décadas seguintes, em escalas que vão de 1:25.000 a 1:100.000. As informações geradas serão sistematizadas em uma única base de dados disponível à sociedade. 

Planejamento urbano, produtividade e prevenção de catástrofes

Esse esforço científico terá impactos para o planejamento da expansão urbana, indicando, por exemplo, os solos mais adequados ou suas limitações para a construção de casas, prédios, rodovias, a implantação de aterros sanitários, cemitérios, áreas de lazer ou esportivas e redes de transmissão de energia elétrica. O conhecimento adequado sobre os solos brasileiros também ajudará na prevenção de catástrofes em virtude da ocupação desordenada nas cidades, como enchentes e deslizamentos. 

No meio rural, dados qualificados sobre o solo indicarão as áreas de maior e menor potencial para a expansão das produções, produtividades esperadas para cada cultura em determinada microbacia, bacia, município ou estado e práticas conservacionistas que possibilitem reduzir ou eliminar a erosão, a perda de água das chuvas, a sedimentação dos rios, as enchentes e os riscos de desastres naturais. As novas informações também permitirão uma avaliação mais adequada do preço das terras para fins de compra e venda e darão mais transparência ao crédito agrícola, reduzindo os riscos tanto para os agricultores como para os financiadores. 

Mas os desafios para o PronaSolos são grandes. Nesta etapa inicial, o Brasil tenta superar a baixa quantidade de cientistas para uma iniciativa deste porte. Para contornar a escassez de pedólogos no país, a Embrapa anunciou nesta semana a criação da Universidade PronaSolos, um programa de capacitação que será conduzido pela Sociedade Brasileira de Solos em parceria com programas de pós-graduação. Uma das apostas é a oferta de cursos de especialização, para atrair jovens profissionais de diversas áreas para atuação na pedologia. 

Ficou interessado? No site do PronaSolos é possível saber mais sobre o futuro das pesquisas sobre solo no Brasil. 

Foto: Climatempo
Climatempo
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