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Calor e ar úmido são os maiores perigos nas Olimpíadas de Tóquio

Ondas de calor durante o verão no Japão estão ficando mais frequentes por causa da mudança climática.

14 jul 2021 03h57
| atualizado às 04h27
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Foto: Ponte Olímpica ou Gorinbashi decorado com um globo terrestre em Harajuku à noite (iStock)

por Fabiene Casamento/Meteorologista

Algumas condições meteorológicas podem ser bastante prejudiciais para o ser humano. Para os organizadores das Olimpíadas de Tóquio, que vão ocorrer durante o verão do Japão, a maior preocupação é o calor. Embora outras olimpíadas já tenham ocorrido em locais quentes e úmidos, como Atenas, a combinação de umidade alta com calor continua sendo perigosa. Os Jogos Olímpicos de Tóquio vão ocorrer entre os dias 23 de julho e 8 de agosto de 2021.

Tóquio é famosa por seu verão muito quente há anos. A última vez que sediou os jogos olímpicos, em 1964, o evento foi transferido para outubro para contornar os problemas com o calor.

Nas Olimpíadas de Tóquio 2021, com regras comportamentais por causa da pandemia de Covid-19, os espectadores e voluntários poderão tirar as máscaras se se sentirem desconfortáveis, apenas mantendo distância das multidões.

O plano é que as pessoas permaneçam refrescadas e hidratadas, em meio ao calor no verão de Tóquio.

Medidas anti-calor

Em eventos de teste no verão de 2019, os organizadores implementaram uma variedade de medidas anti-calor: 1.360 toneladas de gelo para resfriar os atletas, tendas para sombra, sorvete para voluntários e ventiladores de névoa e neve artificial para os espectadores.

Mesmo assim, várias pessoas foram tratadas por suspeita de insolação em um evento de vôlei de praia e 10 pessoas, incluindo atletas, adoeceram em um evento de teste de remo.

Foto: Climatempo

Climatologia de Tóquio

Calor e alta umidade são riscos nas Olimpíadas de Tóquio 2021

O calor intenso e alta umidade podem representar um sério risco para os atletas nos jogos Olímpicos de Tóquio deste ano.

O relatório publicado em 7/7/2021, pela Associação Britânica para o Esporte Sustentável, detalha as preocupações sobre os impactos do aumento das temperaturas na saúde das pessoas e atletas no Japão. O estudo detalha como eventos como o triatlo, a maratona, o tênis e o remo podem ser afetados pelo calor.

A temperatura média anual em Tóquio aumentou 2,86 °C desde 1900, mais de três vezes mais rápido do que a média mundial.

Também aconselha os atletas sobre como enfrentar a competição no calor, além de alertar sobre como a crise climática pode inviabilizar eventos esportivos no futuro.

As Olimpíadas estão programadas para ocorrer de 23 de julho e 8 de agosto de 2021, um período em que o Japão geralmente experimenta suas temperaturas anuais mais altas, que aumentam ainda mais devido à mudança climática.

Em um contexto esportivo, um ambiente quente e/ou úmido pode representar um risco para o desempenho e a saúde de espectadores, oficiais e atletas.

De queimaduras solares, passando por comprometimento cognitivo, exaustão pelo calor ou colapso por insolação, todas as facetas de um evento esportivo - e todos os envolvidos - podem ser adversamente afetados.

As medidas para mitigar os efeitos das altas temperaturas, incluem alterar os horários de início de algumas provas - como a corrida de longa distância, rúgbi, triatlo e ciclismo - e equipar as provas com sombra, jatos de água e acesso a fontes de água.

Foto: Climatempo

Estação do Estádio Nacional do Japão (Foto: iStock)

Fugindo do calor úmido nas maratonas

Alguns eventos dos próximos Jogos Olímpicos não serão realizados em Tóquio, a sede oficial, em meio a preocupações com o calor. É o caso da maratona, que será feita cerca de 805 km ao norte da capital do Japão, onde as temperaturas devem ser muito mais baixas.

Os organizadores das maratonas mudaram as competições para Sapporo, na ilha de Hokkaido, a região mais ao norte do Japão, para evitar temperaturas que podem chegar aos 37°C e níveis de umidade no ar acima de 80%.

Mesmo com essa alteração, os atletas ainda podem sofrer por terem pouco tempo para fazer a adaptação ao clima local. Ainda há riscos elevados de insolação em eventos como corridas, triatlos e vôlei de praia.

Ondas de calor mais frequentes

Nos últimos anos, o Japão tem tido temperaturas recordes durante os meses de verão, à medida que as ondas de calor se tornaram cada vez mais comuns. A onda de calor de 2018 resultou em mais de 1.000 mortes, de acordo com o governo japonês.

Embora a temperatura máxima média em Tóquio durante as Olimpíadas (final de julho a início de agosto) seja de 30°C a 31°C, a capital japonesa experimentou altas temperaturas nos últimos anos que se aproximaram de 40°C.

A combinação desse calor com umidade muito alta resultou em várias ondas de calor mortais no verão no Japão nos últimos anos. Essas condições, sem dúvida, colocarão extrema pressão nos atletas em locais ao ar livre durante as Olimpíadas de 2021.

Foto: Climatempo

Ginásio Nacional de Yoyogi projetado par a olimpíadas por Kenzo Tange no Parque Yoyogi (Foto: iStock)

Ondas de calor e a mudança climática

As recentes ondas de calor do verão que afetaram muitas áreas do Leste Asiático (e do globo) podem ser atribuídas, em parte, à mudança climática e ao aquecimento global. À medida que o planeta aquece, devido ao aumento das emissões de gases de efeito estufa, a mudança do clima é percebida de muitas formas. 

Uma dessas maneiras é o aumento das ondas de calor que têm tido maior duração, estão mais intensas e ocorrendo com maior frequência.  Estudos científicos recentes atribuíram ondas de calor mais extremas no Japão às mudanças climáticas e observaram que elas estão se tornando cada vez mais frequentes conforme o planeta aquece.

Quando Tóquio sediou as Olimpíadas pela última vez, em 1964, foi no mês mais frio de outubro.

No Campeonato Mundial de Atletismo de 2019 em Doha, Catar, os corredores de maratona trabalharam com calor de 32°C e umidade acima de 70%, mesmo depois que os horários de início foram movidos para meia-noite . Na prova feminina, 28 das 68 corredoras que largaram, não conseguiram finalizar a prova e algumas tiveram que ser retiradas do percurso.

Enquanto isso, no Aberto da Austrália de tênis, as temperaturas recentes ultrapassaram os 40 °C fazendo com que os jogadores desmaiassem na quadra.

Alguns exemplos recentes de extremos de calor

Xangai, Tóquio e Moscou estão entre as 25 megacidades que, juntas, foram responsáveis por 52% do total de gases de efeito estufa (GEE) emitidos entre 2005 e 2016. A conclusão é de um estudo publicado no periódico científico Frontiers in Sustainable Cities, em 12 de julho de 2021, que avaliou dados de 167 cidades de 53 países, incluindo o Brasil.

Em agosto de 2020 fez 41,1°C Celsius na cidade central de Hamamatsu, na prefeitura de Shizuoka, de acordo com a Agência Meteorológica do Japão, igualando a temperatura mais alta já registrada no país, que foi observada em Kumagaya, cidade perto de Tóquio, em julho de 2018. Em agosto de 2020, o Japão enfrentou uma forte onda de calor, com temperaturas em torno dos 40°C.

Para comparação, a temperatura média diurna em agosto para Hamamatsu, entre 1898 e 2010, foi de 31,3 °C.

Em 2019, as temperaturas médias no Japão atingiram o nível mais alto desde que os registros começaram, em 1898, e foram quase 1°C mais quentes do que em um ano normal.

Isso ocorreu devido a bloqueios atmosféricos que impediram a chegada de frentes frias e formando uma redoma ou cúpula de calor. Essa camada de ar quente age como uma tampa na atmosfera e prende o ar quente na região por mais tempo, causando recordes de temperatura.

Referências usadas nesta matéria

Climatempo
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