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Retomada verde: relembre as nove histórias com ações positivas para o meio ambiente

Do Seu Hélio, que criou um parque linear ao plantar 30 mil árvores, ao artista plástico Link Museu, que busca recursos para preservar um rio na periferia de São Paulo

2 jul 2021 15h10
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Foram nove personagens publicados semanalmente no site ao longo de pouco mais de dois meses. Em comum, todos tinham uma ação positiva para o meio ambiente com temas dos mais variados. As histórias de alguma maneira tinham também relação com a capital paulista e sua tentativa de retomada verde.

Seu Helio plantou 33 mil árvores e criou um parque linear em área degradada. Luiz de Campos e José Bueno criaram um projeto que mapeou 800 rios que estão sob o concreto da cidade. Dona Maria Helena contou sobre a importância da polinização com suas mais de 40 mil abelhas sem ferrão. Rogério Airoldi fez do seu condomínio um local sustentável, com compostagem, horta e água de reúso.

Regiane Alves deixou uma vida caótica no centro para se tornar agricultora orgânica na área rural da capital paulista. Cansado das ruas de concreto, Danilo Bifone começou a quebrar as calçadas para plantar árvores. O músico Marcelo Grilo tenta preservar uma das represas do Sistema Cantareira, principal fonte de abastecimento de água de São Paulo. O advogado Jayme Roso fez do seu sítio uma reserva ambiental e hoje em seu terreno é feito a soltura de animais selvagens. Por fim, Link Museu mostra sua tentativa de se tornar um Seu Helio e transformar as margens de um rio na Cidade Tiradentes em parque.

Para quem perdeu algumas das histórias, organizamos aqui um resumo de toda a produção.

Plantador de árvores

Lá vai seu Hélio. Botina sem meia, bermuda, camiseta, duas máscaras no rosto, o óculos de grau e uma sacola de pano suja de terra pendurada no ombro. Está pronto para dar mais uma volta na floresta que ele mesmo plantou. E quando se diz floresta, não é força de expressão. São 33.136 árvores, de 160 espécies, em uma área de 3,8 quilômetros de extensão na região da Penha, zona leste de São Paulo. Um trabalho obsessivo realizado pelo gerente comercial Hélio da Silva, de 70 anos, que começou em 2003 e segue até hoje, devidamente reconhecido como primeiro parque linear da cidade. "O que fiz foi trazer elas de volta. Podem não acreditar, mas quando as trouxe o solo as reconheceu e tudo se transformou. É lúdico o negócio. Aqui era terra de ninguém e agora é isso aí."

Caçadores de rios

O urbanista José Bueno e o geógrafo Luiz de Campos criaram há dez anos o projeto Rios e Ruas, que tem por objetivo sensibilizar pessoas a respeito da realidade dos rios esquecidos pela cidade. A dupla mapeou 800 cursos d'água escondidos sob o concreto de São Paulo. Não satisfeito com isso, eles organizam expedições para contar a história dos rios, mostrar a relação que ele ainda tem com a cidade e assim, de alguma maneira, mudar a mentalidade da população. "Vivemos em uma cidade biofóbica. Acham que a raiz da árvore estraga a calçada, que a folha entope a calha, que o rio inunda e traz mau cheiro. A gente vai se afastando do que é natural. Nosso processo é repensar nossa relação com o que é vivo. O cuidado com os rios não é uma poesia. É proteger o que é vivo. É um trabalho de transformação do nosso olhar", diz Bueno.

Criadora de abelhas sem ferrão

Dona Maria Helena Priseajniuc, de 86 anos, cuida de mais de 40 mil abelhas sem ferrão no quintal de casa. Mas quem visitá-la nem vai notar direito que a população na área externa de sua residência supera a de muitos municípios brasileiros. A maioria dos insetos fica dentro das pouco mais de 30 caixas de madeira, que estão distribuídas em prateleiras, como produtos de um supermercado. Há diversas espécies: Jataí, Mandaçaia, Mandaguari, Arapuá, todas nativas brasileiras, que não representam perigo para as pessoas e são fundamentais na polinização das plantas. A criação já se expandiu para o terreno do vizinho e também tem sido alocada em praças e árvores da região da Mooca, na zona leste de São Paulo, onde ela mora.

Condomínio sustentável

O professor de física Rogério Airoldi decidiu transformar o condomínio onde mora em um local sustentável. Nos últimos seis anos, eles construíram 11 composteiras, que transformam mensalmente 8 toneladas de resíduo orgânico dos moradores em adubo. O adubo é usado para o jardim e também fez de uma área abandonada, cheia de entulho, numa imensa horta comunitária, onde cada um planta o que quiser. Da horta, veio a ideia de coletar a água das áreas comuns. Foram instaladas quatro caixas d'água com capacidade total para armazenar 45 mil litros. O lixo reciclável também é todo separado e colocado em containers. Eles não usam mais sacos plásticos. O dinheiro arrecadado pela coleta entra na caixinha dos funcionários mensalmente. Uma coisa vai puxando a outra e as ideias para melhorias já mobilizam mais de uma centena de moradores.

Agricultores orgânicos de Parelheiros

Regiane Alves descobriu há pouco mais de seis anos os benefícios da agricultura orgânica e da agroecologia. Antes ela vivia no Grajaú e tentava seguir a carreira de engenheira civil. Nem gostava muito de passar os finais de semana no sítio da família na região de Parelheiros, na zona sul de São Paulo. Depois de perder o pai, ela e a mãe decidiram mudar de vida e foram para área rural da capital paulista. "Percebemos que tudo passa muito rápido, que era preciso dar mais valor às coisas. A gente vivia no automático, minha mãe era comerciante e não tinha hora para almoçar, não ia em consulta médica porque estava sempre atarefada. Vimos que precisava mudar, pensar mais na gente."

Quebrador de calçadas

Há mais de 30 anos, Danilo Bifone criou o Muda Mooca. Ele quebra calçadas, planta mudas, revitaliza áreas degradadas e ajuda os paulistanos a respirar melhor. A iniciativa atrai cada vez mais gente e já inspirou moradores de outras regiões a criar, por exemplo, o Muda Vila Leopoldina, Muda Ipiranga, Muda São Caetano, Muda Santo André e por aí vai. O projeto de arborizar São Paulo é só um hobby. Danilo é formado em Direito e trabalha como servidor público. Nos finais de semana é que tira o banco do passageiro do seu fusca 1983 e preenche com pá, britadeira, terra, adubo e outros instrumentos necessários para sua missão ambiental. "A árvore altera o microclima local. Na cidade de São Paulo há diferença de até dez graus entre regiões mais e menos arborizadas. É possível notar essa diferença comparando as temperaturas da Avenida Paulista e do Tremembé, por exemplo", conta.

Guardião da represa

O músico Marcelo Grillo vive com a esposa Renata, em Joanópolis, no interior de São Paulo. Ao longo dos últimos 30 anos, ele planta árvores nativas de Mata Atlântica nas margens da represa Jaguari-Jacareí, que faz parte do Sistema Cantareira, principal fonte de abastecimento de água de São Paulo. A presença da mata ciliar traz uma série de benefícios para o local. O principal deles é que evita o assoreamento, ou seja, dificulta que a terra corra para a represa e acabe com o reservatório de água. "As florestas funcionam como esponjas da água da chuva. Se você tem uma área descampada, principalmente em regiões como essa aqui onde existe declividade, a água bate no solo, lava a camada superficial e vai assoreando a represa. As árvores não deixam isso acontecer. As folhas abrandam e fazem a água cair com menor impacto, além de espaçar a chuva no tempo. Ainda, as raízes criam canais para que essa água chegue lentamente ao lençol freático e seja distribuída para os riachos da região. Fora os benefícios para fauna", ensina.

O Dono de uma reserva ambiental

O advogado Jayme Roso foi comprando terras na região próxima a rodovia dos Imigrantes, entre São Paulo e São Bernardo, e fez de uma área loteada, uma reserva de Mata Atlântica. No total, possui uma área de 850 mil metros quadrados, o equivalente a 750 campos de futebol, que se tornou habitat de centenas de espécies de aves, tatus, cobras, antas, gatos e cachorros do mato e até onça. Desde 1995, o Sítio Curucutu é reconhecido como RPPN (Reserva Privada do Patrimônio Natural), um certificado do governo federal no qual os donos assumem a responsabilidade de manter a preservação da natureza, de proteger os recursos hídricos, de auxiliar no manejo e de colaborar no desenvolvimento de pesquisas científicas, entre vários outros serviços ambientais.

Pichador, artista plástico e ativista ambiental

Link Museu é artista plástico, grafiteiro, pichador e também um cara que se preocupa com a preservação do meio ambiente. Ele luta para manter limpa uma nascente de rio que fica numa praça batizada por ele e os amigos de Luau dos Loucos. Seu sonho é transformar as margens do rio em um parque linear. Ele contou um pouco da sua história que começou com as expulsões na escola por rabiscar parede até ser convidado para expor em galeria, sem esquecer de cuidar do lugar onde mora. "Já tinha um monte de lugar para perdição aqui na quebrada sem levar nada a lugar nenhum. Percebemos que as margens do rio estavam ficando degradada. Ali era nosso lugar, a gente tinha que mudar."

Estadão
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