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Portos da Amazônia, Paraná e Santa Catarina são principais rotas de saída da madeira nacional

Principal destino da extração de madeira nacional é o porto de Vila do Conde, em Barcarena, município localizado no extremo norte do Pará

23 nov 2020
14h11
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BRASÍLIA - Da mesma forma que as autoridades têm conhecimento sobre os principais locais de origem da extração ilegal de madeira, também conhecem as principais rotas de saída da produção nacional.

O porto de Vila do Conde, em Barcarena, município localizado no extremo norte do Pará, é hoje o principal destino da extração de madeira nacional. Dados técnicos compilados pelo Ibama e obtidos pelo Estadão mostram que Vila do Conde realizou 62 mil transações de exportação de madeira entre 2007 e 2019.

Instalado de frente à Ilha de Marajó, na saída para o Atlântico, Vila do Conde recebe toda produção de madeira do Pará, Estado que há décadas lidera as marcas de desmatamento e de crimes na floresta.

O segundo destino das madeiras que saem das florestas nacionais está na região Sul. O Porto de Paranaguá, no Paraná, conforme apontam os dados do Ibama, realizou 58 mil transações de exportação, entre 2007 e 2019. Em terceiro lugar está o Porto de Belém, no Pará, com 36 mil operações no período, seguido pelo Porto de Chibatão, em Manaus (AM), com 24 mil transações, e Porto de Navegantes, em Santa Catarina, que fez 19 mil exportações no mesmo intervalo. Depois destes cinco portos, outros 15 destinos portuários do Brasil não somam mais do que 50 mil transações realizadas entre 2007 e 2019.

Não há números precisos sobre o volume ilegal de madeira despachada pelos portos brasileiros, mas as estimativas do setor dão conta de que até 90% do que sai do Brasil tem origem irregular. Trata-se de um mercado que movimenta cerca de R$ 600 milhões por ano.

Concentração

A concentração não está apenas na logística. O número de empresas que atuam no setor também é limitado. No período de 12 anos analisado pelos técnicos do Ibama, foi possível identificar um número total de 895 empresas responsáveis por essas exportações.

Entre essas 895 companhias, porém, apenas 50 foram responsáveis por quase metade de todas as transações históricas, o que significa que existe uma amostragem razoavelmente relevante e concentrada de empresas que possam ser inspecionadas e auditadas.

Na semana passada, em reunião da cúpula do Brics - grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul -, o presidente Jair Bolsonaro disse que revelaria a "lista de países" que atuavam como "receptadores" de madeira extraída ilegalmente. Dois dias depois, porém, recuou. Em vez de países, o presidente disse que o governo tem, na realidade, "nomes de empresas" que comprariam produtos brasileiros de forma ilegal.

Muitas destas empresas não têm acesso a informações detalhadas sobre a origem do material que estão adquirindo ou, quando possuem esses documentos, não têm como atestar a confiabilidade dessas informações que, na realidade, são prestadas por autoridades brasileiras.

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Estadão
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