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ONU: "Devemos agir mais rápido e melhor para conservar biodiversidade global"

3 dez 2016
00h04
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O diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Erik Solheim, pediu nesta sexta-feira para agir "mais rápido e melhor" para proteger a biodiversidade do planeta e a reconhecer a dívida com as comunidades indígenas em matéria de conservação.

O objetivo da Conferência das Partes do Convênio sobre Diversidade Biológica (COP13) que começou nesta sexta em Cancún, no Caribe mexicano, é "proteger a Mãe Terra e prevenir a destruição das espécies como elefantes, tigres, orangotangos, jaguares e águias".

"Temos que nos levantar e protegê-los, proteger o planeta", afirmou o norueguês em entrevista à Agência Efe no marco da reunião de alto nível na qual participam mais de 120 titulares do Meio Ambiente e das pastas agrícola, florestal, pesqueira e turística.

Solheim reconheceu que há grandes avanços na criação de áreas naturais protegidas no planeta, mas destacou a necessidade de acelerar a marcha e melhorar as ações.

"É um apelo para a economia global porque os ecossistemas e a natureza são a base de todas as atividades econômicas", afirmou.

Em nível de conservação, avaliou que um dos principais desafios está nos recifes de coral, "um dos ecossistemas mais importantes da natureza", que sentiu o impacto direto da poluição, e se reflete em fenômenos como o branqueamento.

"Temos um imenso desafio no recife de coral, talvez porque são menos visíveis e estão debaixo da água não tinha sido dada a importância que têm, mas é um ecossistema muito afetado".

"Os recifes de coral têm um grande impacto na economia e no turismo", disse, após destacar que o valor econômico destes "cada ano é igual à produção de nações como Tailândia e Nigéria".

Entre os casos bem-sucedidos, mencionou o do Brasil, que conseguiu deter o desmatamento da Amazônia em 80%.

"É um sucesso tremendo para deter a mudança climática e temos certeza que países como Colômbia, Equador e Peru farão o mesmo", afirmou Solheim.

Ele também se referiu à Costa Rica, país que aumentou a cobertura florestal em mais de 25% na década de 90 e agora supera 50%, o que lhe permitiu desenvolver ainda mais o ecoturismo.

Solheim destacou que um dos esquemas que devem ser modificados em nível global é a socialização dos custos ambientais, pois enquanto os lucros da exploração dos recursos naturais são privatizados, os custos são socializados e se estendem a várias gerações.

O titular do Pnuma destacou que o mundo está em dívida com as comunidades indígenas em matéria de conservação de espécies animais e vegetais.

"Eles protegeram plantas e animais dos quais nos beneficiamos agora; por exemplo o abacate, o tomate, o milho, todas estas plantas desenvolvidas pelos povos indígenas do México".

"Os povos indígenas mantiveram os ecossistemas, o caminho agora é proteger a vida e a situação que vivem, ao mesmo tempo ajudá-los a conseguir um desenvolvimento econômico rápido; o turismo é um dos setores que pode se beneficiar da melhor maneira a ambos", especificou.

Sob o lema "Integrando a Biodiversidade ao bem-estar", mais de uma centena de ministros analisarão até este sábado como integrar a diversidade biológica em suas atividades e alinhar suas políticas, programas e planos com as da área de meio ambiente.

Revisarão os progressos realizados na aplicação do Plano Estratégico para a Diversidade Biológica 2011-2020 e no cumprimento das metas mundiais de biodiversidade de Aichi (Japão), além de identificar ações para cumprir os objetivos em nível nacional.

Na inauguração dos trabalhos do segmento de alto nível, o secretário mexicano do Meio Ambiente, Rafael Pacchiano, disse que do encontro sairá uma declaração ministerial que guiará as negociações da Conferência das Partes, que começa no domingo e termina em 17 de dezembro.

A biodiversidade oferece soluções para enfrentar os desafios do desenvolvimento, mas "se requer vontade política e colaboração dos povos indígenas e comunidades locais", assim como da sociedade civil, setor privado e governos nacionais e locais, asseverou.

Os ministros expuseram experiências como a da Etiópia no desenvolvimento de bancos de sementes e na restauração de ecossistemas degradados, além da estratégia na Nova Zelândia para libertar o país de depredadores em 2050.

Nesta sexta-feira, o Pnuma anunciou que o biólogo mexicano José Sarukhan e a ecologista hondurenha Berta Cáceres, assassinada em março passado, obtiveram o prêmio Campeões da Terra, o prêmio ambiental mais importante das Nações Unidas.

EFE   

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