PUBLICIDADE

Metrô de SP derruba 145 árvores para obras em terreno da zona leste; vizinhos protestam

Corte da vegetação, que ocorreu no Complexo da Rapadura, vai possibilitar obras de um pátio de trens. Moradores da região se comoveram. Companhia disse ter obtido todas as licenças

22 jun 2021 20h25
ver comentários
Publicidade

Sob protesto e comoção dos moradores, o Metrô de São Paulo iniciou na tarde de segunda-feira, 21, a derrubada de 145 árvores no Complexo Rapadura, um parque de 63 mil metros quadrados às margens do Córrego Rapadura, que deságua no Rio Aricanduva, na zona leste de São Paulo. O local vai abrigar obras de um pátio subterrâneo de trens. Também por ali o "tatuzão" iniciará as escavações dos túneis da extensão da Linha-2 Verde (Vila Madalena-Vila Prudente).

A derrubada das árvores ocorreu após uma disputa judicial entre moradores do Jardim Têxtil, na região da Vila Formosa, e o Metrô. Quando as árvores caíram, pessoas que moram na vizinhança choraram. "Muitas das árvores que estão sendo derrubadas foram os moradores que plantaram há décadas, o que atraiu pássaros de diversas espécies para cá e melhorou a qualidade de vida de todo mundo", diz a professora Marta Cavalcanti, que mora em frente à Praça Mauro Broco, um dos pontos atingidos.

Na praça também há o registro, por parte do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), de um sítio arqueológico.

Em agosto de 2020, a população foi informada, por meio de uma carta deixada nas caixas de correio, de que, dali a dois dias, 355 árvores do complexo seriam suprimidas para a instalação do canteiro de obras.

Uma ação civil pública e diversas batalhas judiciais adiaram, até a segunda-feira, 21, o abate da vegetação. Os moradores argumentam que na Avenida Guilherme Giorgi, a cerca de 200 metros do local, uma área de 400 mil metros quadrados, com pouca vegetação, poderia abrigar o canteiro de obras sem prejuízo para a área verde da região. Em parte desse terreno será construída a estação Vila Isabel da Linha Verde.

Em nota, o Metrô disse ter mantido "diálogo constante com a comunidade e adotou todas medidas possíveis para minimizar os impactos da obra, inclusive reduzindo de 355 para 145 a quantidade de árvores que serão retiradas da Praça Mauro Broco". "Toda a supressão das árvores será feita até hoje (terça-feira) e a compensação será feita com o plantio de outras cinco mil novas árvores, além da revitalização do local, que será devolvido à população ao término da obra."

Os moradores se queixam de que essa compensação ambiental será feita em outra região.

O órgão disse ainda que as atividades na região "foram aprovadas por todos órgãos competentes e também pela Justiça, contando com todas as licenças necessárias". "A ampliação da Linha 2-Verde vai atender diretamente a mais de 320 mil pessoas por dia, além trazer diversas melhorias e benefícios à toda população, inclusive evitando a emissão de milhares de toneladas de CO2."

Parque existe desde 2008, com papel na contenção de alagamentos

Localizado numa região da cidade carente de áreas verdes, o parque existe desde 2008 e tem papel importante na contenção de alagamentos. A flora local conta com exemplares de aroeira-salsa, figueira-benjamim, ipê-de-el-salvador, jacarandá-mimoso, jerivá, pau-ferro, romãzeira e sibipiruna.

Segundo a Secretaria do Verde e Meio Ambiente da Prefeitura, um inventário da flora realizado em 2020 constatou "108 espécies vasculares, das quais estão ameaçadas de extinção cedro, pau-brasil e pinheiro-do-paraná". A fauna é "composta composta majoritariamente de aves, como o periquito-rico, maracanã-pequena, periquitão-maracanã, anu-branco, anu-preto, joão-de-barro, ferreirinho-relógio, guaracava-de-barriga-amarela, sabiá-laranjeira, sanhaço-do-coqueiro e cambacica".

Estadão
Publicidade
Publicidade