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PF no AM acusa Salles de obstruir inquérito de desmatamento

A Polícia Federal acusa o ministro de obstruir investigação de apreensão recorde de madeira ilegal na região amazônica

15 abr 2021
14h48 atualizado às 15h13
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14h48 atualizado às 15h13
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A Polícia Federal enviou ao Supremo Tribunal Federal um relatório em que acusa o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, de obstruir uma investigação que havia levado a uma apreensão recorde de madeira ilegal na região amazônica e de favorecer madeireiros e ainda de integrar uma organização criminosa envolvida num esquema de receptação e crimes ambientais.

O documento, uma notícia crime produzida pelo superintendente da PF no Amazonas, delegado Alexandre Saraiva, foi encaminhado ao STF para avaliar se abre uma investigação criminal contra Salles. O ministro tém foro privilegiado e só pode responder por crimes de natureza penal perante o Supremo.

Salles foi alvo de denúncia-crime no STF por atrapalhar trabalho da PF no Amazonas
Salles foi alvo de denúncia-crime no STF por atrapalhar trabalho da PF no Amazonas
Foto: EPA / Ansa

Nas 38 páginas da notícia crime, obtida pela Reuters, o ministro do Meio Ambiente aparece como fazendo uma defesa dos madeireiros, desacreditando o teor das investigações da Operação Handroanthus, realizada em dezembro passado e que obteve uma apreensão recorde de madeiras. O relatório cita que ele chega a respaldar documentos supostamente fraudados de aquisição de madeira.

Segundo o documento, "resta patente" que Salles e outro acusado "de forma consciente e voluntária, e em unidade de desígnios", dificulta "a ação fiscalizadora do Poder Público no trato de questões ambientais, assim como patrocinam, direta, interesses privados (de madeireiros) e ilegítimos perante a administração pública, valendo-se de suas qualidades de funcionários públicos". 

O relatório menciona ainda que ele integra, "na qualidade de braço forte do Estado, organização criminosa orquestrada por madeireiros alvos da Operação HANDROANTHUS - GLO com o objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza, mediante a prática de infrações penais de crimes de receptação qualificada e crimes ambientais com caráter transnacional".

Procurado, o ministro do Meio Ambiente disse que não vai se manifestar.

A área ambiental do governo Jair Bolsonaro --no qual o país tem tido recordes de desmatamento-- tem sido alvo de críticas internacionais.

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