0

Fumaça das queimadas no Pantanal contamina chuva em SC

Fumaça viajou mais de mil quilômetros; fenômeno foi registrado em municípios do Oeste, Meio Oeste e Planalto Norte do Estado

18 set 2020
16h47
atualizado às 16h55
  • separator
  • 0
  • comentários
  • separator

FLORIANÓPOLIS - A fumaça das queimadas no Pantanal chegou em Santa Catarina através de uma chuva escura. O fenômeno foi registrado em municípios do Oeste, Meio Oeste e Planalto Norte do Estado. A fumaça viajou mais de mil quilômetros, transportada por ventos noroestes de baixos níveis, e acabou contaminando a água da chuva.

Fumaça e chamas de queimada no Pantanal, em Poconé, no Mato Grosso
03/09/2020
REUTERS/Amanda Perobelli
Fumaça e chamas de queimada no Pantanal, em Poconé, no Mato Grosso 03/09/2020 REUTERS/Amanda Perobelli
Foto: Reuters

O fenômeno é acompanhado pelo setor de hidrologia da Defesa Civil de Santa Catarina e pelos meteorologistas da Epagri/Ciram. A fumaça foi identificada através de imagens de satélites, no qual foi possível identificar a origem nas queimadas de vegetações, e chegou a ser visualizada na Grande Florianópolis. A chuva foi identificada pelos satélites no início da semana e a ocorrência da precipitação foi registrada na quinta-feira, 17.

O coordenador de monitoramento e alerta da Defesa Civil catarinense, Frederico de Moraes Ruthorff, informou que "a água da chuva contaminada pode conter compostos tóxicos, portanto alguns cuidados devem ser tomados se for realizar a captação em cisternas para consumo humano ou animal".

Segundo o meteorologista da Epagri, Marcelo Martins, o deslocamento de fumaça por longas distâncias é algo comum, no entanto, quanto maior o volume de fumaça na origem, mais distante ela pode chegar. "O vento nordeste traz o ar úmido da região amazônica e do Pantanal, assim como os ventos do quadrante sul também levam o ar seco e frio para aquela região. Isso não é incomum, mas quanto mais fumaça, e dependendo dos ventos, mais longe ela chega", explicou.

Nas comunidades agrícolas do interior catarinense é comum a captação e armazenamento de água da chuva em cisternas. Segundo a Defesa Civil, nessas regiões, além da qualidade da água, é necessário analisar também qualidade do ar, para identificar a possibilidade de chuva contaminada.

O fenômeno, no entanto, está com os dias contados, pelo menos por enquanto. Segundo a meteorologia, a partir deste fim de semana, uma frente fria chega a Santa Catarina, com ventos do quadrante sul, empurrando a fumaça no sentido contrário.

 

Veja também:

As mortes sem holofotes de quem luta pelo meio ambiente no Brasil e no mundo
Estadão
  • separator
  • 0
  • comentários
publicidade