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Mais de 100 toneladas de óleo já foram recolhidas no Nordeste, diz Salles

Ministro do Meio Ambiente está em Sergipe, que decretou situação de emergência por causa do óleo nas praias. Ricardo Salles divulgou a informação no Twitter

7 out 2019
17h41
atualizado às 19h44
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ARACAJU E BRASÍLIA - O ministro Ricardo Salles afirmou nesta segunda-feira, 7, que mais de 100 toneladas de borra de petróleo já foram recolhidas nas praias do Nordeste - a maior parte (cerca de 58 toneladas) no Sergipe. Manchas de óleo, ainda de origem desconhecida, já foram identificadas em pelo menos 133 pontos do litoral desde o começo de setembro, em 68 cidades dos nove Estados do Nordeste. O presidente Jair Bolsonaro disse também nesta segunda que o governo federal tem no radar da investigação um país que pode ser o dono do poluente, mas não revelou o suspeito.

"Em um vazamento como esse, o que seria natural é que o comandante do navio informasse, porque acidentes acontecem", disse Bolsonaro. Análises já mostraram, segundo ele, que óleo desse tipo não é produzido no Brasil. Bolsonaro se reuniu nesta tarde com os ministros da Defesa, Fernando Azevedo, e do Itamaraty, Ernesto Araújo, para tratar do assunto. "Temos no radar um país que pode ser o da origem do petróleo e continuamos trabalhando da melhor maneira possível, não só para dar uma satisfação à sociedade, bem como colaborar na questão ambiental", afirmou.

Segundo uma fonte disse ao Estado, o tipo de viscosidade do material que chegou ao litoral aponta para um produto similar a uma "borra" do refino, uma matéria mais densa e composta, em boa parte, de graxa, entre outros elementos. O presidente informou ainda que as manchas de óleo migram para o norte e para o sul da região da Paraíba. "Aproximadamente 140 navios fizeram esse trajeto por aquela região. Pode ser algo criminoso, um vazamento acidental, pode ser um navio que naufragou também", disse.

No final de semana, o governo de Sergipe decretou situação de emergência por causa do aumento de danos ambientais causados pelo óleo. O último Estado a registrar a chegada da mancha foi a Bahia. Ainda de acordo com Bolsonaro, há impacto turístico na região - as manchas foram avistadas em destinos bastante procurados, como João Pessoa, a Praia do Futuro (Fortaleza), a Praia de Ponta Negra (Natal) e Maragogi (Alagoas). Mas, segundo o governo, já têm ocorrido ações para a remoção do óleo.

Conforme o texto publicado pelo ministro no Twitter, as mais de 100 toneladas foram recolhidas desde o dia 02 do mês passado. A coleta, ainda de acordo com Salles, foi feita por equipes do Ibama, ICMBio, municípios e Marinha. Em Sergipe, Estado visitado nesta segunda por Salles, as primeiras manchas de petróleo apareceram no dia 24 de setembro, segundo o governo local.

Alertado pelo governador do Sergipe, Belivaldo Chagas (PSD) sobre a possibilidade do óleo chegar ao Rio São Francisco, responsável por 60% do abastecimento de água para o Estado, Salles ressaltou que é preciso fazer a contenção das borras de óleo o quanto antes para evitar a contaminação.

O ministro disse que, até esta segunda, equipes do Ibama já fizeram 65 horas de voo em helicóptero para avistar manchas, enquanto que no avião dotado de radar e outros equipamentos sofisticados já foram mais 108 voos. "A aeronave vem fazendo varredura de todo o litoral, do Maranhão a Sergipe. Parte do óleo mais pesado vem por baixo do nível do mar e está tocando a costa, depois a própria maré a leva de volta para o mar. Por isso, é importante haver rapidez na retirada destas manchas de óleo."

Doze animais foram atingidos pela substância, sendo onze deles tartarugas marinhas, e oito deles morreram. Em nota, o Ibama informou ter requisitado apoio à Petrobras para atuar na limpeza das praias. Por ser substância tóxica, a recomendação do Ibama e das Superintendências Estaduais de Meio Ambiente é de que as pessoas evitem o banho de mar, a prática de esportes náuticos e também a pesca, bem como evitar o consumo de frutos do mar desses locais. Ainda não há um levantamento mais amplo sobre o nível de contaminação dos frutos do mar pelo poluente.

Estadão
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