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Incêndios na Amazônia ameaçam espécies como o gato-maracajá e o peixe-boi

Espécies ameaçadas enfrentam 'desequilíbrio ambiental, caça e pesca predatórias, poluição do solo, além de perda ou fragmentação de seus hábitats', diz especialista

24 ago 2019
07h53
atualizado às 15h02
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A propagação de fortes incêndios que se estendem pela Amazônia podem acelerar a destruição de espécies da fauna e da flora já ameaçadas, como o gato-maracajá e o peixe-boi, mamífero aquático de grande porte.

"Dependendo do grau do incêndio, pode haver uma extinção local de algumas espécies, porque as que conseguem sobreviver não voltarão ali e buscarão outros hábitats", afirma o biólogo e veterinário Rubens Pascual.

Para o especialista, outro problema é que não existem nas zonas dos incêndios amazônicos centros de atenção especializados em veterinária de emergência que, segundo ele, "poderiam salvar muitos dos animais que estão feridos e morrem por falta de atenção". De acordo com o pesquisador, "estamos falando de regiões remotas até para ajudar aos seres humanos".

Pascual lembrou que mamíferos, peixes, répteis e anfíbios que habitam a Amazônia já estavam ameaçados pelos estragos do homem com o desmatamento, caça ilegal e mineração.

A professora universitária e bióloga Juliana Diana mostrou em um estudo recente que as espécies ameaçadas enfrentam "desequilíbrio ambiental, caça e pesca predatórias, poluição do solo, além de perda ou fragmentação de seus hábitats".

A Floresta Amazônica, diz ela, "tem uma função ambiental muito importante e o número de animais que compõem a lista de espécies em perigo de extinção vem aumentando a cada ano, o que tem criado grande impacto para a fauna brasileira".

Juliana elaborou uma lista dos animais mais propensos à extinção. O felino conhecido como gato-maracajá encabeça a lista, e seu nome também aparece no Livro Vermelho da Fauna Brasileira do Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade (ICMBio), ligado ao Ministério do Meio Ambiente.

O peixe-boi, que cumpre a função de agente controlador natural da vegetação, e a lontra gigante são outras espécies afetadas pelos incêndios. Entre as aves, se destacam por sua vulnerabilidade a arara amarela e o gavião real.

Outros felinos, como a onça pintada, também correm o mesmo perigo. Os primatas tampouco escapam da ameaça de extinção acelerada pelo fogo, como o macaco-aranha e o sauim-de-coleira. O tamanduá, o pássaro jacú e os botos cinza e rosa também podem sentir as consequências das chamas.

A flora, aponta Juliana, é diretamente afetada pelas queimadas em uma região com cerca de 20 mil espécies vegetais nativas. O pau-rosa, por exemplo, está na Lista Oficial de Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção do Ministério do Meio Ambiente e está em quase todas as regiões onde há focos de incêndio.

Outras plantas na zonas de incidência do fogo são o mogno, o cravo-do-Maranhão, a castanheira, a flor de Carajás, entre outros. Segundo a especialista, a expansão de alguns centros urbanos e a construção de hidrelétricas na Amazônia já vêm contribuindo, nos últimos anos, para a destruição da fauna e da flora local. /AGÊNCIA EFE

Estadão
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