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ICMBio programa retorno de trabalhadores e medida contra a 'pandemia de gripe'

Em todo o País, o órgão tem aproximadamente 1.700 funcionários

30 jun 2020
22h39
atualizado às 23h17
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BRASÍLIA - A tentativa do governo de classificar a pandemia do novo coronavírus como um tipo de "gripe" continua em vigor, apesar de, cientificamente, esse tipo de afirmação ser um erro básico. Dessa vez, a afirmação é do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio), órgão do Ministério do Meio Ambiente responsável por cuidar das unidades de conservação do País.

Em um documento enviado aos servidores do órgão, intitulado de "plano de retorno ao trabalho presencial pós-quarentena", o ICMBio, que teve seu próprio presidente contaminado pela covid-19, Homero de Giorge Cerqueira, em abril, lista medidas e cuidados para evitar a "pandemia de gripe".

"O Coronavírus, causador da atual pandemia de gripe, atingiu o Brasil em fevereiro de 2020, segundo informações amplamente divulgadas", afirma o órgão, logo na primeira linha do texto, para depois apresentar campanhas sobe distanciamento social no trabalho e higienização aos cerca de 370 servidores que atuam em sua sede, em Brasília. Em todo o País, o órgão tem aproximadamente 1.700 funcionários.

Médico do Instituto de Infectologia Emílio Ribas e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia, o doutor Leonardo Weissmann, deixa claro que a afirmação é um erro. "Gripe é causada pelo vírus influenza. Covid-19 não é gripe", comentou. "Não podemos dizer que o SARS-CoV-2, responsável pela Covid-19, seja causador de uma gripe. Ele pode causar sintomas respiratórios, mas hoje sabemos que a doença pode ter manifestações cerebrais, cardíacas, renais, hematológicas", explicou o especialista.

Em março, o presidente Jair Bolsonaro afirmou a covid-19, doença que nesta quarta-feira, 01, ultrapassará a marca de 60 mil mortos no Brasil, era uma "gripezinha" e que ela não iria derrubá-lo. A doença também foi chamada de "fantasia" e "histeria" pelo presidente.

Nesta segunda-feira, 29, no mesmo dia em que o Distrito Federal decretou estado de calamidade pública pela pandemia da covid-19, o governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), disse, em entrevista ao Estadão, que "restrições" já não servem para nada no combate à pandeia e que a covid-19 "vai ser tratada como uma gripe, como isso deveria ter sido tratado desde o início".

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