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Fiocruz passa a monitorar impacto das manchas de óleo no litoral nordestino

Fundação vai rastrear o risco para pescadores que vem tendo contato direto com o óleo; uma das maiores preocupações é com benzeno, que pode provocar danos ao sistema de defesa do organismo

31 out 2019
20h59
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BRASÍLIA - A Fundação Oswaldo Cruz passará a monitorar a partir da próxima semana o impacto das manchas de óleo no litoral do Nordeste na saúde da população. Um dos pontos considerados prioritários pela equipe, que foi destacada nos últimos dias pelo Ministério da Saúde para apoiar o Centro de Operações de Emergência, é rastrear o risco para pescadores e marisqueiras que, além de um contato direto com material contaminado, têm no pescado sua principal fonte de alimentação. "Temos de ter um cuidado redobrado com esse grupo", afirmou o pesquisador da Fiocruz, Guilherme Franco Neto.

A estimativa é de que cerca de 164 mil pescadores e pescadoras atuem no litoral do Nordeste. Pesquisadores avaliam que um porcentual significativo poderá estar afetado ou exposto ao petróleo. Franco Neto observa não haver ainda mecanismos para estimar o período em que essa população ficará exposta a fatores de risco.

Uma das maiores preocupações é o benzeno, componente do petróleo com uma conhecida capacidade de provocar danos ao sistema de defesa do organismo. Pessoas expostas a níveis expressivos do componente têm maior risco, por exemplo, para leucemias.

Uma das estratégias já avaliadas é rastrear níveis de benzeno no organismo destes trabalhadores, por meio de exames. Outra frente de ação, disse Franco Neto, é acompanhar de perto gestantes que vivam e trabalhem na região costeira e identificar eventuais danos aos fetos.

As primeiras manchas de óleo surgiram no litoral em 30 de agosto e, desde então, mais de 90 municípios foram afetados. "Há ainda muitas incertezas", afirmo o pesquisador. A partir da próxima terça, 5, uma sala de situação entrará em funcionamento na Fiocruz do Rio. Ela contará com a participação de pesquisadores e diretores dos institutos das unidades da fundação instaladas no Nordeste.

Em nota, a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, observou haver ainda outros grupos expostos a diferentes níveis de contaminação: militares, integrantes da defesa civil e voluntários. O contato ocorre tanto pela inalação quanto pelo contato da pele e pela ingestão de alimentos.

A previsão é de que a Fiocruz dê ainda apoio também na assistência diante dos riscos e suporte científico para os Estados atingidos.

Estadão
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