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Despoluição dos rios precisa de engajamento da população

Participantes do seminário 'A Despoluição dos Rios' falaram sobre os principais desafios para recuperação do Rio Pinheiros

10 out 2019
05h32
atualizado às 06h17
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SÃO PAULO - Engajar a população no projeto Novo Rio Pinheiros, após uma série de fracassos de gestões anteriores, é um dos principais desafios do governo do Estado para cumprir a meta de despolui-lo até 2022. Além de investir em campanhas de educação sanitária, especialistas sugerem abertura de dados sobre o projeto para tentar atrair contribuições e a confiança da população.

O assunto é tema do segundo dia do seminário A Despoluição dos Rios, parceria entre a Fiesp e o Estado, realizado nesta quarta-feira, 9. Embora façam elogios a aspectos do projeto de despoluição, lançado pela gestão João Doria (PSDB), participantes também mantém desconfiança em relação ao cumprimento do prazo - visto por parte deles como "irrealista".

Para Marcelo Reis, do movimento Volta Pinheiros, o histórico de fracassos em São Paulo dificulta a participação social. "A gente precisa de um projeto sério para que a cidade abrace", disse. "As pessoas não vão se envolver com o projeto do nada, não vão postar foto em rede social, porque não dá like, então não gera engajamento e nem cobrança ao governo."

Reis afirma ser favorável às soluções propostas por Doria. Entretanto, ele cobra maior transparência do planejamento e acesso ao cronograma do projeto e questiona o prazo estabelecido. "O site disponível deveria ter dados abertos, deveria ter sinalizações de fases da execução em verde, amarelo e vermelho, por exemplo. Do jeito que está, você se pergunta: 'cadê o projeto?'", disse.

"Gastou-se mais de U$ 3 bilhões ao longo dos últimos 21 anos para tratar o rio e ele não está limpo", disse Paulo Skaf, presidente da Fiesp. "Primeiro tem de parar de sujar, senão é dinheiro jogado fora."

Integrante do Conselho Superior de Meio Ambiente da Fiesp, José Eduardo Cavalcanti cobrou participação das cidades de São Paulo, Taboão da Serra e Embu das Artes, que seriam responsáveis pela limpeza da margem dos córregos, galerias pluviais e fiscalização de imóveis não-conectados à rede de esgoto. Também caberia às prefeituras o plano de comunicação do projeto.

Para Cavalcanti, as obras de saneamento têm pouco tempo hábil para ficarem prontas. Outro problema, segundo ele, é que a tecnologia das mini-estações de tratamento (uma das apostas do projeto) ainda não está definida e só deve ser proposta pelas empresas interessadas. Ele sugere maior uso da Estação de Tratamenro de Barueri, que hoje tem ociosidade de 5.5 m3/s.

"Alguns córregos tem regime turbulento e precisam de estação de tratamento de porte", afirmou. "Até 2022, se tudo for feito de acordo, teremos no máximo um Rio Pinheiros melhorzinho, o que já é grande coisa."

O secretário municipal de Justiça, Rubens Rizek, da gestão Bruno Covas (PSDB), elogiou a iniciativa de Doria e disse que a maior parte das críticas que o governador recebe é pelo volume de dinheiro investido no projeto - só da Sabesp, há previsão de R$ 1.5 bilhão. "Quando ele (Doria) fala que está sendo corajoso, está mesmo."

Para Rizek, o Pinheiros tem quatro desafios: esgoto, poluição difusa (lixo), formação de lodo e a baixa vazão _ que faz com que o rio tenha característica de 'lago'. "A gente tem um sonho de o rio ser navegável, de ser modal de transporte", disse. "Não dá para dizer que não está melhorando. Podia ser mais rápido? Podia. Mas está melhorando de forma contínua e persistente."

Governo afirma investir em tratamento de esgoto e desassoreamento

Em nota, a Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente informou que o Programa Novo Rio Pinheiros está em andamento e as ações podem ser acompanhadas no site novoriopinheiros.sp.gov.br. "Os 14 editais para obras de saneamento são públicos e estão disponíveis para consulta. O objetivo é encaminhar à Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Barueri 2.800 litros por segundo e universalizar a bacia. Por meio de investimentos do Projeto Tietê, a ETE ampliou em 2017 a capacidade de tratamento para 12 mil litros por segundo. Em 2018 houve um salto para 16 mil litros por segundo", acrescenta o texto.

"Paralelamente ocorrem as ações de desassoreamento que deverão retirar 500 mil m³ de resíduos do Rio Pinheiros", ainda conforme a pasta. O Rio Pinheiros é um afluente do Rio Tietê. Desde 1992, os investimentos da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo no Projeto Tietê ampliaram a coleta de esgoto da Região Metropolitana de 70% para 89%, e o tratamento saltou de 24% para 78%, também segundo o governo.

Estadão
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