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Dados sobre temperatura não são políticos, diz chefe da ONU

Finlandês lamentou desistência do Brasil em sediar a COP e destacou que atuação do órgão se baseia em dados científicos, não por ideologia

29 nov 2018
18h44
atualizado às 18h56
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O finlandês Petteri Taalas, secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial, se recusa a falar de política. Seu trabalho, segundo ele, é o de compilar dados e identificar tendências. Mas ele insiste: o que as informações recolhidas pelos cientistas nos últimos anos mostram é que não se trata de uma versão dos fatos, nem de ideologia e nem de política ao falar do aquecimento do planeta. "Buscamos a verdade científica", disse ao Estado.

Petteri Taalas
Petteri Taalas
Foto: Denis Balibouse / Reuters

Eis os principais trechos da entrevista concedida por Taalas à reportagem, depois de ele apresentar os novos dados sobre o aquecimento do planeta:

O futuro chanceler brasileiro, Ernesto Araujo, criticou em um recente texto o "alarmismo climático". Isso que o sr. produz com os números sobre o aquecimento global cai nessa categoria de alarmismo?

Não somos atores políticos. Apenas medimos o que está ocorrendo na atmosfera quando tratamos de parâmetros como temperatura, chuva e etc. Também medimos a composição química da atmosfera, como gases de efeito estufa. São apenas fatos. Temos padrões elevados que são estabelecidos pela OMM e seus membros e esses são números muito sólidos que estamos vendo. Não se pode questioná-los. Temos também cálculos para o futuro. São baseados nas leis da química e da física e o que sabemos sobre como o sistema funciona. Eles, portanto, não são declarações políticas. Mas baseado em conhecimento científico e cálculos. Não estamos dando uma opinião política. Apenas estamos mostrando o que foi medido e calculado.

O que sabemos hoje sobre as mudanças climáticas tem um componente político ou ideológico?

A ciência sempre avança e sempre estamos apresentando os resultados. Estamos buscando a verdade científica. Não somos atores políticos.

O Brasil retirou sua oferta para sediar a COP25 em 2019. Mas a medida poderia ser o primeiro passo de uma eventual saída do Acordo de Paris. Qual seria o impacto de o Brasil não cumprir seus compromissos do tratado para o restante do mundo, considerando a presença da Amazônia?

88% do aumento do CO2 na atmosfera vem do uso de energia fossil. 12% do aumento está relacionado com desmatamento. Portanto, as florestas tropicais são importantes no sistema. Também são locais de estoque do CO2. No Brasil, existem florestas de dimensões importantes, assim como em outros países da América Latina e na Ásia e África. Como parte do desafio de mitigação do clima, temos de ter certeza de que esse CO2 continue estocado nesses ecossistemas. Não vou dar conselhos a governos individuais. Minha declaração é científica e cabe aos países tomarem suas decisões.

O sr. ficou decepcionado com a decisão do Brasil de não sediar a COP25?

Claro, esse processo está de todas as formas em andamento. Teria sido ótimo ter a reunião no Brasil. Mas tenho certeza de que vamos encontrar um novo local para sediar a COP.

Estadão

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