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Ameaçado de extinção, bicudinho-do-brejo-paulista ganha reserva

Guararema criou 1ª unidade de conservação dedicada a um pássaro no Estado; área equivale a 2,5 mil campos de futebol

30 out 2019
11h11
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SOROCABA - Um pequeno pássaro que só habita duas regiões do Estado de São Paulo e está criticamente ameaçado de extinção acaba de ganhar uma área protegida equivalente a 2,5 mil campos de futebol para tentar sobreviver à poluição e à caça predatória. A prefeitura de Guararema, região metropolitana de São Paulo, criou o Refúgio de Vida Silvestre Bicudinho-do-Brejo-Paulista, primeira unidade de conservação de proteção total dedicada a uma ave no Estado.

O pássaro, criticamente ameaçado na natureza, segundo lista do Ministério do Meio Ambiente, só foi encontrado nas regiões de Guararema e de São José dos Campos, no Vale do Paraíba.

A criação da unidade, com 2.372 hectares, resulta de esforços da prefeitura e da Sociedade para Conservação de Aves do Brasil (Save Brasil), em parceria com organizações da sociedade civil, como o Instituto Suinã e a Guaranature.

Pássaro de apenas 15 cm, com bico alongado, o bicudinho-do-brejo-paulista foi descoberto em 2004, mas só entrou para a lista oficial de espécies brasileiras em 2015.

A pequena ave foi avistada próxima ao maior centro metropolitano da América do Sul - a capital paulista -, com registros confirmados em Mogi das Cruzes, Biritiba-Mirim, Salesópolis, Guararema, São José dos Campos e, mais recentemente, Santa Branca.

Assim que foi reconhecido como nova espécie, o bicudinho já entrou para a lista de aves em alto risco de extinção. O problema é que o pássaro habita áreas muito vulneráveis, de brejos naturais que estão desaparecendo ou sendo poluídos.

Conforme Pedro Develey, diretor executivo da Save Brasil, a criação do refúgio de vida silvestre representa uma garantia de conservação em longo prazo do passarinho.

"O comprometimento da prefeitura de Guararema e os parceiros locais foi crucial para esse resultado e é um bom exemplo para ilustrar como diferentes setores da sociedade podem trabalhar juntos para promover a conservação da biodiversidade", disse.

A expectativa, segundo ele, é de que a área atraia o interesse de ornitólogos internacionais, devido à raridade do pássaro. Entre 2017 e 2018, com apoio da American Bird Conservancy e da Fundação Boticário, a Save Brasil realizou um levantamento sobre as ocorrências e um censo das populações do bicudinho-do-brejo-paulista.

A pesquisa, que envolveu também outras espécies da avifauna na região, forneceu insumos para a definição da área a ser protegida.

Conforme Ricardo Moscatelli, da Secretaria de Meio Ambiente e Planejamento Urbano de Guararema, a reserva abrange os limites da área com ocorrências do bicudinho e vai proteger também o sagui-da-serra-escuro, pequeno primata presente nesse perímetro e igualmente ameaçado de extinção.

"Serão protegidos também todos os elementos naturais da Bacia do Ribeirão do Putim, que está dentro do refúgio e é um tributário significativo do Rio Paraíba do Sul, um dos rios mais importantes do País", disse.

As pesquisas da Save Brasil indicaram a existência de 253 espécies de aves em Guararema e região, várias delas também ameaçadas, como a água-cinzenta e o pixoxó, que é uma das maiores vítimas do comércio ilegal de animais silvestres.

Em parceria com a prefeitura e as organizações civis, a Save Brasil desenvolve projeto para engajar a população nos esforços de preservação do bicudinho e das outras espécies. A criação da unidade teve o apoio da Fundação Florestal do Estado de São Paulo.

Estadão
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