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'Amazônia não é minha causa, é minha casa'

Odenilze Ramos, de 22 anos, é uma das que foram às ruas na marcha global pelo clima no Distrito Federal; desde os 14 anos, a amazonense atua em defesa do meio ambiente

21 set 2019
07h11
atualizado em 29/9/2019 às 13h47
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SÃO PAULO - "A Amazônia não é minha causa, é minha casa. Não posso deixar de defendê-la." É desta forma que a jovem ativista Odenilze Ramos, de 22 anos, líder do movimento Somos Filhos da Floresta, criado em 2018, reúne forças para lutar contra os desmatamentos ocorridos com frequência na região.

Desde os 14 anos, ela atua em defesa do meio ambiente e da população ribeirinha do Amazonas, que vive nas beiras de rios e sofre ainda com a poluição. "O primeiro projeto que participei foi o 'Repórter da Floresta, da Fundação Amazonas Sustentável, que é voltado para tornar jovens líderes. Dentro dele, tínhamos muita liberdade para atuar e optei pelo caminho do meio ambiente", disse ela.

"A ideia do movimento surgiu durante o Intercâmbio de Saberes, organizado pela Fundação Amazonas Sustentável em parceria com a Secretaria de Educação do Estado do Amazonas, que contou com a participação de 60 jovens", explicou a jovem.

Atualmente Odenilze mora em Manaus, onde estuda Gestão Pública no Senac, mas sua família é da comunidade ribeirinha do Carão, que fica a 70 km de Manaus. "Carão fica dentro de uma reserva de desenvolvimento sustentável. Minha família mora em uma região do Amazonas que ainda é bastante preservada. E precisávamos fazer um movimento para evitar a derrubada da floresta em outras regiões. Dar voz à população ribeirinha", disse.

Sobre as queimadas, ela diz que sempre existiu, mas o crescimento neste ano foi realmente absurdo. "O calor está cada vez pior. Quando é para chover não chove e vice-versa. Isso interfere nas comunidades ribeirinhas, que dependem da pesca. É preciso mobilizar as pessoas, especialmente os mais jovens, para que mudem seus hábitos. Precisamos agir para reverter a crise ecológica que estamos vivendo", ressaltou.

Em Manaus, ocorreu às 17h30 desta sexta-feira, 20, uma aula pública intitulada "Amazônia e Mudanças Climáticas", ação que fez parte da marcha global. Odenilze não participarou porque esteve em Brasília, acompanhando a marcha que seguiu até o Congresso Nacional e se preparando para viajar para os Estados Unidos neste domingo, 22.

Desde março deste ano, ela também participa da Rede Global Shapers, iniciativa do Fórum Econômico Mundial, que reúne jovens entre 20 e 30 anos. Neste ano, o encontro ocorreu em Manaus e Tumbira, comunidade ribeirinha.

"Nos dias 24 e 25, eu e mais dois colegas, vamos apresentar na Organização das Nações Unidas (ONU) o documentário Cipó de Jabuti, que conta a realidade da vida ribeirinha no Amazonas. Para minha surpresa, fomos selecionados. O objetivo é mostrar as alternativas sustentáveis utilizadas para manter a floresta em pé", afirmou ela.

Estadão
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