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SpaceX está contratando um engenheiro médico espacial

A SpaceX botou um anúncio procurando um médico espacial com background em enegenharia para projetar o sistema médico do futuro. Excitante, né?

7 jun 2021 17h08
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Nos primórdios da exploração espacial era incerto sequer se astronautas conseguiriam sobreviver ao ambiente de microgravidade. A experiência com aviões de alta performance não foi suficiente, e com isso os médicos aeronáuticos digivoluiram para médicos aeroespaciais e em sua forma final, o médicos espacial.

Um dia, um dia...
Um dia, um dia...
Foto: Star Trek / Meio Bit

As incógnitas eram muitas. Alguns achavam que os astronautas não seriam capazes de respirar, com o fluído nos pulmões flutuando e causando edemas. Outras questões eram psicológicas. Como no espaço você está literalmente caindo, houve quem imaginasse que os astronautas entrariam e pânico e se tornariam insanos com a sensação contínua de queda.

Tudo isso e muito mais teve que ser estudado em vôos parabólicos com o Cometa Vômito, e toda uma tecnologia teve que ser criada para monitorar os astronautas, nem sempre em prol do conforto deles.

A parte médica é onde há menos glamour em toda a exploração espacial, que o diga Alan Shepard. Em 5 de Maio de 1961, no vôo da Mercury 1 ele passou por problemas sérios, a começar pelos equipamentos.

Shepard estava equipado com medidores de respiração, eletrodos para eletrocardiograma e um com toda, total e completa certeza incômodo termômetro retal. Isso mesmo, o primeiro americano a ir ao espaço viajou com um termômetro atuchado no fiofó.

Tente imaginar ao invés do Ham, o Alan Shepard e seu termômetro.
Tente imaginar ao invés do Ham, o Alan Shepard e seu termômetro.
Foto: NASA / Meio Bit

Depois de cinco lançamentos trocaram de orifício e passaram a usar a orelha, imagino e espero eu que não tenham usado o mesmo termômetro.

Para piorar, 20 minutos antes do lançamento Alan Shepard sentiu uma incontrolável vontade de fazer o número 1. Seu traje espacial era um traje de grande altitude modificado, ainda sem a sofisticação de usar fraldas, então a solução era sair rapidinho e procurar um banheiro.

Nota: Depois disso a NASA instalou um banheiro na torre de lançamento, conhecido como "o último banheiro da Terra".

Melhor agora do que no meio do caminho
Melhor agora do que no meio do caminho
Foto: Reddit / Meio Bit

Werner Von Braun foi categórico: NÃO. O atraso seria considerável, levando em conta o tempo pra desconectar e desprender Shepard do assento, achar banheiro, correr de volta. Shepard então pediu permissão pra fazer ali mesmo, no traje. "NÃO", respondeu Von Braun, aparentemente desconhecendo o básico da fisiologia humana.

A preocupação era que os vários sensores dentro do traje se molhassem e entrassem em curto. Isso é especialmente preocupante se pensarmos no termômetro retal.

Sem nem conseguir trançar as pernas, Shepard deu uma última sugestão: A NASA desligaria os sensores, ele faria o que tinha que fazer, e depois religariam. Toparam, Shepard se aliviou imensamente, até perceber que como estava deitado, a gravidade fez o líquido escorrer e se acumular em suas costas.

Isso mesmo, o primeiro americano foi ao espaço com as costas molhadas e quentinhas, que nem aquela parte bem rasa da piscina do clube, onde a gente lava o pé e também é urina pura.

A SpaceX está nessa fase, provavelmente sem o termômetro retal, mas focados em criar sistemas de monitoramento, que com toda certeza será wireless, vide a experiência com os chips Neuralink.

O projeto como um todo, parece bem futurista, a cara da SpaceX, conforme o anúncio colocado no Linkein uns dias atrás. Eles estão procurando um engenheiro médico espacial, com responsabilidades bem amplas.

A NASA chama seus médicos espaciais de "Cirurgiões de vôo"
A NASA chama seus médicos espaciais de "Cirurgiões de vôo"
Foto: NASA / Meio Bit

Ele agirá como interface entre a SpaceX e clientes com demandas na área médica, definindo a viabilidade de experimentos e vôos.

Pesquisará junto com outras equipes efeitos de viagens espaciais de longa duração, coordenando coleta de dados e mitigando os eventuais problemas de saúde surgidos disso.

Projetará e coordenará a integração das áreas técnica, operacional e de programação, para o setor de medicinal espacial nos futuros lançamentos.

Será o "homem -digo, pessoa- no console" durante operações de vôo.

O profissional que eles querem precisa, como requisitos básicos, de experiência acadêmica ou real em medicina espacial, um mestrado em engenharia, ser doutor em Medicina com pelo menos 2 anos de experiência em hospital.

A parte mais excitante do anúncio é que entre as responsabilidades do engenheiro médico, está:

"Trabalhar com as várias equipes para projetar, integrar e implementar um sistema médico do futuro".

Isso faz sentido. Eu sei que todo mundo imagina as naves do futuro singrando o espaço com um médico de bordo, mas isso é irreal. Médicos em navios, civis ou militares tratam de emergências, sua principal função é estabilizar o paciente até que ele possa ser transferido para terra. Um médico espacial teria a mesma limitação.

Não é nem culpa deles. Medicina é uma área imensa, com mais de 135 especialidades e subespecialidades, um cardiologista nunca saberá o que um dermatologista sabe, e o melhor urologista do mundo não pode ajudar se o sujeito precisar de um otorrino, a não ser que seja pra remover um termômetro preso na orelha.

Em Marte, ou no meio de uma viagem de seis os passageiros dependerão dos médicos a bordo, e só. É longe demais para telepresença, um robô cirurgião comum tipo o DaVinci teria lag demais, e todo mundo sabe, muito lag, a gente morre.

Quando estiverem mandando 100 pessoas de cada vez em uma Starship, é irreal mandar um monte de médicos junto. Aqui na Terra o país com mais médicos por habitante é Cuba, com 8.4 para cada mil habitantes, seguido de Mônaco, com 7.5. Suécia, onde não se vê longas filas no SUS, tem 4 pra mil.

Mandar cinco médicos por viagem geraria uma população ociosa de médicos muito rapidamente. E não ajudaria se você tivesse um treco não coberto por aqueles cinco.

A solução é desenvolver sistemas especialistas, tanto de diagnóstico quanto de intervenção. Não duvido que a SpaceX esteja pensando em algo como o pod médico em Prometheus:

Um engenheiro médico espacial é a pessoa ideal para entender as necessidades E limitações desse tipo de tecnologia. Sistemas especialistas já estão sendo usados, versões mais avançadas estão sendo testadas e são excelentes em termos de diagnóstico. O truque é integrar todo mundo e criar um "médico" virtual capaz de interagir, escutar sintomas, examinar o paciente e chegar a um diagnóstico. Talvez até resolvam dar uma personalidade pra esse médico virtual, mas como IA não é nada boa com sutilezas, talvez ele não seja o médico mais atencioso do mundo.

Claro, se a SpaceX quiser logo chutar o pau da barraca, criará logo um Holograma Médico Espacial de Emergência.

SpaceX está contratando um engenheiro médico espacial

Meio Bit
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