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Pequenos e ferozes, peixes beta travam batalhas épicas na Tailândia

25 jun 2017
06h48
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"Não vou perder. Nunca perco", afirma o tailandês Wit quase sem tirar os olhos dos aquários verticais nos quais pequenos peixes beta ("Betta splendens") brigam ferozmente em uma aldeia ao sudoeste de Bangcoc.

"Os participantes trazem seus próprios peixes. Hoje trouxe seis", conta à Agência Efe o tailandês, sentado diante de vários potes de vidro onde peixinhos lutam violentamente em uma aldeia na província de Samut Sakhon.

Wit, que há 30 anos participa de brigas de peixes, não se complica ao dar nome a seus ferozes mascotes, aos quais chama de 72, 35, 66, 50, Kid 1 e Kid 2, em referência à ordem em que os guarda.

Em um clima divertido e em um ambiente clandestino, mais de 20 homens se posicionam em torno de aquários de vidro colocados em duas fileiras com algumas notas de pouco valor nas mãos para fazer apostas.

Os beta, também conhecidos como peixe de briga siamês ou "pla kad" ("peixe mordedor", em tailandês), medem apenas até 6,5 centímetros, pesam 270 gramas e são agressivamente territoriais.

Lung Chat, o árbitro, pesa os adversários, que devem ter o mesmo peso ou muito parecido, e depois os coloca nos pequenos aquários, onde se atacam com mordidas leves até que um deles desista e se afaste para um lado.

O peixe que cede terreno é colocado em outro frasco onde o árbitro observa se volta a expandir as barbatanas, o que indica que está em condições de continuar com a luta.

O dono do "lutador aquático" pode aceitar a derrota ou continuar, mas se o seu peixe beta morrer, deve pagar uma multa de 200 a 400 bahts (de US$ 6 a US$ 12).

"Não é habitual que morram (os peixes)", assegura Lung Chat, que ressalta que as brigas podem durar até duas ou três horas.

Os peixes, que costumam viver dois anos, lutam apenas uma vez e depois são devolvidos à natureza.

As apostas não costumam ultrapassar os 500 bahts (US$ 15), ainda que em alguns casos possam chegar a três mil bahts (US$ 80).

As brigas de peixes são regularizadas na maioria das províncias tailandesas - Bangcoc é uma exceção -, embora na localidade de Samut Sakhon os apostadores reconheçam que às vezes precisam subornar a polícia.

Beer, que se dedica há 12 anos a criar peixes beta, diz à Efe que as brigas são uma tradição muito antiga e que envolve pouco dinheiro.

"Criamos os nossos próprios peixes ou os compramos da fazenda e os treinamos para que sejam mais fortes", detalha o tailandês, de 33 anos.

Beer trabalhou durante dois anos como técnico de informática, mas se cansou e começou a criar peixes beta com as técnicas que tinha estudado no sul da Tailândia, onde estes animais são muito populares.

Um peixe de briga siamês custa aproximadamente 200 bahts (US$ 6), mas há casos em que o preço pode ser de milhares de bahts, se for um exemplar especial.

Os beta usados nas brigas costumam ser pretos e ligeiramente azulados, mas os criados em aquários de decoração exibem uma ampla gama de cores como vermelho, laranja, amarelo, branco ou turquesa.

Em novembro do ano passado, um exemplar com as cores da bandeira tailandesa foi vendido por um preço recorde de 53.500 bahts (US$ 1,5 mil) em um leilão na internet.

Segundo o site bettafishcenter.com, os siameses costumavam retirar os peixes beta dos tanques naturais e dos campos inundados de arroz para colecioná-los e colocá-los para brigar desde antes do século XIX.

Ainda que o primeiro europeu a documentar a existência desta espécie tenha sido o médico Theodor Cantor, o nome científico "Betta splendens" foi dado pelo ictiólogo britânico Charles Tate Regan em 1909.

EFE   

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