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Os mapas que mostram o impacto do aquecimento global no futuro das crianças de hoje

O clima global pode mudar drasticamente até 2100, com aumentos recordes de temperatura nos Estados Unidos, Índia e no sul da Ásia, segundo mapas divulgados pelo Fórum Econômico Mundial.

24 set 2020
15h44
atualizado às 15h49
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Visualização do EarthTime mostra como o clima pode aumentar no mundo até 2100
Visualização do EarthTime mostra como o clima pode aumentar no mundo até 2100
Foto: Reprodução/Fórum Econômico Mundial / BBC News Brasil

Como serão as mudanças de temperatura nas diferentes regiões do mundo durante a vida futura das crianças e adolescentes de hoje?

O clima global pode mudar drasticamente até 2100, segundo mapas divulgados durante a Cúpula de Impacto e Desenvolvimento Sustentável do Fórum Econômico Mundial.

O mapa abaixo mostra o pior cenário projetado até 2100 — ou seja, durante a vida das crianças e adolescentes de hoje. Para fazer essa previsão, foi considerada a expectativa de vida de quem tem hoje de 10 a 12 anos.

O mapa mostra aumentos recordes de temperatura nos Estados Unidos, Índia e no sul da Ásia.

Impactos relacionados ao clima, como os incêndios florestais nos Estados Unidos, se tornarão ainda mais graves se governos, empresas e a população permitirem que o pior cenário se desenvolva até 2100, aponta o Fórum Econômico Mundial.

Para a produção desses mapas divulgados pelo Fórum Econômico Mundial, foram usados dados do Climate Impact Lab, Climate Central, Washington Post e satélites da Nasa.

O que pode acontecer até 2100

Especialistas que avaliam a gravidade dos cenários de mudança climática projetados até 2100 se referem ao pior deles como "RCP 8.5". Esse cenário envolve um aquecimento de mais de 4° C acima dos níveis pré-industriais, aumento das emissões, centenas de milhões de pessoas sendo forçadas a migrar e um grande aumento nas área de floresta sujeitas ao tipo de incêndios que aconteceram no meio deste ano, devido a um fenômeno conhecido como "déficit de umidade".

A projeção mostra que, até 2100, as temperaturas médias de junho a agosto podem chegar a 38°C em várias partes do mundo. Os pontos destacados são:

- Nova Delhi, na Índia, pode ter oito meses por ano com temperaturas médias de 32ºC

- Phoenix, nos Estados Unidos, pode chegar a quase 200 dias por ano com temperaturas que chegam a pelo menos 32ºC

- Regiões do sul da Europa podem atingir temperaturas médias de junho a agosto de 30°C:

- As temperaturas de junho a agosto no Vietnã, Camboja, Malásia e Indonésia podem ficar com uma média superior a 30°C

- A elevação do nível do mar pode levar ao desaparecimento de Miami e Fort Lauderdale, na Flórida:

Como evitar o pior cenário

O resultado mostra a urgência de que empresas e líderes governamentais adotem soluções rápidas para evitar que o pior cenário se concretize, segundo o Fórum Econômico Mundial.

A organização aponta que, de acordo com especialistas, os piores impactos das mudanças climáticas podem ser evitados se limitarmos o aquecimento global a menos de 2ºC acima dos níveis pré-industriais.

Entre as medidas que devem ser tomadas para chegar a esse resultado, estão adotar "políticas climáticas eficazes, lutar contra os esforços para desacreditar a legitimidade da ciência, remover dióxido de carbono da atmosfera ou compensá-lo com o plantio de novas florestas, além de melhorar os sistemas de transporte e energia".

O que são mudanças climáticas?

As geleiras do Ártico diminuíram nos últimos anos
As geleiras do Ártico diminuíram nos últimos anos
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

O termo mudança climática é mais amplo do que aquecimento global, que se refere apenas ao aumento da temperatura.

O que se chama de mudanças climáticas inclui temperatura, intensidade das chuvas e eventos climáticos extremos, como furacões e ondas de calor.

O clima do planeta muda constantemente ao longo do tempo. A temperatura média global atualmente é de 15ºC, e evidências geológicas indicam que ela já foi bem mais alta e bem mais baixa no passado.

No entanto, o período atual de aquecimento está ocorrendo mais rápido do que no passado. Cientistas temem que as flutuações naturais no clima têm sido superadas por um aquecimento rápido induzido pelo homem com sérias implicações para a estabilidade climática do planeta.

Não há mais dúvida de que essas mudanças são devidas em grande parte à atividade humana, especificamente à emissão na atmosfera de grandes quantidades de gases do efeito estufa, como CO2 e metano.

Quais são as evidências do aquecimento global?

A maioria das geleiras em regiões temperadas do mundo e ao longo da península da Antártida está diminuindo
A maioria das geleiras em regiões temperadas do mundo e ao longo da península da Antártida está diminuindo
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Registros de temperaturas desde o século 19 mostram que a temperatura média da superfície da Terra cresceu 0,8ºC nos últimos cem anos. Quase 0,6ºC desse total ocorreu nas últimas três décadas.

Os 20 anos mais quentes já registrados ocorreram nos últimos 22 anos, liderados pelo período entre 2015 e 2018.

Ao redor do planeta, o nível médio do mar cresceu 3,6 mm por ano entre 2005 e 2015. A maior parte dessa mudança ocorre em razão da expansão térmica da água do mar. Com o aumento da temperatura dela, as moléculas se tornam menos densas, levando ao aumento do volume do oceano.

Mas a redução da massa de gelo nos polos tem sido considerada o principal fator nessa tendência. A maioria das geleiras em regiões temperadas do mundo e ao longo da península da Antártida está diminuindo.

Desde 1979, imagens de satélite mostram um declínio dramático na extensão de gelo no Ártico, a uma velocidade de 4% por década. Em 2012, essa faixa atingiu seu patamar mais baixo, que é 50% menor que a média entre 1979 e 2000.

A camada de gelo na Groenlândia tem passado por um derretimento recorde nos últimos anos. Se todo esse gelo derreter, elevaria os níveis do mar em 6 metros.

Dados de satélite mostram que a camada de gelo oeste da Antártida também está perdendo massa, e um estudo recente indicou que o lado leste da região, que não tem apresentado qualquer tendência de aquecimento ou resfriamento, pode ter começado a perder massa nos últimos anos.

Mas cientistas não esperam mudanças drásticas. Em alguns lugares, a massa pode inclusive crescer, já que o aumento da temperatura pode levar à produção de mais neve.

Os efeitos das mudanças climáticas também podem ser vistos na vegetação e nos pastos. Eles incluem mudanças nos ciclos de vida das plantas, como uma floração antecipada, e alterações nos territórios ocupados por animais.

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