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'Beijo de Natal': ápice do excepcional alinhamento de Júpiter e Saturno ocorre nesta segunda-feira

Fenômeno astronômico raro de proximidade semelhante não acontece desde a Idade Média; distância mínima dos planetas ocorrerá após o pôr do sol

2 dez 2020
14h14
atualizado em 21/12/2020 às 10h10
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SÃO PAULO - O excepcional alinhamento de Júpiter e Saturno, fenômeno astronômico que ocorreu da última vez na Idade Média, já pode ser visto da Terra. A aproximação dos dois corpos celestes passou a ser visível no dia 16 e atingirá seu ápice nesta segunda-feira, 21, quando ambos vão parecer um planeta duplo, após o pôr do sol. O fenômeno foi apelidado por astrônomos como o "beijo de Natal".

Esse tipo de fenômeno ocorre devido às órbitas dos planetas em torno do Sol, portanto são perfeitamente previsíveis. "Do ponto de vista estritamente técnico, não é um fenômeno de grande importância já que a mecânica celeste é uma área bem conhecida e antiga da astronomia. Mas a importância vem da raridade de uma conjunção tão próxima assim", explicou Roberto D. Dias da Costa, professor do Departamento de Astronomia do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo (USP).

Ainda segundo o professor, essa raridade vem do fato de que os planetas giram em torno do Sol com velocidades distintas e com períodos distintos: "a Terra gira em torno do Sol em um ano, claro, Júpiter a cada (aproximadamente) 12 anos e Saturno a cada (aproximadamente) 30 anos. É essa 'dança' que torna as conjunções raras, são poucas as oportunidades em que esses astros ficam alinhados para nós que observamos daqui da Terra", acrescentou.

Os alinhamentos, tecnicamente chamados de conjunções, ocorrem quando dois corpos ficam aparentemente muito próximos um do outro no céu. "Falo 'aparentemente' porque, é claro, as distâncias até nós são bem diferentes, eles estão apenas na mesma linha de visada. Júpiter e Saturno, os dois maiores planetas do sistema solar, são normalmente chamados de 'grandes conjunções'. No caso do alinhamento deste ano, eles ficarão de fato muito próximos um do outro, a distância angular entre eles no céu será equivalente a um quinto do diâmetro da Lua cheia, portanto ficarão bem próximos sim", afirmou o professor de Astronomia.

As conjunções entre esses dois planetas ocorrem a cada 20 anos. No entanto, o fenômeno deste ano será verdadeiramente excepcional, pois os planetas ficarão muito próximos um do outro, o que não acontece há centenas de anos. Outra conjunção com os planetas próximos ocorreu em 1623, "mas naquela ocasião os dois planetas estavam muito próximos do Sol e provavelmente ninguém observou. A conjunção mais semelhante e observável (já que era visível à noite) ocorreu em 1226, há quase 800 anos", lembrou Costa.

O alinhamento pode ser observado praticamente de todo os lugares da Terra, embora as condições de visualização sejam melhores perto da linha do Equador. "De todo o território brasileiro será possível ver", afirmou o professor. A distância mínima, porém, será no dia 21, que coincidentemente é o dia do solstício de verão, que marca o início do mesmo. "Mas nas noites imediatamente antes e depois dessa data, eles também estarão próximos", adiantou.

Para quem quiser observar o fenômeno, "basta olhar na direção do pôr do sol no início da noite desta segunda-feira e observar os dois pontos brilhantes muito próximos um do outro. Nas noites imediatamente antes e depois dessa data eles ainda estarão bem próximos. Como é um fenômeno lento, provavelmente veremos muitas fotos circulando nas redes sociais", disse Costa.

Outra conjunção similar ocorrerá em 2080, daqui a 60 anos.

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Estadão
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