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Sonda Rosetta chega ao encontro de cometa após 10 anos

Rosetta se colocou a 100 quilômetros do cometa e o acompanha na trajetória ao redor do Sol; viagem espacial durou 10 anos

6 ago 2014
06h42
atualizado às 15h58
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Sonda Rosetta e cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko
Sonda Rosetta e cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko
Foto: ESA MEDIALAB - C. CARREAU / AFP

A sonda europeia Rosetta entrou nesta quarta-feira na órbita de um cometa, depois de ter passado quase uma década no seu encalço.

A nave se aproximou do 67P/ Churyumov-Gerasimenko para investigar a estrutura e composição do astro.

Uma das teorias sobre o início da vida na Terra postula que os primeiros ingredientes da chamada "sopa orgânica" vieram de um cometa.

Os 11 instrumentos da Rosetta devem observar o cometa por mais de um ano, buscando indícios da presença de água, carbono e outros elementos fundamentais para a vida.

Se tudo correr bem, até novembro, cientistas esperam ter escolhido um ponto de pouso para enviar a nave Philae à superfície do cometa.

Obstáculos
Até hoje, cientistas foram capazes de fazer sondas cruzarem o caminho de cometas, possibilitando apenas observações fugazes.

As dificuldades técnicas de primeiramente por a Rosetta em órbita ao redor do 67P são consideráveis.

O cometa viaja a 55 mil km/h. Para entrar na sua órbita, a nave precisa estar em frente ao astro a uma velocidade diferente apenas 3,6 km/h menor, permitindo a aproximação até ficarem lado a lado.

<p>Imagem liberada pela Agência Espacial Europeia de uma impressão artística do Rosetta Philae (vista traseira) na superfície do cometa 67P / Churyumov-Gerasimenko</p><p> </p>
Imagem liberada pela Agência Espacial Europeia de uma impressão artística do Rosetta Philae (vista traseira) na superfície do cometa 67P / Churyumov-Gerasimenko
Foto: ESA MEDIALAB / AFP

O feito é inédito e dificultado pelo fato de os sinais de rádio enviados da Terra para comandar a sonda levarem mais de 22 minutos para serem recebidos.

"Temos que dar pequenos passos para nos aproximar, porque não sabemos exatamente como o cometa estará se comportando nem como a nave vai se comportar ao seu redor", afirmou Matt Taylor, um dos cientistas do projeto.

Ele diz que o comando da missão tem uma ideia "grosseira" de como voar ao redor do cometa, mas que só vão saber realmente quando se aproximarem de fato.

'Missão sexy'
"Para mim, é a missão mais sexy e fantástica que já existiu. Ela marca pontos nos quesitos fascinação, exploração, tecnologia e ciência. Principalmente ciência", afirmou.

A estrutura irregular do cometa, que já foi comparada a um pato de brinquedo, é outro obstáculo, já que é difícil calcular a sua força gravitacional, um dos fatores mais importantes para se pilotar a nave ao redor do cometa e para os planos de pouso.

Informações iniciais indicam que a superfície do cometa esteja coberta de poeira estelar, com temperaturas de -70ºC negativos

Cometas são considerados alguns dos corpos celestes mais antigos do Sistema Solar.

A missão Rosetta, batizada em homenagem à pedra que possibilitou a tradução dos hieróglifos egípcios, foi planejada na década de 90.

A sonda foi lançada em março de 2004 e desde então ela já orbitou o sol cinco vezes, ganhando velocidade "surfando" a gravidade da Terra e de Marte.

Para atravessar a parte mais gelada de sua rota, a sonda foi desligada em 2012 e somente reativada em 1º de janeiro deste ano.

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