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'Furacões do tamanho da Terra': as novas descobertas da sonda da Nasa em Júpiter

Sonda Juno está em Júpiter desde julho de 2016, e as primeiras observações feitas a partir dela estão pondo em xeque ideias prévias sobre o planeta.

25 mai 2017
19h46
atualizado às 21h04
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As observações iniciais de Júpiter feitas pela sonda espacial Juno são "de tirar o fôlego", informam os cientistas da Nasa envolvidos na missão. E o que mais os deixou perplexos até agora foram as gigantescas "tempestades" registradas nos polos dos planetas.

Foto: BBCBrasil.com

"Pense em um monte de furacões, cada um do tamanho da Terra, todos tão espremidos uns aos outros que chegam a se tocar", explica Mike Janssen, da agência espacial americana. "Até mesmo entre os pesquisadores mais experientes, essas imagens de nuvens imensas rodopiando têm impressionado muito."

A sonda Juno chegou ao quinto país do Sistema Solar em 4 de julho do ano passado. Desde então, ela tem se aproximado do planeta gasoso a cada 53 dias.

As primeiras conclusões derivadas dessas observações estão sendo divulgadas agora nas publicações científicas Science e Geophysical Research Letters .

A equipe da Nasa diz que o que se sabia previamente sobre Júpiter está sendo revisto com base nas novas descobertas.

"(Com) essa observação mais próxima, constatamos que várias ideias que tínhamos (sobre Júpiter) eram incorretas e até mesmo ingênuas", afirma Scott Bolton, principal pesquisador do Instituto de Pesquisa de San Antonio, no Texas.

Foto: BBCBrasil.com

Os grandes ciclones que cobrem as altas latitudes do planeta só agora estão sendo vistos em detalhes, porque as missões anteriores nunca conseguiram realmente olhar o planeta por cima e por baixo, como Juno tem conseguido - e, certamente, nenhuma teve resolução tão alta. É possível discernir até mesmo características que estão a apenas 50 km de distância.

As estruturas são muito diferentes daquelas encontradas nos polos de Saturno, por exemplo, e as razões disso ainda não são compreendidas.

Outra surpresa vem do Radiômetro de Micro-ondas (MWR na sigla em inglês) da Juno, que detecta o comportamento abaixo da superfície de nuvens. Seus dados indicam a presença de uma ampla faixa de amônia que vai do topo da atmosfera até a maior profundeza que se pode detectar - pelo menos 350 km para baixo. Ela pode ser parte de um grande sistema de circulação.

Mas a MWR mostra que a amônia em latitudes maiores pode ser muito mais variável.

"O que isso está nos dizendo é que Júpiter não está muito definido por dentro", diz Bolton. "Está completamente errada a ideia de que, uma vez que você vá além da luz solar, tudo será uniforme e tedioso. A realidade pode ser muito diferente dependendo de onde você olha."

A equipe que monitora a Juno selecionou alguns destaques entre as novas descobertas:

- Júpiter é 11 vezes maior que a Terra e 300 vezes mais pesado

- São necessários 12 anos terrestres para que Júpiter consiga fazer uma volta no Sol; um dia por lá tem 10 horas de duração

- Em sua composição, ele lembra uma estrela; é formado basicamente de hidrogênio e hélio

- Sob pressão, o hidrogênio se torna um fluido que conduz eletricidade

- O hidrogênio metálico é provavelmente uma fonte de campo magnético

- A maioria da superfície das nuvens contém amônia e sulfureto de hidrogênio

- As listras de Júpiter são criadas por ventos fortes de origem leste e oeste.

- A Grande Mancha Vermelha de Júpiter é um gigantesco vórtice de tempestade duas vezes maior que a Terra. Essa mancha será o tema da próxima etapa de investigação da sonda Juno

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