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DNA de 4,5 mil anos atrás apoia teoria migratória na África

Genoma africano antigo corrobora tese de que houve corrente migratória do oeste da Eurásia para o Chifre da África há cerca de 3 mil anos.

9 out 2015
18h47
atualizado às 18h53
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O DNA extraído do crânio de um homem enterrado há mais de 4.500 anos numa caverna da Etiópia tem ajudado a esclarecer a ascendência dos africanos modernos, além de fortalecer a teoria de que agricultores migraram da Eurásia para o Chifre da África há cerca de 3 mil anos.

"Esse é o primeiro genoma de um homem primitivo encontrado na África a ser sequenciado", afirma o geneticista Marcos Gallego Llorente, da Universidade de Cambridge, um dos pesquisadores responsáveis pelo estudo, publicado na revista Science.

A demora se explica pelas altas temperaturas da África – outras análises do tipo se limitavam a regiões de temperaturas mais baixas, como o Ártico. Segundo os cientistas, por sorte o clima dentro da caverna etíope era frio e seco o suficiente para preservar o DNA por todo esse tempo.

"Com um genoma primitivo, temos uma janela aberta diretamente para o passado distante. O genoma extraído de um único indivíduo pode fornecer o retrato de toda uma população", explica outro autor da pesquisa, Andrea Manica, também da Universidade de Cambridge.

O genoma agora sequenciado permite aos cientistas saber como era o DNA da população local centenas de anos antes desse movimento migratório. O resultado da pesquisa corrobora a teoria de que agricultores migraram da Eurásia para a África há cerca de 3 mil anos, já que esse DNA de 4.500 anos não tem traços de ancestrais da Eurásia.

O genoma do africano primitivo, apelidado de Mota pelos pesquisadores, mostrou que essa migração "foi duas vezes mais significativa do que se pensava e afetou a composição genética de populações em todo o continente africano", diz a equipe, em nota.

O evento, conhecido como o "refluxo da Eurásia", ocorreu quando pessoas vindas do oeste dessa região, como do Oriente Médio e da Ásia Menor, ocuparam a área conhecida como Chifre da África, no nordeste do continente – inversamente ao movimento que levou os primeiros humanos a deixarem a África, há cerca de 100 mil anos.

Ao comparar o antigo genoma com o DNA de africanos modernos, os pesquisadores descobriram que as atuais populações do leste da África têm 25% de ascendência eurasiana por conta dessa onda migratória. Os povos do leste e do sul devem pelo menos 5% de seu genoma ao evento.

Manica afirma que a pesquisa foi uma grande passo para a ciência, mas ainda não trouxe respostas para a seguinte pergunta: "O que levou essas pessoas a migrarem assim tão de repente?".

 

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