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Deputado dos EUA quer impedir importação de carne, petróleo e soja do Brasil

Em reação às queimadas na Amazônia, Peter DeFazio apresentou projeto que prevê ainda a proibição de uma negociação de livre comércio entre os dois países

11 set 2019
12h11
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WASHINGTON - O deputado democrata Peter DeFazio apresentou projeto de lei na Câmara dos Estados Unidos, nesta terça-feira, 10, para proibir a importação de produtos brasileiros como carne, petróleo e soja, em resposta ao aumento das queimadas na Amazônia. O texto também prevê a proibição de uma negociação de livre comércio entre Estados Unidos e Brasil.

O projeto de lei do congressista fala em proibir ainda importações de produtos como couro, açúcar, milho e tabaco do Brasil. Em nota publicada no site do deputado, o democrata critica os presidentes Jair Bolsonaro e Donald Trump.

"O presidente Jair Bolsonaro acredita que pode agir impunemente e acelerar a destruição da floresta amazônica, e ele precisa saber que há consequências reais por suas ações imprudentes", disse.

O parlamentar alega ainda que o desmatamento na Amazônia pode ter efeitos significativos nas chuvas nos Estados Unidos e afetar a produção americana.

Audiência

No mesmo dia, outros deputados americanos discutiram em uma audiência pública a política ambiental do governo Bolsonaro, no Comitê de Relações Exteriores da Câmara. Os parlamentares presentes sinalizaram, no entanto, que negociações de um acordo comercial entre os dois países não devem ser barradas pela crise ambiental.

O governo Trump tem sido o mais importante aliado de Bolsonaro no debate internacional sobre a situação da Amazônia.

Senadores democratas chegaram a enviar uma carta ao representante de comércio americano pedindo a suspensão de tratativas comerciais com o Brasil até que a situação das queimadas na Amazônia fosse solucionada. O País e os Estados Unidos trabalham em um acordo de liberalização de comércio. A ideia é facilitar trâmites, aumentar relação comercial e investimento.

O chanceler Ernesto Araújo tem reunião no Departamento de Estado, em Washington, nesta semana, quando deve tratar do tema. A ideia de um acordo de comércio tem sido desenhada pelos dois lados, mas ainda não ganhou caráter oficial. Os Estados Unidos costumam comunicar o Congresso quando dão início formal às tratativas para um acordo.

No debate desta terça-feira, no entanto, mesmo entre democratas - oposição ao governo Trump -, não houve sinalização de que a questão ambiental possa ser um impeditivo para um futuro acordo com o Brasil.

O deputado democrata Albio Sires disse não ver a imposição de condições ao acordo como a saída para os americanos exercerem pressão sobre o Brasil.

"Vamos trabalhar juntos, vamos encontrar uma solução, o que podemos fazer juntos para isso. Nesse momento, essa (condição) não é uma boa abordagem", afirmou Sires.

Já o deputado democrata Dean Phillips, que também participou do debate na Comissão de Relações Exteriores, disse a jornalistas que ainda não tem uma posição formada sobre a necessidade de incluir condições a respeito de política ambiental para aprovação de um possível acordo.

"Há desafios no uso desses instrumentos, mas temos que olhar todas as opções", afirmou Phillips.

Apesar disso, a economista e colunista do Estado Monica de Bolle, uma das especialistas ouvidas pelos deputados, pondera que acordos recentes firmados inclusive na gestão do republicano Trump incluíram previsões sobre proteção ao meio ambiente. É o caso do USMCA - o novo Nafta, renegociado entre Estados Unidos, Canadá e México.

"Tanto do lado republicano quanto do lado democrata existe uma preocupação grande com essas questões de meio ambiente e, sendo assim, qualquer acordo que venha a ser firmado com o Brasil, seja um acordo de facilitação de comércio ou algo mais ambicioso, vai conter essas normativas, essas exigências. Isso é comércio no século 21", disse Monica.

Suspensão de compra do couro brasileiro

No fim de agosto, a VF Corporation, empresa responsável por marcas como Timberland, The North Face, Kipling e Vans, decidiu não seguir se "abastecendo diretamente com couro e curtume do Brasil para os negócios internacionais até que haja a segurança que os materiais usados em nossos produtos não contribuam para o dano ambiental no País".

E, na semana passada, a H&M, segunda maior varejista de moda do mundo, informou que parou de comprar couro do Brasil temporariamente por causa das preocupações ambientais ligadas aos incêndios florestais na Amazônia.

Estadão
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