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Rio+20: Dilma exalta compromisso ecológico brasileiro

11 jun 2012
09h54
atualizado às 11h58

Às vésperas da Conferência das Nações Unidas Sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, a presidente Dilma Rousseff afirmou nesta segunda-feira que o Brasil "tem o privilégio de abrigar a maior área de florestas do mundo" e pode "se sentir orgulhoso pelo esforço que faz para protegê-las".

A fase preparatória da Rio+20, que será realizada duas décadas depois da Cúpula da Terra (Eco92), começa nesta quarta-feira no Rio de Janeiro e já com a intenção de promover um debate global sobre a necessidade de adotar novos modelos produtivos e econômicos que contemplem a proteção ambiental. Entre os dias 20 e 22 de junho, a fase final da reunião deverá contar com delegações de 180 países, sendo que a maioria estará representada por seus chefes de Estado e de Governo.

Nesta segunda, em seu programa de rádio, Dilma comentou os dados divulgados na última semana, os quais evidenciam que as taxas de desmatamento na região amazônica continuam caindo de forma sustentada. Segundo a presidente, essa redução é uma consequência direta da "forte ação do Governo" na fiscalização dos crimes ambientais e na promoção de políticas de desenvolvimento menos agressivas com o ecossistema. "Temos oferecido alternativas de produção e renda para a população que vive em nossas florestas, para que esses trabalhadores possam produzir e garantir o seu sustento sem desmatar ou destruir o meio ambiente", apontou.

Entre outros planos citados, a presidente se referiu especificamente ao chamado "Bolsa Verde", um programa social em que o governo oferece um beneficio de R$ 300, pagos a cada três meses, para as famílias de pequenos agricultores da região amazônica que assumirem o compromisso de não desmatar novas áreas. Neste contexto, Dilma insistiu que o Brasil preservou "cerca de 80% da região amazônica" e comparou os dados alcançados com os ostentados pela Europa, continente que, segundo Dilma, só conserva cerca de 10% de seus ecossistemas originais.

De acordo com a presidente, o Brasil já começou a desenhar e aplicar um novo modelo de desenvolvimento sustentável, que visa o crescimento econômico com inclusão social e preservação ambiental. "Isso é o que vamos apresentar durante a conferência Rio+20", afirmou Dilma.

Rio+20
A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que será realizada na cidade do Rio de Janeiro entre os dias 13 a 22 de junho de 2012, deverá contribuir para a definição da agenda de discussões e ações sobre o meio ambiente nas próximas décadas.

Com o objetivo de renovar o compromisso político com o desenvolvimento sustentável por meio da avaliação do progresso e das lacunas na implementação das decisões adotadas pelas principais cúpulas sobre o assunto e do tratamento de temas novos e emergentes, a Rio+20 terá como foco principal a economia verde e a erradicação da pobreza.

A Rio+20, que assim é chamada por marcar os 20 anos da realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio92), será composta por três momentos. Nos primeiros dias, de 13 a 15 de junho, está prevista a 3ª Reunião do Comitê Preparatório, em que representantes governamentais discutirão os documentos que posteriormente serão convencionados na Conferência. Entre os dias 16 e 19 serão programados eventos com a sociedade civil. E de 20 a 22 ocorrerá o Segmento de Alto Nível da Conferência, para o qual é esperada a presença de diversos chefes de Estado e de governo dos países-membros das Nações Unidas.

No entanto, mesmo com toda a expectativa para acordos que possam mudar o futuro do planeta, a conferência é alvo de críticas e alguns chefes de Estados apontam, inclusive, para o "risco de fracasso" da Rio+20. O presidente francês, François Hollande, que deve estar presente no evento, alertou para as dificuldades e riscos de que se pronunciem palavras que não serão cumpridas com atos.

A ex-ministra do Meio Ambiente do Brasil, Marina Silva, também criticou a Rio+20. Para ela, os líderes políticos "conseguiram excluir a ciência do debate" e o documento que prepara para a Rio+20 "manteve o problema de separar ecologia e economia, quando é preciso integrá-las".

Além disso, apesar dos esforços do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, vários líderes mundiais estarão ausentes, incluindo o presidente americano Barack Obama. Do lado europeu, o presidente russo Vladimir Putin, o presidente da Comissão Europeia José Manuel Barroso e o primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy confirmaram presença. No entanto, nem a chanceler alemã Angela Merkel nem o primeiro ministro britânico David Cameron deverão participar. Para garantir a presença de países africanos e caribenhos, o Itamaraty, o Ministério da Defesa e a Embraer trarão as delegações de 10 deles.

EFE   
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