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'Briga é muito grande', diz Bolsonaro sobre disputa de verbas entre ministérios

Em cerimônia em Sergipe, o presidente declarou que o País deve 'em grande parte' ao Exército a realização de obras de infraestrutura

17 ago 2020
13h16
atualizado às 16h19
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O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira, 17, que há uma "briga muito grande" entre ministros do governo por um orçamento maior em suas pastas. A referência à disputa interna foi feita após o Estadão mostrar que o governo prevê destinar mais recursos para despesas com militares do que com a educação no País. Caso confirmada, será a primeira vez em dez anos que o Ministério da Defesa terá um valor superior ao da pasta da Educação.

Em cerimônia em Sergipe, o presidente declarou que o País deve "em grande parte" ao Exército a realização de obras de infraestrutura. Nos bastidores, integrantes do governo tentam liberar investimentos para projetos na área do teto de gastos, regra que impede aumentar despesas acima da inflação.

Dirigindo-se a deputados federais presentes no evento, Bolsonaro ressaltou que o Orçamento é "completamente comprometido" com despesas obrigatórias - aquelas em que o governo é obrigado a gastar por força da lei. "Sobra muito pouco e a briga é muito grande para que cada ministro consiga puxar um pouco mais desse orçamento para si para fazer alguma coisa."

Egresso do Exército, Bolsonaro foi eleito tendo os militares como parte de sua base de apoio. Na quinta-feira passada, na transmissão ao vivo semanal que faz nas redes sociais, o presidente disse sofrer pressão para aumentar os recursos destinados às Forças Armadas, mas reclamou que "o cobertor está curto".

"Alguns chegam: 'Pô, você é militar e esse ministério aí vai ser tratado dessa maneira?' Aí tem de explicar. Para aumentar para o Fernando (Azevedo e Silva, ministro da Defesa) tem de tirar de outro lugar. A ideia de furar o teto (de gastos) existe, o pessoal debate, qual o problema?", disse o presidente, em referência à regra que limita aumentar despesas acima da inflação. Na mesma ocasião, ele afirmou que a Defesa pode ter "o menor orçamento da história".

Não é o que está na proposta mais atual em discussão no governo, à qual o Estadão teve acesso. Segundo a previsão, a Defesa terá um acréscimo de 48,8% em relação ao orçamento deste ano, passando de R$ 73 bilhões para R$ 108,56 bilhões em 2021. Enquanto isso, a verba do Ministério da Educação (MEC) deve cair de R$ 103,1 bilhões para R$ 102,9 bilhões. Os valores, não corrigidos pela inflação, consideram todos os gastos das duas pastas, desde o pagamento de salários, compra de equipamentos e projetos em andamento, o que inclui, no caso dos militares, a construção de submarinos nucleares e compra de aeronaves.

Iniciativa privada

Com o orçamento público apertado, Bolsonaro também afirmou que a iniciativa privada tem sido a "grande aliada" do governo federal para investimentos, mas ressaltou que a atração de negócios depende da confiança dos investidores. A declaração foi feita em discurso durante a inauguração de uma usina termoelétrica em Sergipe, que recebeu recursos privados para entrar em funcionamento.

"Vem investimentos de fora, mas para isso você tem que fazer com que eles confiem na gente, caso contrário os investimentos de fora não virão para cá", disse o presidente no evento. "A usina termoelétrica tem capacidade para atender 16 milhões de cidadãos, ou seja, 15% da demanda de energia do Nordeste", disse o ministro das Minas e Energia, Bento Albuquerque. A usina entrou em operação comercial em março de 2020.

Durante agenda em Sergipe, Bolsonaro afirmou "que não está preocupado com pesquisas nem com 2022". Ao falar rapidamente com a imprensa durante a inauguração da usina, o presidente citou a pesquisa Datafolha, que mostrou queda na rejeição do presidente no Nordeste.

Ele lembrou que, na chegada ao aeroporto, foi recebido por centenas de apoiadores. "Para mim, pesquisa é o que vi aqui desde o aeroporto, nesse momento junto com a população e com as autoridades. Minha preocupação é fazer um bom governo nesses quatro anos", disse.

Assim como fez no Piauí, no fim de julho, Bolsonaro usou um chapéu de vaqueiro na chegada a Sergipe. Sem máscara, foi recepcionado por apoiadores no Aeroporto de Aracaju. De lá, seguiu para Barra dos Coqueiros, na região metropolitana, para a inauguração da termoelétrica.

No Nordeste, única região do País que em que perdeu no segundo turno de 2018, a rejeição ao presidente caiu 17 pontos porcentuais - de 52% para 35%, segundo pesquisa do instituto Datafolha divulgada na semana passada. A melhora nos índices de popularidade foi avaliada por alguns dos seus principais auxiliares no Palácio do Planalto como resultado direto não apenas do auxílio emergencial de R$ 600, mas também da mudança de tom de Bolsonaro. COLABOROU ANTONIO CARLOS GARCIA, ESPECIAL PARA O ESTADO

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Estadão
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