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Relator da CPI diz que pedirá prisão de Wajngarten por mentir

12 mai 2021 17h11
| atualizado às 17h25
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O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, senador Renan Calheiros, afirmou que vai pedir a prisão do ex-secretário de Comunicação do governo federal Fabio Wajngarten por ter supostamente mentido em seu depoimento nesta quarta-feira (12).
    Calheiros explicou que não sabe se a prisão vai ser decidida pelo presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), mas garantiu que vai solicitá-la de qualquer forma. A decisão foi tomada com base em alguns pontos em que Wajngarten teria mentido no depoimento, além de ter se contradito.
    "Vossa excelência mais uma vez mente. Mentiu por ter mudado a versão com relação a entrevista que deu e continua a mentir.
    Evidente que será uma decisão do presidente, mas esse é o primeiro caso de alguém que vem à comissão parlamentar de inquérito e em desprestígio da verdade e da representação politica mente", disse Renan.
    Durante sua oitiva, Wajngarten se esquivou de perguntas, irritou senadores e admitiu que a carta em que a Pfizer oferecia negociar as doses de vacina anti-Covid ao Brasil ficou paralisada por pelo menos dois meses no governo federal.
    Além disso, ao ser questionado pela senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA), Wajngarten voltou a dizer que não chamou o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello de incompetente em entrevista à revista "Veja". "Não fiz nenhuma adjetivação ao general Pazuello. Em nenhum momento o chamei de incompetente".
    Segundo ele, a palavra teria sido usada na capa da publicação para chamar atenção. "A revista não diz isso e eu não chamei.
    Basta ler a revista". "A manchete serve para vender a tiragem, a manchete serve para trazer audiência, a manchete serve para chamar a atenção, conforme a gente conhece", afirmou.
    No entanto, em paralelo, a revista "Veja" divulgou um trecho do áudio da entrevista realizada no fim de abril. Na ocasião, Wajngarten fala de "incompetência e ineficiência" do Ministério da Saúde no processo de negociações para comprar vacinas anti-Covid.
    O termo foi utilizado no período em que a pasta ainda era comandada pelo general Eduardo Pazuello. No áudio de 26 segundos, o jornalista pergunta se "foi negligência ou incompetência?" e o ex-secretário garante de forma enfática que foi "incompetência".
    "Incompetência. Incompetência. Quando você tem um laboratório americano com cinco escritórios de advocacia apoiando na negociação; e você tem do outro lado um time pequeno, tímido, sem experiência... É 7x1", disse Wajngarten.
    Hoje, o ex-secretário já tinha sido questionado sobre o porquê de ter afirmado sobre a "incompetência" do Ministério da Saúde na aquisição das vacinas e culpou a "morosidade" do sistema público.
    "Incompetência é ficar refém da burocracia, morosidade na tomada de decisões é um problema em casos excepcionais como temos na pandemia. A não-resposta da carta (da Pfizer), o não-retorno no tempo adequado numa pandemia", disse.
    Ao longo de seu discurso, ele deu declarações contraditórias e explicou que o presidente Jair Bolsonaro não sabia de sua iniciativa de mobilizar vários setores para a compra dos imunizantes. À revista Veja, no entanto, Wajngarten alegou que o mandatário deu aval para negociar as doses.
    "É melhor mentir à Veja do que à CPI. Aqui dá cadeia", disse o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), diante da situação.
    Em meio ao clima tenso e apesar do pedido do relator, o presidente da CPI disse que não prenderá o ex-secretário.

Ansa - Brasil   
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