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Preso mais um governador do Rio

29 nov 2018
13h03
atualizado às 13h23
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Luiz Fernando Pezão é acusado de participar de estrutura montada por Sérgio Cabral, também preso, e operar esquema de corrupção próprio. Ele é o quarto governante do estado a ser detido.O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (MDB) foi preso nesta quinta-feira (29/11) pela Polícia Federal (PF) sob a acusação de receber milhões de reais em propina e participar de um esquema de corrupção montado por seu antecessor, Sérgio Cabral, e de operar seu próprio esquema.

PGR disse ter pedido prisão preventiva para evitar que Pezão oculte patrimônio que adquiriu com as práticas criminosas
PGR disse ter pedido prisão preventiva para evitar que Pezão oculte patrimônio que adquiriu com as práticas criminosas
Foto: DW / Deutsche Welle

Pezão é o quarto governador do estado a ser detido por corrupção nos últimos anos, o primeiro durante o mandato. Além de Cabral, preso no âmbito da Lava Jato, também foram detidos por investigações da Justiça Eleitoral Anthony Garotinho e Rosinha Garotinho.

A prisão de Pezão foi executada no âmbito da Operação Boca de Lobo, um desdobramento da Lava Jato, a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR).

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, disse que o pedido da prisão do governador em exercício foi feito porque crimes de corrupção e lavagem de dinheiro continuam sendo praticados.

"Um dos crimes é organização criminosa, e as informações da Lava Jato são no sentido que esta organização continua atuando especialmente na lavagem de dinheiro, crime cometido após a corrupção para ocultar onde o dinheiro está", disse em entrevista em Brasília.

Segundo Dodge, a Operação Boca de Lobo tem como objetivo "garantir a ordem pública", paralisando a atuação de organizações criminosas. A procuradora-geral disse que foram identificadas 13 infrações criminosas ainda praticadas, que "precisavam ser interrompidas".

A procuradora-geral disse ainda que, "apesar de ter sido homem de confiança de Sérgio Cabral e assumido papel fundamental naquela organização criminosa, inclusive sucedendo-o na sua liderança, Luiz Fernando Pezão operou esquema de corrupção próprio, com seus próprios operadores financeiros".

A operação tem como base a delação premiada do economista Carlos Emanuel Carvalho Miranda, ex-operador de Cabral, que detalhou o esquema que teria garantido uma mesada de 150 mil reais a Pezão entre 2007 e 2014, período em que era vice-governador e secretário estadual de Obras. De acordo com Miranda, Pezão tinha direito a 13º salário e a dois bônus anuais, cada um no valor de 1 milhão de reais.

A PGR enfatizou que já foram comprovadas práticas criminosas nesse período, como a cobrança de um percentual do valor dos contratos firmados pelo Executivo com grandes construtoras, a título de propina.

Segundo a PGR, "há registros documentais, nos autos, do pagamento em espécie a Pezão de mais de 25 milhões de reais no período 2007 e 2015" - cerca de 39 milhões de reais em valores atualizados.

"Esse valor é absolutamente incompatível com o patrimônio declarado pelo governador", segundo a PGR.

A Procuradoria-Geral pediu a prisão preventiva com o argumento de que, em liberdade, "Pezão poderia dificultar ainda mais a recuperação dos valores que foram desviados, além de ocultar o patrimônio que adquiriu com as práticas criminosas".

Pezão também foi citado em delações do doleiro Álvaro José Novis e do ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) Jonas Lopes de Carvalho Filho.

Carvalho Filho disse ter arrecadado 900 mil reais para pagar despesas pessoais do governador. O dinheiro teria vindo de empresas de alimentação com contrato com o estado e da Federação das Empresas de Transportes do Rio de Janeiro (Fetranspor).

Um funcionário de Novis, por sua vez, afirmou ter pagado propina de 4,8 milhões de reais a Pezão, dividida em cinco pagamentos efetuados entre 2014 e 2015.

Além de Pezão, são alvo da Operação Boca de Lobo assessores e um sobrinho do governador. A PF cumpre outros oito mandados de prisão preventiva e 30 de busca a apreensão.

LPF/abr/efe/ots

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