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Presidente do Ibama pede exoneração

Suely Araújo critica "acusação sem fundamento" de Bolsonaro e de ministro do Meio Ambiente e comunica saída antecipada do cargo

7 jan 2019
16h08
atualizado às 16h40
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A presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Suely Araújo, pediu exoneração do cargo nesta segunda-feira (7), um dia depois de ser alvo de postagens nas redes sociais do presidente Jair Bolsonaro e do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

Neste domingo, Salles questionou o valor de um contrato firmado há um mês pelo Ibama para aluguel de veículos. "Quase 30 milhões de reais em aluguel de carros, só para o Ibama...", escreveu o ministro em tuíte que inclui um trecho do Diário Oficial da União com parte do contrato.

Homem carrega motosserra em floresta perto de Itaituba (PA)
07/08/2017
REUTERS/Nacho Doce
Homem carrega motosserra em floresta perto de Itaituba (PA) 07/08/2017 REUTERS/Nacho Doce
Foto: Reuters

Bolsonaro retuitou a postagem de Salles , acompanhada do seguinte texto: "Estamos em ritmo acelerado, desmontando rapidamente montanhas de irregularidades e situações anormais que estão sendo e serão comprovadas e expostas. A certeza é: havia todo um sistema formado para principalmente violentar financeiramente o brasileiro sem a menor preocupação!"

Mais tarde, o presidente apagou seu comentário e manteve apenas a publicação de Salles retuitada em sua conta.

Nomeada em 2016 pelo então presidente, Michel Temer, Araújo é urbanista, advogada e doutora em ciências políticas, acumulando anos de atuação nas áreas de meio ambiente e direito ambiental. Desde 1991, ela atua como consultora na Câmara dos Deputados.

Araújo deveria ser substituída pelo indicado por Bolsonaro, o procurador da União Eduardo Fortunato Bim, em data ainda não definida e decidiu antecipar sua saída do comando do Ibama. O pedido de exoneração foi encaminhado a Salles na manhã desta segunda.

"Considerando que a indicação do futuro presidente do Ibama, sr. Eduardo Bim, já foi amplamente divulgada na imprensa e internamente na instituição ainda em 2018, antes mesmo do início do novo Governo, entendo pertinente o meu afastamento do cargo permitindo assim que a nova gestão assuma a condução dos processos internos desta Autarquia", escreveu Suely no pedido, em que comunica que a partir desta terça-feira não exercerá mais as funções de presidente do Ibama.

Cerimônia de posse da urbanista, advogada e doutora em Ciência Política Suely Araújo no Ibama, em 2016.
Cerimônia de posse da urbanista, advogada e doutora em Ciência Política Suely Araújo no Ibama, em 2016.
Foto: Ibama

Já na noite deste domingo, Araújo havia reagido ao tuíte de Salles e divulgado uma nota afirmando que "a acusação sem fundamento evidencia completo desconhecimento da magnitude do Ibama e das suas funções".

"O valor estimado inicialmente para esse contrato era bastante superior ao conseguido no final do processo licitatório, que observou com rigor todas as exigências legais e foi aprovado pelo TCU [Tribunal de Contas da União]. Os valores relativos aos veículos para fiscalização na Amazônia são custeados pelo Fundo Amazônia, gerido pelo BNDES. A presidência do Ibama refuta com veemência qualquer insinuação de irregularidade na contratação. Espera, por fim, que o novo governo dedique toda a atenção necessária às importantes tarefas a cargo do Ibama, e não a criar obstáculos à atuação da Autarquia", prossegue a nota.

Segundo a presidente do Ibama, o contrato firmado em dezembro, de âmbito nacional, "abrange 393 caminhonetes adaptadas para atividades de fiscalização, combate a incêndios florestais emergências ambientais, ações de inteligência, vistorias técnicas, etc". Araújo afirmou ainda que o valor do contrato incluía combustível, manutenção e seguro, com substituição dos veículos a cada dois anos.

Salles, por sua vez, voltou a se manifestar no Twitter sobre o assunto ainda na noite de domingo: "Não levantei suspeita sobre o contrato, apenas destaquei seu valor elevado, conforme meus esclarecimentos na própria postagem. O valor elevado também foi questionado pelo TCU desde abril e, portanto, não precisava ser assinado a dez dias da troca de governo", escreveu.

No governo Bolsonaro, o Ibama segue vinculado ao Ministério do Meio Ambiente. O órgão é responsável pela concessão de licenças ambientais para projetos de empresas mineradoras, petroleiras ou de agricultura intensiva que possam ameaçar reservas ou recursos naturais.

Desde a campanha eleitoral, Bolsonaro vem criticando a demora na expedição de licenças ambientais, o que, segundo ele, coloca em risco projetos que possam gerar empregos e promover o desenvolvimento do país.

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