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Renan Calheiros: candidatura de Simone Tebet só trará perdas ao MDB

Parlamentar integra ala emedebista defensora de que a sigla apoie o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva

10 jun 2022 - 11h14
(atualizado às 11h25)
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Relator da CPI da Covid do Senado, Renan Calheiros
Relator da CPI da Covid do Senado, Renan Calheiros
Foto: Reuters

O senador licenciado Renan Calheiros (MDB-AL), avalia que a pré-candidatura da senadora Simone Tebet (MDB-MS) à Presidência da República só trará perdas ao MDB caso seja mantida até o fim. Integrante da ala emedebista defensora de que a sigla apoie o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em primeiro turno, Renan afirmou disse, em entrevista ao Papo com Editor - programa do Broadcast Político, serviço de informação em tempo real do Grupo Estado - que fará "uma guerra interna", se necessário, "pela não homologação da candidatura" de Simone.

"Lamentavelmente, sim (a candidatura só representa perdas para o partido). A candidatura não agrega, não tem competitividade, não amplia os objetivos do partido, e o partido, em função dessa aliança com o PSDB, tem que abrir mão de algumas outras candidaturas", disse Renan, ao lembrar que o MDB abandonou a ideia de lançar candidato próprio ao governo do Rio Grande do Sul para assegurar apoio do PSDB a Tebet.

O senador licenciado afirmou ainda esperar que o "bom senso prepondere" para que a sigla não homologue o nome da senadora ao Planalto. "Nós não estamos querendo fazer uma guerra interna de disputa pela não homologação da candidatura. Se isso for preciso, nós vamos fazer. Essa divisão a mais não ajuda efetivamente em nada. Nem à candidatura dela, nem tampouco ao partido e à necessidade de manter sua maior bancada no Senado, fazer uma grande bancada na Câmara e eleger o maior número de governadores", declarou.

"As convenções acontecerão apenas no início de agosto e, talvez, não seja efetivamente o caso de termos que homologar uma candidatura com 1% dos votos", defendeu Renan.

Reversão

Apesar da avaliação pessimista sobre a competitividade da senadora, ele disse torcer para que haja "reversão da fotografia das pesquisas", que mostram polarização cristalizada entre Lula e o presidente Jair Bolsonaro (PL) e a inviabilidade eleitoral de uma candidatura da terceira via.

Ao comentar sobre a possível chapa entre Tebet e o senador Tasso Jereissati (PSDB) na vice, o senador elogiou as "qualidades indiscutíveis" dos dois colegas, mas apontou que polarização aponta para tendência de voto útil que pode decidir a eleição em primeiro turno entre os dois primeiros colocados nas pesquisas.

"São dois nomes indiscutíveis do ponto de vista das qualidades pessoais, políticas. O problema não é esse, é a polarização que existe entre as duas principais candidaturas. Se você for observar a média das pesquisas, você vai verificar uma reta, e uma efetiva polarização. A terceira via nunca chegou nem perto do segundo candidato. O que podemos ter é um exercício efetivo de voto útil para que a eleição se decida no primeiro turno", avaliou.

Desespero

Na entrevista, Renan atribuiu a um "desespero diante da derrota inevitável na eleição" o projeto de lei enviado ao Congresso pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) que desvincula recursos do pré-sal do Fundo Social aplicados na saúde e na educação.

"Tudo o que puder fazer para sair da derrota inevitável na eleição, o Bolsonaro vai tentar fazer. Ele, no desespero, vai fazer tudo, habilitar esses recursos, que não estavam sendo devidamente utilizados, seriam apenas para o superávit do Tesouro, na eleição", criticou o senador.

Como mostrou o Broadcast Político, o projeto de lei autoriza a União a vender sua parcela do óleo do pré-sal de contratos de partilha geridos pela estatal PPSA e ainda desvincula as receitas que serão obtidas com a venda desses ativos do Fundo Social.

Criado em 2010, o Fundo Social é um fundo soberano, destinado a receber a parcela dos recursos do pré-sal que cabem ao governo federal, como royalties e participações especiais. O Congresso mudou a destinação dos recursos para vincular parte dos recursos para saúde e educação. Ao justificar a desvinculação, o governo diz que não haverá "prejuízo" às áreas.

Estadão
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