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Política

Relato de dentista e nota fiscal; veja provas contra deputada que fez harmonização com verba pública

Silvia Waiãpi, do PL, teve o mandato cassado pela Justiça eleitoral do Amapá por repassar R$ 9 mil para cirurgião-dentista realizar procedimentos estéticos, como 'emagrecimento facial'; veja provas do processo que cassou a parlamentar; deputada diz que vai recorrer de decisão do TRE e que recibo é falso

20 jun 2024 - 16h27
(atualizado às 17h56)
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O processo que cassou a deputada federal Silvia Waiãpi (PL-AP) por harmonizar o rosto durante as eleições de 2022 utilizando dinheiro público destinado à campanha eleitoral traz detalhes de como a irregularidade ocorreu. O processo registra supostos diálogos entre ela e sua então coordenadora de campanha Maite Luzia Mastop Martins. Há ainda notas fiscais que comprovam os valores pagos ao cirurgião-dentista Willian Rafael Oliveira.

Deputada cassada Silvia Waiãpi (PL-AP) antes e após os procedimentos de harmonização facial.
Deputada cassada Silvia Waiãpi (PL-AP) antes e após os procedimentos de harmonização facial.
Foto: @silvianobrewaiapi via Facebook e Presidência da República / Estadão

Por meio de sua a assessoria, a deputada informou que soube da decisão pela imprensa e que as contas de sua campanha já haviam sido aprovadas pelo TRE-AP. Caberá recurso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Conforme a ação julgada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE-AP) que cassou seu mandato, Silvia teria determinado que uma assessora de campanha repassasse R$ 9 mil para um cirurgião-dentista após receber verba oriunda do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC). A própria assessora levou o caso para o MP.

Maite Luzia, que era coordenadora de campanha de Silvia, narrou à Justiça que recebeu o pagamento pelos seus serviços em 29 de agosto de 2022, mesmo dia em que Silvia acessou os recursos públicos para sua campanha. O dinheiro repassado por ela para a coordenadora foi R$ 20 mil, pelos serviços prestados de coordenação, acrescidos de R$ 15 mil, que supostamente seriam utilizados para despesas de campanha.

O processo também anexa as notas fiscais referentes ao depósito do fundo eleitoral e do valor pago ao cirurgião-dentista em duas parcelas, uma de R$ 7 mil e outra de R$ 2 mil.

Willian, o dentista, afirmou em depoimento em vídeo que a deputada continua em tratamento de harmonização facial, mas que o procedimento que deu início a sequência foi de "emagrecimento facial". O dentista foi procurado pelo Estadão, mas não respondeu.

Em vídeo, a deputada afirmou que o recibo que consta no processo é falso, e refere-se a tratamento dentário, o que segundo ela não foi realizado, tampouco a harmonização facial. Ela nega que esteve no consultório do dentista em companhia da assessora no dia do pagamento - versão desmentida pelo profissional em depoimento.

Estadão
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