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PT gaúcho tenta se reestruturar após fracasso histórico

Dentro do diretório e em parte da administração do governador há o entendimento de que o partido se afastou de suas bases, acomodou-se em espaços de governos e perdeu lugar para outras siglas de esquerda

9 nov 2014
20h51
atualizado às 21h38
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<p>Após sua derrota ao Senado, Olívio Dutra fez um desabafo e disse que o PT tem sérios problemas a serem resolvidos</p>
Após sua derrota ao Senado, Olívio Dutra fez um desabafo e disse que o PT tem sérios problemas a serem resolvidos
Foto: Emílio Pedroso / UPPRS

Após amargar uma série de insucessos eleitorais, o PT do Rio Grande do Sul tenta se reestruturar e retomar bandeiras tradicionais da esquerda. Com mais ênfase do que ocorre nacionalmente, nos próximos meses o PT gaúcho vai tentar se reaproximar dos movimentos sociais, insistir na necessidade da reforma política e defender temas polêmicos como a regulação da mídia, a taxação das grandes fortunas e a maior taxação do sistema financeiro.

Internamente, um balanço da derrota vem sendo feito desde 26 de outubro, e vai se estender até quase o final do ano. “Avaliamos que são necessárias reformas estruturais profundas, e vamos ter essa rearticulação muito forte com os movimentos sociais”, assinala o presidente do diretório estadual do partido, Ary Vanazzi.

<p>Apesar de comedido nas críticas, Tarso também vem dando destaque para a necessidade de refundação do PT</p>
Apesar de comedido nas críticas, Tarso também vem dando destaque para a necessidade de refundação do PT
Foto: Flavia Bemfica / Especial para Terra

Dentro do diretório gaúcho e em parte da administração do governador Tarso Genro (PT), derrotado por José Ivo Sartori (PMDB) em sua tentativa de reeleição, há o entendimento de que o partido se afastou de suas bases, acomodou-se em espaços de governos e perdeu lugar para outras siglas de esquerda que, apesar de menores, mostram uma combatividade que lembra um PT do passado. De quebra, disputas internas e pretensões pessoais sempre voltadas para Brasília estariam impedindo a renovação de lideranças partidárias. “É evidente que foi ruim. Por uma série de motivos, o eleitor não fez a ligação entre a administração Tarso, que é bem avaliada, e o que expressou na urna. Precisamos mudar”, admite um dos integrantes do núcleo da campanha petista ao governo.

A constatação já foi feita publicamente pelo ex-governador Olívio Dutra em diferentes momentos. Na noite em que perdeu a eleição para o Senado, durante a coletiva de imprensa no comitê de campanha, ele chegou a fazer um desabafo, causando certo constrangimento em parte dos presentes quando afirmou que o PT tem problemas sérios a serem resolvidos e que a esquerda brasileira deve para a população um projeto estratégico que precisa ser executado com “alternância interna”. Apesar de mais comedido, Tarso também vem dando destaque para a necessidade de ‘refundação’ do PT, tese que defendeu pela primeira vez quando do escândalo do Mensalão, em 2005.

<p>Jornalista do Grupo RBS há mais de 27 anos e sem experiência política, Lasier Martins venceu Olívio Dutra na disputa pelo Senado</p>
Jornalista do Grupo RBS há mais de 27 anos e sem experiência política, Lasier Martins venceu Olívio Dutra na disputa pelo Senado
Foto: Ascom do candidato / Divulgação

Para um Estado que já teve a capital, Porto Alegre, governada por petistas durante 16 anos e funcionava como uma espécie de vitrine do partido dentro e fora do Brasil, o saldo eleitoral de 2014 foi desastroso. Primeiro, a sigla colocou Olívio (seu ícone no RS) na disputa ao Senado, mas ele perdeu para o estreante Lasier Martins (PDT). Ainda no primeiro turno, a legenda amargou a perda de três cadeiras na Assembleia Legislativa, baixando para 11 seu número de assentos. No segundo turno, a situação piorou. Mesmo fazendo uma campanha sem apresentar propostas concretas para o Estado e apesar da clara vantagem de Tarso nos debates, o peemedebista Sartori venceu a eleição com mais de 60% dos votos válidos. E, nesta semana, em função de julgamento envolvendo outra candidatura, o PT gaúcho perdeu uma das cadeiras na Câmara dos Deputados, encolhendo também no legislativo federal.

Em Porto Alegre, o quadro não é mais animador. Há 10 anos distante do Paço Municipal, na Câmara de Vereadores o partido assistiu seu antigo ‘protagonismo de esquerda’ ser capitaneado primeiro pelo PCdoB e agora pelo PSOL. Dentro dos movimentos sociais, além de PCdoB e PSOL, enfrenta a concorrência do PSTU. Por ora, o plano A para as eleições municipais de 2016 é fazer uma composição com o PCdoB no caso de a deputada Manuela D’Ávila decidir novamente concorrer à prefeitura.

<p>Peemedebista José Ivo Sartori venceu o governador Tarso Genro com mais de 60% dos votos válidos</p>
Peemedebista José Ivo Sartori venceu o governador Tarso Genro com mais de 60% dos votos válidos
Foto: Fernado Teixeira / Futura Press

A composição com Manuela era articulada por Tarso em 2012, mas uma ala do partido ‘gorou’ a estratégia, o PT apresentou candidato próprio (o deputado estadual Adão Villaverde) e fez menos de 10% dos votos. Novas lideranças, como os vereadores Alberto Kopittke e Marcelo Sgarbosa, são apostas para o futuro, porém, no momento, o diretório da capital enfrenta até problemas financeiros: o aluguel da sede municipal na avenida João Pessoa está atrasado desde o início do ano. A direção credita as dificuldades às mudanças no sistema de arrecadação e repasses do PT nacional e à proibição por parte do Banco Central de que partidos políticos utilizem cheque especial. E planeja quitar a dívida até o início de 2015.

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Fonte: Terra
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