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PSDB busca outra empresa após novo app de votação falhar

O problema prolonga o desgaste enfrentado pelo PSDB por não conseguir um desfecho para suas prévias presidenciais

24 nov 2021 11h57
| atualizado às 12h59
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João Doria após votar nas prévias do PSDB em Brasília
21/11/2021
REUTERS/Ueslei Marcelino
João Doria após votar nas prévias do PSDB em Brasília 21/11/2021 REUTERS/Ueslei Marcelino
Foto: Reuters

Os testes com o novo aplicativo de votação do PSDB, feitos durante a madrugada desta quarta-feira (24), não foram considerados "totalmente satisfatórios" pelo comando do partido. Por causa disso, a novela da votação das prévias presidenciais voltou à estaca zero. Os dirigentes tucanos vão se reunir nesta manhã com outras empresas para tentar encontrar uma alternativa para retomar o processo de escolha do candidato da legenda para a disputa presidencial de 2022. A meta original era concluir a votação no próximo domingo (28).

Depois que o aplicativo da Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Faurgs) apresentou falhas nas prévias de domingo (21), o PSDB decidiu procurar outra empresa para executar o serviço. A primeira opção foi a Relatasoft, mas havia a condição de que o aplicativo suportasse bem o "teste de estresse" do sistema ao qual seria submetido. Mas, segundo o PSDB, os resultados atingidos não foram suficientes para sua adoção.

"Em relação à empresa de votação eletrônica para as prévias do PSDB, os testes realizados durante toda noite e madrugada não foram totalmente satisfatórios. Em reuniões confirmadas já para o início dessa manhã, o PSDB e campanhas já programam testes com a nova empresa. Outras entidades também já estão contatadas", informa nota oficial da legenda.

O problema prolonga o desgaste enfrentado pelo PSDB por não conseguir um desfecho para suas prévias presidenciais. Disputam as prévias os governadores João Doria (São Paulo), Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio. E os três candidatos têm deixado clara sua pressa para que uma solução seja encontrada o mais rápido possível, justamente para minimizar o prejuízo político causado à imagem do partido.

Além disso, os tucanos têm se desgastado internamente com a divisão entre os grupos que apoiam especialmente as campanhas de Doria e Leite. O escolhido pelas prévias terá o desafio de, antes de impulsionar sua campanha presidencial, curar as feridas causadas entre os tucanos por conta do acirramento da disputa pela vaga de candidato.

Uso de aplicativo provocou divergências nas campanhas

O uso da plataforma de votação remota, que custou cerca de R$ 1,3 milhão ao partido, aprofundou as divergências entre as campanhas de Leite e Doria na última semana. Dos 1,3 milhão de filiados ao PSDB no País todo, porém, apenas 44,6 mil se cadastraram para escolher o candidato tucano em 2022. Mesmo assim, poucos conseguiram votar no domingo passado.

Em reunião na semana passada, tucanos expuseram dúvidas em relação à votação por aplicativo. O deputado federal Jutahy Júnior (BA), que é aliado de Leite, chegou a pedir o adiamento da votação diante de coordenadores da campanha de Doria, que reagiram contrariamente. Segundo afirmou Jutahy, as prévias não poderiam ocorrer diante de falhas no aplicativo, que foi desenvolvido especialmente para o processo pela Faurgs.

Desde que a plataforma foi lançada surgiram reclamações relacionadas a seu funcionamento. O Estadão mostrou no início do mês que, segundo o presidente do PSDB paulistano, Fernando Alfredo, muitos filiados não estavam conseguindo baixar o aplicativo por terem celulares antigos, sem memória, ou mesmo por não terem pacotes de dados suficientes. Existem ainda casos de pessoas que não têm familiaridade com esse tipo de tecnologia ou que tentaram fazer o cadastramento, mas não conseguiram por motivos técnicos. Além disso, tucanos também denunciaram risco de fraude no sistema.

Resultado vai influenciar definições do centro político em 2022

O resultado das prévias do partido, nas quais disputam efetivamente os governadores Doria e Leite, deverá influenciar no processo de concentração ou expansão de outras pré-candidaturas colocadas no chamado centro político.

Após dois meses de campanha oficial, os concorrentes tucanos ainda são vistos com ceticismo pelos partidos e lideranças que buscam alternativas eleitorais à polarização entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), líder das pesquisas de intenção de voto, e o atual presidente, Jair Bolsonaro.

Tanto Doria quanto Leite afirmam que estão abertos a uma aliança que não tenha necessariamente o candidato tucano como cabeça de chapa, mas o primeiro passo concreto nesse sentido vai ocorrer nos dias seguintes à divulgação do resultado. O vencedor das prévias deve fazer gestos no sentido de união das forças de centro.

Estadão
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