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Prisão de Perillo evita recebimento de eventual saldo de propina, diz juiz

10 out 2018
20h14
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Ao decretar a prisão preventiva do ex-governador de Goiás Marconi Perillo (PSDB), o juiz Rafael Ângelo Slomp, da 11.ª Vara Federal Criminal, em Goiânia, afirmou que a medida é necessária para prevenir o envolvimento do tucano em outros atos de recebimento de valores e de eventual saldo de propina. A prisão do tucano é um desdobramento da operação Cash Delivery.

Perillo foi preso nesta quarta-feira, 10, ao chegar na Superintendência da PF, em Goiânia, para prestar depoimento sobre as acusações de delatores da Odebrecht Fernando Reis e Alexandre Barradas. Em suas delações, eles citaram repasses de R$ 10 milhões a Perillo - R$ 2 milhões na eleição de 2010 e R$ 8 milhões em 2014.

"Observada a quantidade de propina descrita na representação policial, associada à apreensão ocorrida na fase ostensiva da operação (mais de R$ 1 milhão), somada à extensão temporal em que se desenvolveram as práticas delitivas, torna imprescindível a decretação da custódia cautelar com amparo na garantia da ordem pública", diz trecho da decisão de Rafael Slomp. O magistrado se refere a Jayme Rincón, ex-tesoureiro do ex-governador, que foi preso cerca de R$ 900 mil em espécie.

A informação sobre a prisão foi confirmada pela assessoria de Perillo e pelo seu advogado, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay. De acordo com o advogado, "não há absolutamente nenhum fato novo que justifique o decreto do ex-governador Marconi Perillo, principalmente pelas mencionadas decisões anteriores que já afastaram a necessidade de prisão neste momento".

No pedido de prisão de Perillo, a Procuradoria afirma que Perillo "montou e mantêm" uma sofisticada "rede de lavagem de dinheiro, formada por empresas parceiras para ocultar a origem da propina recebida, não só, da Odebrecht".

Os valores movimentados pelo grupo, diz o Ministério Público Federal, seriam utilizados para "comprar o apoio político de 66 candidatos aliados, na forma de financiamento fraudulentamente dissimulado como oficial de suas respectivas campanhas eleitorais".

Defesa

Em nota, a defesa do ex-governador de Goiás afirmou: "A Defesa de Marconi Perillo, perplexa, vem registrar a completa indignação com o decreto de prisão na data de hoje. O Tribunal Regional da Primeira Região já concedeu duas liminares para determinar a liberdade de duas outras pessoas presas nessa mesma operação, através de decisões de duas ilustres desembargadores. O novo decreto de prisão é praticamente um 'copia e cola' de outra decisão de prisão já revogada por determinação do TRF 1. Não há absolutamente nenhum fato novo que justifique o decreto do ex Governador Marconi Perillo, principalmente pelas mencionadas decisões anteriores que já afastaram a necessidade de prisão neste momento. Na visão da defesa, esta nova prisão constitui uma forma de descumprimento indireto dos fundamentos das decisões de liberdade concedidas a outros investigados. A defesa acredita no Poder Judiciário e reitera que uma prisão por fatos supostamente ocorridos em 2010 e 2014, na palavra isolada dos delatores, afronta pacífica jurisprudência do Supremo, que não admite prisão por fatos que não tenham contemporaneidade. Marconi Perillo recebeu o decreto de prisão quando estava iniciando o seu depoimento no departamento de Polícia Federal e optou por manter o depoimento por ser o principal interessado no esclarecimento dos fatos."

Estadão Conteúdo

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