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Políticos comentam nas redes sociais soltura de Lula e prisão em 2ª instância

10 nov 2019
18h23
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Parlamentares tanto da oposição quanto aliados ao governo utilizaram as redes sociais neste domingo, 10, para comentar sobre a soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e normativa de prisão após a segunda instância. De manifestações calorosas a amenas, deputados federais, lideranças políticas e senadores expuseram suas opiniões sobre o tema em suas contas oficiais do Twitter.

Do lado da oposição, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) disse que "fica impressionado com o medo que tanta gente armada tem de um homem desarmado", sem citar nominalmente o ex-presidente e nem mencionar adversários políticos. A presidente do Partido dos Trabalhadores, deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) afirmou que Lula é o maior líder político da história do País. "Querer dizer que Lula é Bolsonaro no sentido oposto é muita desfaçatez! Lula é o maior líder político popular da história do Brasil, um democrata que tem posições firmes em defesa do povo e dos trabalhadores", escreveu a deputada.

Líder do PT no Senado, Humberto Costa (PT), ressaltou que Lula foi "vítima de uma injustiça" e que voltou para defender o País. "Lula voltou e com ele a alegria do povo brasileiro. Vítima de uma injustiça, o ex-presidente Lula segue mais firme do que nunca na defesa de um país melhor para todos", escreveu Costa. "Lula é um guerreiro. Depois de 580 dias de uma prisão política, ele saiu com ainda mais energia para lutar pelo povo", acrescentou o senador.

Também senador petista Jaques Wagner (PT-BA) disse que Lula está livre para lutar ao lado do povo brasileiro. "Ao invés de ódio, rancor ou vingança, o Presidente Lula reencontra a liberdade com ainda mais coragem de lutar ao lado do povo brasileiro. E disse não desejar nada além do compromisso de construir coletivamente esse país com a mesma alegria e conciliação que marcaram os anos do seu governo", afirmou o ex-governador baiano. Na mesma linha, a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) enfatizou que o ex-presidente agora está livre "lutando pelo povo brasileiro". "Os ricos no #Brasil jamais vão conseguir entender o que significa Lula para o povo brasileiro. Lula é a expressão do coletivo, da solidariedade, da justiça social e não do individualismo, do ódio e da ganância", afirmou a parlamentar.

Já o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB-/MA), criticou as falas recentes do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro. "Descumpre a Constituição e desafia o Supremo quem diz que Lula é um "criminoso". Afinal, a presunção de inocência só deixa de existir com o TRÂNSITO EM JULGADO de uma sentença condenatória. Autoridades devem dar exemplo e respeitar a Constituição, as leis e as decisões do Supremo", argumentou Dino. Sem mencionar o ex-presidente Lula, o senador Roberto Requião (MDB-PR), também se dirigiu a Moro. "Se Sérgio Moro tivesse a mínima noção de direito saberia que não pode chamar ninguém de bandido antes do trânsito em julgado. Crime de calúnia", escreveu o senador.

Do outro lado, parlamentares ligados ao governo do presidente Jair Bolsonaro, enfatizaram a sua posição favorável à prisão após julgamento em segunda instância e contrária às ideias do ex-presidente Lula. "Lula está solto, mas ainda é condenado. Ele voltará para a cadeia, a não ser que os atuais poderosos consigam novo acordo para livrar o petista em troca da salvação de um pescoço amado", disse a deputada federal Joice Hasselmann (PSL/SP). "Fato é: LULA É INIMIGO DO BRASIL! A polarização não será entre duas pessoas. Será entre ele e a nação", acrescentou a ex-líder do governo na Câmara dos deputados.

Também deputado federal pelo PSL, o príncipe Luiz Philippe de Orléans e Bragança, atacou o movimento do ex-presidente Lula de se manifestar sobre as eleições. "O criminoso em liberdade age conforme o plano: recém egresso do cárcere já distribui apoio a candidatos para eleições municipais 2020. A prioridade não é vitória ideológica mas sim voltar ter acesso a orçamento público para financiar os passos seguintes", disse Orléans e Bragança.

O senador Major Olímpio (PSL-SP) comentou sobre uma foto de José Dirceu e Lula. "Já já estão voltando pra cadeia... Lá podem ficar juntinhos!", disse o senador governista. Vinicius Poit (NOVO-SP), deputado federal, observou que a soltura do ex-presidente Lula "não é o único problema". "Vejam lá, Zé Dirceu, Azeredo, agora Cabral já pleiteando sua soltura. É disso que estamos falando: impunidade dos corruptos. Isso não pode ser tolerado! Será que tem que ser assim? Poderosos recorrendo até chegar no STF e nunca sendo punidos?", questionou o parlamentar, acrescentando que irá defender a Proposta de Emenda Constitucional nº 410 que aborda a prisão após julgamento em segunda instância.

Sobre a prisão em segunda instância, o senador Alvaro Dias (Podemos-PR), afirmou que ontem "milhares de manifestantes foram às ruas" contra a decisão do STF que derrubou a possibilidade de prisão de condenados em segunda instância. "Senadora Juíza Selma já entregou seu relatório favorável à PEC da segunda instância. Projeto está pronto para ser votado nos próximos dias", disse o senador.

Paulo Ganime (Novo-RJ) negou que a sua defesa de prisão em segunda instância seja por conta de Lula e disse que o fazia antes de ser político e o ex-presidente ter sido preso. "Vamos SEMPRE defender a justiça e combater a impunidade e a corrupção!", afirmou o deputado federal.

O deputado federal Ricardo Barros (PP-PR) defendeu uma nova Assembleia Constituinte para assegurar a prisão em segunda instância. "Só a Assembleia Constituinte pode garantir prisão em segunda instância. Irei propor a convocação. Na minha opinião, a presunção de inocência é cláusula pétrea não se altera nem com a Lei e nem com a Emenda Constitucional", argumentou o ex-ministro da Saúde.

A deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP) também demonstrou certo ceticismo quanto à PEC 410. "Entendem quando eu digo que o problema não é a lei? Nossas leis são boas! A questão é que a interpretação muda conforme a oportunidade. Eu não me iludo com PECs ou pacotes..." escreveu a deputada.

Estadão
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