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Para Joice Hasselmann, crise abriu ferida na relação do governo com Congresso

18 fev 2019
22h01
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A deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) afirmou que a decisão do presidente Jair Bolsonaro de demitir o ministro da Secretaria-Geral, Gustavo Bebianno, foi "pessoal" porque a relação entre os dois "desgastou" e ficou "insustentável". Ela considera que a crise abriu uma ferida na relação do governo com o Congresso, mas que o vídeo de agradecimento de Bolsonaro a Bebianno "é um começo" e "demonstra hombridade".

"A relação ali (entre Bolsonaro e Bebianno) ficou aquela coisa do casamento que está acabando, uma relação meio que insustentável. Foi uma paixão louca lá trás, os dois só andavam juntos, do café da manhã ao jantar, e de repente a relação se desgastou e aí vem o divórcio. O problema é que o divórcio veio com o escândalo. Não precisa chamar os vizinhos para discutir o divórcio", disse a parlamentar.

Ela comparou o caso de Bebianno com o do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio. Ele e Bebianno são alvos de suspeitas de participação em esquema de uso de laranjas pelo PSL em 2018, mas Álvaro Antônio continua no cargo.

"Acho que foi uma questão mesmo pessoal. O presidente e o Marcelo conseguiram ter uma conversa e conseguiram se acertar. No caso do ministro Bebianno e o presidente, essa conversa não aconteceu, não pelo menos para que a paz viesse. Pelo que eu sei, a última conversa foi bem tensa", contou a deputada sobre a reunião que Bolsonaro e Bebianno tiveram na última sexta, 15.

Antes de visitar Bebianno no hotel onde ele mora, em Brasília, na noite de hoje, Joice voltou a criticar a condução do processo de demissão do ministro, que terminou após três dias de impasse.

"Você não pega uma fratura e transforma ela numa fatura exposta. Quando você tem uma fratura, você põe um gesso, você põe no lugar, você faz tudo direito, e a coisa estava se encaminhando para uma fratura exposta, por isso eu acabei entrando nessa confusão toda."

Segundo Joice, a postura de Bolsonaro diante do caso pode prejudicar a relação com o Congresso e agora é preciso "azeitar" essa relação. Ela já procurou líderes e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para "acalmar os ânimos". "Vamos sepultar esse episódio e começar a construir tudo de novo. De fato, nós tivemos ali um ferimento, é uma ferida na relação Congresso e governo."

Ela reforçou que, apesar de ser do partido do presidente, "não pode simplesmente dizer que foi tudo feito da melhor maneira politicamente falando". "O presidente da República pode demitir todos os ministros que ele quiser, é uma prerrogativa do presidente. O que impacta a relação com o Congresso é a condução, a forma como foi feita", avaliou.

Estadão

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