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País contempla "atônito" manifestações dos últimos dias, diz Carvalho

19 jun 2013
15h12
atualizado às 15h18
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O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, disse nesta quarta-feira que o País contempla um pouco "atônito" às manifestações que tem tomado as ruas de várias cidades brasileiras nos últimos dias, com centenas de milhares de pessoas, e que os governantes devem ter a "generosidade de saber ouvir" o que estão apontando em termos de descontentamento. "Nós temos que entender isso, se não seremos atropelados pela história."

Segundo Carvalho, as manifestações não expressam apenas necessidades materiais, mas um reposicionamento da sociedade no sentido de participar ativamente das decisões. "É extremamente saudável que a juventude esteja manifestando nesses dias esse desejo, mais do que desejo, esse imperativo de participar, de dar conta e de exigência de um novo padrão de vida."

Durante o encontro Diálogos Governo e Sociedade Civil: Fundo Amazônia, no Palácio do Planalto, o ministro disse que o País assiste a um amplo processo de mobilização de massas e que o clima é muito propício para um processo de entendimento e de um novo padrão de participação da sociedade.

Carvalho ressaltou também que, apesar das manifestações pacíficas em sua maior parte, o governo vai conter as ações indevidas. "Entre pacifistas, há aqueles que se aproveitam também para promover uma série de violências que nós absolutamente não podemos endossar, nem aprovar e, pelo contrário, temos que mobilizar os setores mais amplos pra tentar conter as manifestações que são indevidas."

Cenas de guerra nos protestos em SP
A cidade de São Paulo enfrenta protestos contra o aumento na tarifa do transporte público desde o dia 6 de junho. Manifestantes e policiais entraram em confronto em diferentes ocasiões e ruas do centro se transformaram em cenários de guerra.

Durante os atos, portas de agências bancárias e estabelecimentos comerciais foram quebrados, ônibus, prédios, muros e monumentos pichados e lixeiras incendiadas. Os manifestantes alegam que reagem à repressão da polícia, que age de maneira truculenta para tentar conter ou dispersar os protestos.

Veja a cronologia e mais detalhes sobre os protestos em SP

Mais de 250 pessoas foram presas durante as manifestações, muitas sob acusação de depredação de patrimônio público e formação de quadrilha. A mobilização ganhou força a partir do dia 13 de junho, quando o protesto foi marcado pela repressão opressiva. Bombas de gás lacrimogêneo lançadas pela Polícia Militar na rua da Consolação deram início a uma sequência de atos violentos por parte das forças de segurança, que se espalharam pelo centro.

O cenário foi de caos: manifestantes e pessoas pegas de surpresa pelo protesto correndo para todos os lados tentando se proteger; motoristas e passageiros de ônibus inalando gás de pimenta sem ter como fugir em meio ao trânsito; e vários jornalistas, que cobriam o protesto, detidos, ameaçados ou agredidos.

As agressões da polícia repercutiram negativamente na imprensa e também nas redes sociais. Vítimas e testemunhas da ação violenta divulgaram relatos, fotografias e vídeos na internet. A mobilização ultrapassou as fronteiras do País e ganhou as ruas de várias cidades do mundo. Dezenas de manifestações foram organizadas em outros países em apoio aos protestos em São Paulo e repúdio à ação violenta da Polícia Militar. Eventos foram marcados pelas redes sociais em quase 30 cidades da Europa, Estados Unidos e América Latina.

As passagens de ônibus, metrô e trem da cidade de São Paulo passaram a custar R$ 3,20 no dia 2 de junho. A tarifa anterior, de R$ 3, vigorava desde janeiro de 2011. Segundo a administração paulista, caso fosse feito o reajuste com base na inflação acumulada no período, aferido pelo IPC/Fipe, o valor chegaria a R$ 3,40.

O prefeito da capital havia declarado que o reajuste poderia ser menor caso o Congresso aprovasse a desoneração do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) para o transporte público. A proposta foi aprovada, mas não houve manifestação da administração municipal sobre redução das tarifas.

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Agência Brasil Agência Brasil
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