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Política

Morre o sociólogo Luiz Werneck Vianna, professor da PUC-RJ e militante contra a ditadura

Autor do clássico Liberalismo e Sindicato no Brasil, Werneck Vianna contribuiu com diversos textos de opinião para o Estadão e outros veículos de comunicação

21 fev 2024 - 20h49
(atualizado às 20h52)
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O cientista social Luiz Werneck Vianna morreu nesta quarta-feira, 21, no Rio de Janeiro, aos 86 anos. Autor do clássico Liberalismo e Sindicato no Brasil (Editora Paz e Terra, 1976), atuou em mais de uma dezena de instituições universitárias pelo País. Atualmente, era professor do Departamento de Sociologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), contribuindo com textos de opinião para o Estadão e outros veículos de comunicação.

Nascido em 1938 no Rio, Werneck Vianna foi criado no bairro de Ipanema, na zona sul do Rio, e frequentou colégios de elite, como Santo Inácio, Andrews, Pedro II e Anglo-Americano. No ano de 1958, ingressou na faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), concluindo o curso em 1962. Também graduou-se em ciências sociais na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1967.

O cientista social Luiz Werneck Vianna morreu nesta quarta-feira, 21, no Rio de Janeiro, aos 86 anos.
O cientista social Luiz Werneck Vianna morreu nesta quarta-feira, 21, no Rio de Janeiro, aos 86 anos.
Foto: FABIO MOTTA/ESTADÃO / Estadão

No início da década de 1960, entrou para o Partido Comunista Brasileiro (PCB), sendo perseguindo pela ditadura militar (1964-1985) a partir de 1968, quando cursava mestrado no Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ). "As aulas começaram em 1969, mas não deu para completar o curso porque faltando um semestre pra finalizá-lo fui 'selecionado' pelo DOI-Coi para participar de uma temporada com eles e não aquiesci, me escondi. Essa minha corrida me levou a São Paulo, e de São Paulo fui para o Chile", relatou Werneck Vianna em entrevista concebida a Celso Castro e Lúcia Lippi Oliveira em 2005.

Werneck Vianna retornou de seu exílio no Chile em 1971, sendo detido por seis meses após chegar no Brasil. Após sair da prisão, atuou como advogado de presos políticos. Em São Paulo, foi acolhido por Carlos Estevão, Fernando Henrique Cardoso e Francisco Weffort. Ao lado de FHC, trabalhou no Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap). Além disso, foi orientado por Weffort durante o seu doutorado em Sociologia na Universidade de São Paulo (USP).

No ano de 1974, Werneck Vianna colaborou na formulação do programa político do Movimento Democrático Brasileiro (MDB). No ano seguinte, fugindo da repressão ao Partido Comunista do Brasil na capital paulista, retornou ao Rio e, escondido na casa do dramaturgo Paulo Pontes, companheiro da época de CPC, escreveu sua tese "Liberalismo e Sindicato no Brasil.

Em nota, o Cidadania lamentou a morte do professor da PUC-RJ. "Intelectual da mais alta qualidade, sempre teve o entendimento de que a política feita de maneira honesta e transparente e baseada na busca de consensos é o único caminho para o desenvolvimento social e econômico de uma Nação", diz o texto.

O Observatório das Metrópoles, da UFRJ, também repercutiu o falecimento. "Werneck, importante figura intelectual no Brasil e na América Latina, deixa um legado imensurável de estudos e análises sobre a sociedade brasileira, com destaque para sua obra seminal 'A Revolução Passiva'", declarou a instituição por meio de nota.

Principais Obras:

  • Liberalismo e Sindicato no Brasil (1976);
  • A Revolução Passiva- iberismo e americanismo no Brasil (1997);
  • A Judicialização da Política e das Relações Sociais (1998);
  • A Democracia e os três poderes no Brasil (2002);
  • A Modernização e o Moderno (20012); entre outros.

Recebeu os seguintes prêmios:

  • Sergio Buarque de Holanda, em 1997
  • Florestan Fernandes, da Sociedade Brasileira de Sociologia (2012)
  • Prêmio ANPOCS de Excelência Acadêmica Antonio Flavio Pierucci em Sociologia, da Associação Nacional de Pós Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (ANPOCS) (2014)
Estadão
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