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Lula dá depoimento a Moro como réu da Lava Jato: veja como foi o dia em Curitiba

10 mai 2017
21h02
atualizado em 11/5/2017 às 10h56
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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve, nesta quarta-feira, seu primeiro encontro com o Sergio Moro, juiz da operação Lava Jato na primeira instância e, com isso, responsável por julgar os processos contra ele no caso.

Lula chegou à Curitiba abraçado por manifestantes e cercado de fotógrafos; o depoimento durou mais de 5h
Lula chegou à Curitiba abraçado por manifestantes e cercado de fotógrafos; o depoimento durou mais de 5h
Foto: Filipe Araujo / BBCBrasil.com

Réu de três ações sob a alçada do magistrado, o petista desta vez foi interrogado sobre as acusações de que recebeu vantagens indevidas das empreiteiras OAS em troca de contratos com a Petrobras.

Segundo o Ministério Público Federal, a companhia pagou R$ 3,7 milhões a Lula por meio da reserva e reforma de um tríplex no Guarujá, no litoral de São Paulo, e pelo custeio do armazenamento de seus bens depois que o petista deixou a Presidência.

Lula nega ser proprietário do imóvel e que tenha recebido propina da OAS.

O depoimento ocorreu em meio a um clima de expectativa - a defesa do ex-presidente tem afirmado constantemente que ele é vítima de "um histórico de perseguição e violação às garantias fundamentais pelo juiz de Curitiba", e chegaram a pedir que Moro fosse afastado do caso. O magistrado refuta as acusações - e a solicitação foi negada pela instância superior.

Policiamento maciço fazia segurança do prédio da Justiça Federal para a chegada de Lula
Policiamento maciço fazia segurança do prédio da Justiça Federal para a chegada de Lula
Foto: Lula Marques / AGPT / BBCBrasil.com

Lula ficou cerca de cinco horas no prédio da Justiça Federal.

Nos primeiros trechos tornados públicos, Lula é questionado sobre o tríplex e diz que "nunca houve a intenção de adquirir" o apartamento de três andares, só uma unidade simples no prédio. Também diz que chegou a visitar o tríplex mas nunca teve a intenção de comprá-lo - apesar da insistência do executivo da OAS Leo Pinheiro.

"Leo estava querendo vender o apartamento e o senhor sabe que, como todo e qualquer vendedor, (ele queria) vender de qualquer jeito. Eu disse ao Leo que o apartamento tinha 500 defeitos", afirmou Lula.

Já Leo Pinheiro havia dito à Justiça que o apartamento sempre pertenceu a Lula, apesar de no papel estar no nome da OAS, e que "tinha a orientação de não colocá-lo à venda porque pertencia à família do ex-presidente".

Lula também negou que tivesse pedido a Leo Pinheiro que destruísse provas - algo que o executivo da OAS havia declarado em depoimento.

Outdoor em Curitiba para recepcionar Lula na cidade
Outdoor em Curitiba para recepcionar Lula na cidade
Foto: EFE / BBCBrasil.com

O advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins, disse após o depoimento desta quarta que "o que vimos hoje no tribunal foi um ataque com motivações políticas" e criticou Moro, chamando a audiência de "farsa" e "um ataque à democracia".

Moro, durante a audiência, disse a Lula que ele foi "tratado com respeito" durante os procedimentos judiciais e que ele será julgado "com base na lei".

Milhares de apoiadores aguardavam o fim do depoimento em uma praça a poucos quilômetros do prédio da Justiça Federal, onde Lula discursou após falar à Justiça.

Agradeceu aos manifestantes por "apoiarem uma pessoa que está sendo massacrada" e disse que está se preparando "para voltar a ser candidato a presidente desse país. Nunca tive tanta vontade, vontade de fazer melhor, de fazer mais, e provar que se a elite brasileira não tem competência pra consertar este país, o metalúrgico primário vai provar que e possível consertar este país."

Foto: Ricardo Stuckert / BBCBrasil.com

Cerco policial

Diante da tensão entre apoiadores e críticos de Lula, o acesso ao edifício estava fechado desde a noite de terça, quando manifestantes chegaram em maior número à cidade.

Havia temores de confrontos entre grupos favoráveis ao ex-presidente e contrários a ele, o que acabou não se confirmando diante do forte policiamento.

Apoiadores de Lula se concentraram no acampamento da Frente Brasil Popular, que reúne vários movimentos sociais, próximo à rodoviária.

Críticos ao petista eram em menor número - após vídeo de Moro pedindo que os simpatizantes da Lava Jato ficassem em casa, vários grupos decidiram não ir a Curitiba.

O local ficou cercado por policiais, e os manifestantes pró e contra Lula foram mantidos afastados entre si e do acesso à Justiça Federal.

Durante o depoimento, a imprensa ficou em um espaço reservado situado distante do prédio. Os moradores do grande perímetro cercado foram escoltados por agentes para entrar e sair de casa - todos tiveram que comprovar residência na região e cadastrar seus veículos para conseguir usá-los.

Manifestantes exaltam o juiz Sergio Moro nas ruas de Curitiba nesta quarta
Manifestantes exaltam o juiz Sergio Moro nas ruas de Curitiba nesta quarta
Foto: BBC Brasil / BBCBrasil.com

Impacto político

Ao aterrissar em Curitiba, Lula foi recebido por petistas e posou para fotos e vídeos com correligionários como a senadora Gleisi Hoffmann, o deputado federal Zeca Dirceu e o presidente do partido, Rui Falcão.

O ex-presidente chegou ao prédio da Justiça Federal acompanhado de militantes por volta das 13h45, reforçando o caráter político que o depoimento assumiu.

Segundo especialistas entrevistados pela BBC Brasil, era pequena a possibilidade de o interrogatório ter relevância jurídica para o processo contra o ex-presidente.

Já o impacto político poderia ser expressivo.

Líder nas pesquisas de intenções de voto para as eleições de 2018, Lula pode ser impedido de concorrer tenha uma condenação em segunda instância até o pleito, e tem adotado o discurso de que é perseguido pela Lava Jato.

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