0

Janaina avalia demora de exoneração como 'inadequada'

Deputadas do PSL não opinaram sobre a demissão, mas sim a maneira como o presidente Bolsonaro tem encaminhado a crise com Gustavo Bebianno

18 fev 2019
17h58
atualizado às 18h19
  • separator
  • comentários

A deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP) afirmou nesta segunda-feira, 18, que considera "inadequada" a demora do presidente Jair Bolsonaro em tomar uma decisão a respeito da demissão ou não de Gustavo Bebianno do cargo de secretário-geral da Presidência da República.

"É inadequado que o presidente deixe essa situação se estender por tanto tempo. Decidiu demitir, demite, pra gerar um pouco mais de estabilidade para o País", disse a jornalistas, após participar de almoço da bancada paulista do partido com a Fiesp. "Porque (se tomar a decisão de forma rápida) não fica essa situação desconfortável para todas as partes e de insegurança para o País", disse.

A deputada estadual eleita Janaina Paschoal (PSL-SP) em dia em que o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, deu início a encontros com bancadas eleitas pelo Estado, na sede da entidade, na Avenida Paulista, em São Paulo, nesta segunda-feira, 18.
A deputada estadual eleita Janaina Paschoal (PSL-SP) em dia em que o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, deu início a encontros com bancadas eleitas pelo Estado, na sede da entidade, na Avenida Paulista, em São Paulo, nesta segunda-feira, 18.
Foto: MARCELO CHELLO/CJPRESS / Estadão

Janaina evitou afirmar se é a favor ou não da demissão, argumentando que essa não é uma decisão que cabe a ela. No entanto, quis ressaltar, "para ser justa", que Bebianno, enquanto presidente do partido, não tem controle de como o dinheiro do partido é distribuído na ponta final, em referência ao caso de candidatas laranjas.

"Do ponto de vista de uma ilicitude, eu não vejo uma responsabilidade dele. A responsabilidade da assinatura todo gestor tem. Pelo que venho à tona não tem ilicitude, então não justifica muito (a demissão)", disse. "Eu atribuo esse episódio mais a uma questão pessoal do Bebianno com o presidente".

Para ela, parece haver um desgaste na relação dos dois. "Aparentemente não há mais confiança. Ele não está saindo ou vai sair por um caso de ilicitude, mas por perda de confiança", afirmou. A deputada disse também que não acredita que haja um movimento de migração da família Bolsonaro para um novo partido que está sendo criado com a sigla UDN (União Democrática Nacional). "Eu estive com o Eduardo (Bolsonaro, deputado federal pelo PSL de São Paulo) e ele me disse que não existe isso", afirmou. "Se há, eu não estou sabendo", acrescentou. Para Janaina, o ideal seria que o Brasil permitisse a candidatura avulsa, sem necessidade de vinculação partidária.

Já a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) afirmou que o governo Jair Bolsonaro está com uma "queimadura de terceiro grau", após a crise interna gerada pelo episódio. Joice teme, inclusive, qual será a postura de aliados do Congresso depois do que ela chamou de "fritura pública" de Bebianno.

"Não se trata de ser contra ou a favor (de Bebianno), mas da forma como tudo foi conduzido. No Congresso e no partido há um clima de apreensão. Não se pode passar o recado a aliados de que essa fritura pública pode acontecer com qualquer pessoa", disse a deputada, depois de almoço da bancada paulista com a Fiesp. "Agora vamos ver como vamos colocar uma gaze úmida nessa queimadura de terceiro grau", disse.

Para ela, a situação que se criou é delicada e desnecessária. "Poderia demitir quem quer que fosse, inclusive o Bebianno, mas chama entre quatro paredes, manda embora e acabou", declarou a deputada, que afirmou ter dito ao presidente que comunicação não é o que ele diz, mas o que as pessoas entendem.

Joice disse também que seria ingênua se não admitisse o risco de uma retaliação de Bebianno. "Ele não disse nada publicamente, mas mesmo o cachorro mais leal, se você chuta uma, duas, três vezes, na quarta ele te morde", afirmou.

Na opinião dela, há tempo de evitar dano maior. "Isso gerou fratura no núcleo duro do governo, cabe agora construir uma saída".

Estadão

compartilhe

comente

  • comentários
publicidade