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Governo tenta conter crise após demissão na Apex: "desmonte"

Alex Carreiro deixou o cargo em apenas uma semana depois de sua nomeação na Agência de Promoção de Exportações; Mário Vilalva assume

10 jan 2019
08h24
atualizado às 09h17
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O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, anunciou na quarta-feira a saída do presidente da Agência de Promoção de Exportações (Apex), Alex Carreiro, apenas um semana depois de sua nomeação, e a troca pelo experiente embaixador Mário Vilalva, para tentar resolver um terremoto provocado na agência.

Sem qualquer experiência em comércio exterior e promoção comercial, e sem ter ocupado qualquer cargo relevante na administração federal, - e, segundo comentários internos, sem saber falar bem inglês - Carreiro, que foi assessor do PSL no Congresso, chegou ao cargo por sua amizade com o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), um dos filhos do presidente Jair Bolsonaro.

"O sr. Alex Carreiro pediu-me o encerramento de suas funções como presidente da Apex. Agradeço sua importante contribuição na transição e no início do governo. Levei ao presidente Bolsonaro o nome do embaixador Mário Vilalva, com ampla experiência em promoção de exportações, para presidente da Apex", escreveu Araújo em sua conta no Twitter.

Chanceler Ernesto Araújo 22/11/2018 REUTERS/Adriano Machado
Chanceler Ernesto Araújo 22/11/2018 REUTERS/Adriano Machado
Foto: Reuters

Em seu primeiro dia no cargo, uma das medidas iniciais de Carreiro foi a demissão de 17 servidores, alguns com mais de 10 anos de casa, contaram à "Reuters" fontes que acompanharam de perto a crise na Apex. Carreiro ainda havia prometido para a próxima semana a demissão de mais 19 pessoas, o que levaria a mais de 10% do efetivo da agência.

A alegação, disse uma das fontes, era a "despetização" da agência. No entanto, apenas uma das pessoas demitidas até agora teria relação real com o PT - era irmão de um ex-assessor da ex-presidente Dilma Rousseff.

"Foi um massacre, nunca vi coisa assim. Era um desmonte completo", disse uma das fontes.

A desestruturação da agência e as reclamações contra Carreiro - não apenas por parte de servidores, mas também de empresários e diplomatas - teriam chegado aos gabinetes do Palácio do Planalto e levaram à revisão da indicação do presidente da Apex, na primeira demissão de um nomeado pelo governo Bolsonaro.

Não foi possível fazer contato com Carreiro para pedir comentários sobre a demissão.

Vilalva, indicado para substituir Carreiro, retoma o caminho tradicional da Apex, e sua indicação foi feita para tentar diminuir os ruídos dentro da agência.

Atual embaixador em Berlim, o diplomata entrou no Itamaraty em 1976 e já serviu nas embaixadas em Washington, Roma, Lisboa e Santiago, entre outras. Entre 2000 e 2006 foi o diretor-geral do Departamento de Promoção Comercial do Itamaraty.

Dona de um orçamento independente de R$ 650 milhões oriundo do Sistema S, a Apex tem a função de organizar missões e feiras no exterior para promoção dos produtos brasileiros. A agência é tradicionalmente ligada ao Itamaraty.

Na reestruturação promovida pelo atual governo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, tentou levar a agência para sua alçada, mas perdeu a disputa. A Apex se manteve no Itamaraty, com o apoio dos filhos do presidente Bolsonaro.

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