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Governistas distorcem motivo de bloqueio de perfis em redes sociais

11 jul 2020
08h24
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O presidente Jair Bolsonaro distorceu os critérios adotados pelo Facebook quando disse que a plataforma derrubou apenas páginas de seus seguidores. Embora o discurso adotado por Bolsonaro tenha sido de que a rede social persegue militantes de direita, o comunicado do Facebook destacou que a remoção de 73 contas da plataforma, quarta-feira, 8, não foi tomada com base nos conteúdos publicados, mas, sim, em comportamentos considerados nocivos ao debate público.

Na prática, foram identificadas e removidas 35 contas do Facebook e 38 do Instagram, o que dá o total de 73, além de 14 páginas e 1 grupo. O Facebook agiu com base no que chama de Comportamento Inautêntico Coordenado (CIB, na sigla em inglês), sem indicar se as mensagens disseminadas pelos perfis seriam ou não fake news. A rede de páginas alcançada pela medida, porém, flerta com conteúdos enganosos e discurso de ódio.

"Quando investigamos e removemos essas páginas, focamos no comportamento, e não no conteúdo, independentemente de quem está por trás delas, o que elas publicam ou se são estrangeiras ou nacionais", diz comunicado do Facebook.

Na quarta-feira, 8, a plataforma tirou do ar redes de desinformação em vários países, como nos Estados Unidos. Derrubou também páginas de apoiadores do ex-presidente do Equador Rafael Correa, que é de esquerda, e um dos poucos na América do Sul a dar aval ao colega da Venezuela, Nicolás Maduro.

O Facebook define regras de conduta que devem ser seguidas pelos usuários. Entre os comportamentos proibidos estão usar contas falsas, encobrir a finalidade de uma página, falsificar identidade e aumentar artificialmente a popularidade do conteúdo.

A investigação mostrou casos em que mantenedores de perfis de apoio a Bolsonaro também controlavam páginas que se passavam por jornais e eram usadas para dar vazão a conteúdos partidários. "Ainda que as pessoas por trás dessa atividade tentassem ocultar suas identidades e coordenação, nossa investigação encontrou ligações com pessoas associadas ao PSL (partido pelo qual Bolsonaro foi eleito) e a alguns dos funcionários nos gabinetes de Anderson Moraes, Alana Passos, Eduardo Bolsonaro, Flávio Bolsonaro e Jair Bolsonaro", informou a empresa.

Para o presidente, seus filhos e aliados, no entanto, o Facebook violou a liberdade de expressão de militantes de direita. "No Brasil, sobrou para quem está do meu lado, para quem é simpático a minha pessoa. E parece que a esquerda fica aí posando de moralista, de propagadores da verdade", disse Bolsonaro em transmissão ao vivo feita anteontem à noite.

Os filhos do presidente foram na mesma linha quando reagiram ao bloqueio. Irritado, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) postou um comentário no Twitter, anteontem, no qual disse estar "cagando" para o "lixo" das fake news.

O assessor especial da Presidência Tercio Arnaud Tomaz é um dos responsáveis por movimentar perfis considerados falsos. Tercio integra o chamado "gabinete do ódio", instalado no Planalto. O grupo, comandado por Carlos, é responsável por alimentar um estilo beligerante nas redes sociais. A existência do "gabinete do ódio", com esta nomenclatura, foi revelada pelo Estadão em 19 de setembro do ano passado.

"Muita gente achando que o Facebook removeu as páginas por causa do conteúdo, mas a raiz da análise não está no comportamento (e sim) no ato de criar contas falsas que se retroalimentam", argumentou o professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Carlos Affonso Souza. Procurada, a Secretaria de Comunicação da Presidência não se manifestou até o fechamento desta edição.

WhatsApp bloqueia dez canais do PT

Dez canais administrados pelo PT no WhatsApp estão bloqueados há duas semanas, após envio de "mensagens em massa ou automatizadas" que violam termos de serviço. Entre as contas banidas está o principal grupo de divulgação de notícias do partido no aplicativo, o "Zap do PT". A sigla disse que não divulga desinformação nos canais nem faz disparos em massa.V

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Estadão
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