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Líderes do PSL discutem 'disputa' entre Bolsonaro e Maia

Líder do governo na Câmara usou WhatsApp para criticar a chamada 'velha política' logo após visitar o presidente

24 mar 2019
21h50
atualizado em 25/3/2019 às 08h54
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BRASÍLIA - Diante do clima tenso entre o presidente Jair Bolsonaro e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO), usou o grupo de WhatsApp do partido para criticar a chamada "velha política", logo após visitar o presidente.

Presidente da Republica, Jair Bolsonaro, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia
Presidente da Republica, Jair Bolsonaro, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia
Foto: Dida Sampaio / Estadão Conteúdo

"Nosso presidente está certo e também convicto de suas atitudes", escreveu o deputado. "As práticas do passado não nos levaram ao caminho em que queremos estar. Todos nós, em particular do PSL, somos agentes para ajudar a mudar a situação em que nos encontramos", escreveu. "Temos a possibilidade de escolher de que lado estar... somos todos a nova política."

Vitor Hugo encaminhou duas mensagens com referência a supostas negociações de cargos nos governos Michel Temer e Dilma Rousseff em troca do apoio do Congresso pela aprovação da reforma como exemplos de "velha política".

A discussão no grupo ao longo do dia foi intensa. Deputados reclamaram que só o DEM tem espaço na Esplanada e protestaram pela falta de proximidade com o governo. A manifestação do líder do governo na Câmara é mais um capítulo da turbulenta relação que Executivo e Legislativo estão passando depois que Maia cobrou um maior empenho do governo para a aprovação da reforma da Previdência.

Irritado com ataques de bolsonaristas nas redes sociais, Maia disse ao Estado que o governo é um "deserto de ideias". O presidente rebateu dizendo que o perdoava "pela situação pessoal que vive" - numa referência a prisão do padrasto da mulher de Maia, o ex-ministro Moreira Franco.

No fim da tarde, Vitor Hugo voltou a publicar no grupo. Desta vez em um tom mais apaziguador, com referência à importância de Maia para a aprovação da reforma da Previdência. "O apoio do Maia é importante para a aprovação da Nova Previdência e também do pacote de lei anticrime. Ele mesmo tem sinalizado que cabe ao governo montar sua base e queremos crer que o PSL é pedra fundamental nesse processo", afirmou.

Ele contou que esteve reunido ao longo da semana com Maia e que também conversou com o ministro da Justiça, Sérgio Moro. "Nesse momento tenso, precisamos buscar pontes."

Deputado de primeiro mandato, mas com experiência técnica na Câmara, Vitor Hugo tem trabalhado para vencer a falta de vivência política para exercer a função de líder do governo. Ele convocou uma reunião da bancada para esta segunda. A reportagem tentou contato com o deputado mas não teve retorno.

Já o líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir (GO), criticou a articulação política do governo e afirmou que "é um grande equívoco continuar fazendo essa diferença entre nova e velha política". Ao Estadão/Broadcast, Waldir avaliou que Bolsonaro e o presidente da Câmara estão numa "acirrada disputada pelo nada" e devem manter a calma.

"O governo não precisa de oposição nesse momento. As ações de algumas pessoas do Executivo e do Parlamento criam um tsunami maior do que qualquer pessoa. É necessário amadurecimento", afirmou.

Na semana passada, as declarações do líder do partido de Bolsonaro na Casa de que a proposta de Previdência dos militares é um "abacaxi" já haviam ecoado mal no governo, e neste domingo Waldir voltou a subir o tom contra o governo. "Se o governo quer aprovar a (reforma) da Previdência temos que dialogar mais, reduzir essa zona de atrito, de discussões pela imprensa e pelas redes sociais. Esse mundo virtual é extremamente sadio, ajudou a mudar o Congresso, mas agora está sendo péssimo. Em alguns segundos uma publicação (na internet) derruba a bolsa de valores e reduz credibilidade do País quando dois chefes de poderes estão numa acirrada disputa pelo nada", disse Waldir.

As ações do Rodrigo e do presidente, essa troca de farpas não é algo importantes para o país. As pessoas estão morrendo por falta de emprego, segurança e saúde. Nós temos que mudar a pauta parlamento. Coloquem suas divergências de lado", sugeriu. Waldir também questionou a quem interessa o conflito entre Maia e Bolsonaro neste momento e disse que espera que os dois se encontrem nos próximos dias para resolver as divergências.

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Estadão
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