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Collor volta a falar que é candidato ao Planalto

Ex-presidente também disse que Lula é injustiçado, já que não há provas de que o triplex do Guarujá pertencia a ele

12 jul 2018
16h13
atualizado às 17h11
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Após seu partido afirmar que não lançaria candidatura à Presidência da República, o senador Fernando Collor (PTC-AL) voltou a falar que é pré-candidato ao Planalto. Em entrevista à rádio Guaíba, Collor também defendeu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dizendo que não há prova contra o petista e que ele, mesmo preso em Curitiba, tem o direito de gravar depoimentos para a campanha eleitoral.

"Continuo pré-candidato à Presidência da República. Não cheguei a pensar em nenhum momento em desistir. Continuo nesse trabalho de mostrar que minha pré-candidatura é uma alternativa que achei por bem colocar dentre os quadros dos pré-candidatos que estão postos", disse.

Em entrevista à rádio, Collor afirmou que nunca desistiu de se candidatar ao Planalto em 2018
Em entrevista à rádio, Collor afirmou que nunca desistiu de se candidatar ao Planalto em 2018
Foto: Reuters

No entanto, a afirmação vai contra um comunicado oficial do partido indicando que a legenda não teria candidatura própria à Presidência desde 20 de junho. A nota diz que "sobrevivência" do partido foi um dos motivos para a desistência da candidatura própria.

Segundo Daniel Tourinho, presidente da sigla, "a principal luta da instituição" será atingir ao menos 1,5% dos votos válidos para a Câmara (em nove Estados ou eleger pelo menos nove deputados em nove Estados). Com isso, o PTC ultrapassaria a chamada cláusula de barreira, aprovada na reforma eleitoral no ano passado e que restringe o acesso dos partidos ao Fundo Partidário.

Falando sobre o atual panorama político, Collor disse que não há provas que o tríplex do Guarujá, pelo qual Lula foi condenado e preso pela Operação Lava Jato, pertence realmente ao ex-presidente. "Ele foi submetido a uma pena de nove anos de detenção sem ter sido concedido a ele o direito à resposta a uma pergunta: onde está o documento que prova que o apartamento do Guarujá é de minha propriedade ou de alguém de minha família?", declarou o senador.

No caso do tríplex no Guarujá, Collor afirmou que não havia provas suficientes para ligar Lula ao imóvel
No caso do tríplex no Guarujá, Collor afirmou que não havia provas suficientes para ligar Lula ao imóvel
Foto: Motta Jr / Futura Press

Ele destacou que o aumento da pena de Lula na segunda instância, para 12 anos, foi determinado sem "qualquer fato novo". "Todos sabem que eu não tenho procuração e sequer afinidade ideológica com o ex-presidente Lula em função do que eu vou dizer. Mas [...] eu entendo que vem sendo cometida enormes injustiças em relação ao ex-presidente Lula", disse Collor.

Collor defendeu ainda que Lula possa se manifestar como pré-candidato e, após ser registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), como candidato a presidente. "Poderia ser dada a ele a oportunidade de receber um advogado que grave uma declaração sua e que essa declaração possa ser divulgada."

O senador disse não concordar, no entanto, com a tese do PT que Lula está sendo "perseguido" apenas por ser pré-candidato à Presidência. "Aí já acho que é uma viagem na maionese", comentou.

Na entrevista, o parlamentar e ex-presidente da República fez fortes críticas à Operação Lava Jato, comparando a prática de firmar acordos de delação premiada com tortura. "É uma operação que ela, em si, tem os seus bons propósitos. Acontece que a execução dessa operação foi dada a pessoas imberbes, de calças curtas, que não têm ainda consciência da realidade que nos cerca, que não têm a experiência necessária para ponderar e avaliar que aquilo que chega para julgamento e, mais do que isso, que estão atraídas pelos holofotes da mídia."

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Estadão

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