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Boca de urna: Azarão no Rio, ex-juiz surge em 1º lugar

Witzel é servidor público com passagens pela Marinha, o Instituto de Previdência do Município do Rio (Previ-Rio) e a Defensoria Pública.

7 out 2018
18h23
atualizado às 18h41
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Azarão da eleição do Rio, o ex-juiz federal Wilson Witzel (PSC) é um novato que se apresentou ao eleitor como um político não profissional com experiência no combate à corrupção. De completo desconhecido, ganhou popularidade na reta final na esteira de seu apoio declarado a Jair Bolsonaro (PSL) na corrida presidencial. Na boca de urna, aparece com 39% dos votos, à frente do ex-prefeito da capital, Eduardo Paes (DEM) (21%), que liderou todos os levantamentos da campanha.

Witzel é servidor público com passagens pela Marinha, o Instituto de Previdência do Município do Rio (Previ-Rio) e a Defensoria Pública. É professor e ex-presidente da Associação dos Juízes Federais do Rio e do Espírito Santo, com carreira na Justiça Federal por 17 anos, tendo participado de casos de repercussão, como o do propinoduto. Ele tem 50 anos, é de Jundiaí e mora no Rio desde os 19. Começou a campanha quase sem pontuar, chegando a sexto lugar nas pesquisas há duas semanas e segundo lugar na última sondagem do Datafolha, empatado com Romário Faria (PODE), e em terceiro na sondagem do Ibope.

Candidato ao governo do Rio pelo PSC, Wilson Witze
Candidato ao governo do Rio pelo PSC, Wilson Witze
Foto: JOSE LUCENA/FUTURA PRESS / Estadão

Witzel deixou em março a magistratura e um salário bruto de R$ 29 mil. Centrou sua campanha em dois pilares: o combate à corrupção e à criminalidade, num Estado que tem um ex-governador (Sérgio Cabral Filho, do MDB) preso e condenado a mais de cem anos de prisão acusado de chefiar um esquema de corrupção, e que há décadas vem mergulhado na violência urbana.

Com o slogan "mudando o Rio com juízo", e vendendo-se como alguém que "deixou de ser excelência para se juntar ao povo", o candidato do PSC defende uma força-tarefa contra o narcotráfico e as milícias, sob a lógica que norteou a Polícia Federal na Lava Jato, de rastreamento do dinheiro lavado e de monitoramento telefônico, além de um endurecimento contra traficantes. Para ele, quem estiver portando fuzil num eventual governo seu será "abatido", por representar um "risco iminente".

"A polícia não age porque não há cobertura jurídica", declarou.

Para ele, nos últimos 40 anos a política pública de segurança vendo sendo realizada de forma equivocada. "Investe-se muito em policiamento e não nas investigações. Precisamos de informações da PF e da Receita Federal", disse, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo no mês passado.

Nela, defendeu "um novo modelo de administrar a coisa pública", com extinção de agências reguladoras que servem de "cabides de emprego" e funcionamento pleno de órgãos de controle, com nomes de perfil técnico.

"A população está absolutamente decepcionada com a política. Eu sinto muita receptividade quando digo que sou juiz federal, que não sou político de carreira", contou então. "O presidente do tribunal ficou muito preocupado com a minha decisão. Mas eu sempre fui apegado a desafios, não a cargos. Ser governador seria o melhor emprego do mundo", afirmou Witzel à reportagem.

Estadão

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