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Ala do PT quer limitar exposição de Haddad como vice de Lula

Petistas querem evitar que ex-prefeito consolide a ideia que seja plano 'B' do partido nas eleições presidenciais 2018

9 ago 2018
05h12
atualizado às 08h24
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Escolhido para ocupar provisoriamente a vice na chapa presidencial do PT, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad terá que enfrentar uma espécie de segundo turno nas eleições 2018 dentro do próprio partido para confirmar a posição de possível substituto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso pela Lava Jato.

O PT está dividido sobre o nível de exposição que será dado a Haddad. Nesta quarta-feira, a Executiva Nacional do partido, mesma instância que escolheu Haddad como vice, decidiu que não vai recorrer à Justiça para que o ex-prefeito substitua Lula no debate entre os presidenciáveis da TV Bandeirantes, marcado para esta quinta-feira, 9, às 22h.

Haddad deixa sede da PF após visita a Lula na prisão em Curitiba
Haddad deixa sede da PF após visita a Lula na prisão em Curitiba
Foto: Rodolfo Buhrer / Reuters

O ex-ministro da Justiça Eugenio Aragão, um dos advogados do PT, foi orientado a retirar o pedido alternativo que solicitava a presença de Haddad caso a Justiça negue a participação de Lula no debate da Band.

Segundo o partido, a decisão tem dois motivos. O primeiro é que emissora e os outros candidatos recusariam a proposta. O segundo diz respeito a um debate ainda aberto nas instâncias partidárias sobre até que ponto Haddad poderá representar Lula.

A dúvida foi exposta nesta quarta-feira, 8, pela direção petista ao próprio Haddad. O ex-prefeito participou via videoconferência de uma discussão que reuniu integrantes da Executiva e da coordenação da campanha petista.

O argumento é que a possível exposição excessiva de Haddad pode consolidar a ideia de que o ex-prefeito é o plano "B" do PT e isso enfraqueceria o discurso em defesa da candidatura de Lula. Pessoas que participaram da reunião interpretaram a discussão sobre a participação do vice nos debates como um sinal de que a ala contrária a Haddad ainda não se deu por vencida.

Segundo fontes do partido, esta ala só aceitou o nome de Haddad depois que Lula deixou clara sua preferência pelo ex-prefeito de São Paulo. Eles preferiam o ex-ministro Jaques Wagner ou a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann por considerarem Haddad "pouco petista" mas recuaram depois que Lula mandou uma carta na qual indicava claramente o nome do ex-prefeito.

Haddad está em 'estágio probatório', diz Gleisi

Em entrevista ao Estado, Gleisi disse que, segundo Lula, Haddad está em "estágio probatório" e que sua indicação como substituto vai depender de como ele vai agir até que a sitação jurídico-eleitoral do ex-presidente esteja definida.

Pessoas próximas a Haddad disseram que o ex-prefeito vai acatar as decisões da direção partidária. Segundo essas fontes, Haddad não pode fazer movimentos bruscos que deem sinais de que ele trabalha para ser o plano "B". Por isso, até que a situação eleitoral de Lula esteja definida, o ex-prefeito deve manter o discurso em defesa da candidatura do ex-presidente. Na terça-feira, 7, Haddad se licenciou do Insper, onde dá aulas desde o início do ano, para se dedicar em período integral à campanha eleitoral.

O PT prepara para o dia 15 uma grande manifestação em Brasília para o registro da candidatura de Lula no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Condenado em segunda instância por órgão colegiado a 12 anos e um mês de prisão, o ex-presidente pode ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa. Conforme acordo com o PCdoB, Haddad, que assumiria a cabeça da chapa presidencial, será substituído por Manuela d'Ávila na vaga quando a Justiça Eleitoral decidir sobre a condição do ex-presidente.

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Estadão Conteúdo

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